23.6.15

proibir a venda de bebidas alcoólicas resolve algo?

Faltam poucos dias para que entre em vigor a nova lei do álcool que impede que os menores de idade possam comprar bebidas alcoólicas. Além disso também não podem consumir bebidas alcoólicas em espaços públicos. Basicamente trata-se de uma missão impossível e condenada ao fracasso. E uma decisão que levanta diversas dúvidas. Logo a começar por outras leis que são esquecidas na aplicação desta.

Um jovem de 16 ou 17 anos está proibido de comprar bebidas alcoólicas. Mas um jovem de 16 ou 17 anos não está proibido de entrar num bar ou discoteca. Depois de ter acesso ao mesmo qual será o funcionário que no meio da confusão de qualquer bar ou discoteca - em alguns as filas para conseguir uma bebida são assustadoras - se irá lembrar de pedir um documento de identificação aos clientes. Quem é que vai estar a olhar para os clientes tentando adivinhar se tem 16,17 ou 18 anos? Ninguém. Ou será que os bares e discotecas passam a ter os "polícias" dos copos que têm como missão controlar os clientes, e os seus copos, que facilmente e com recurso a diversas frases de ocasião se safam do eventual copo com bebida alcoólica que têm na mão.

Fora dos bares e discotecas é ainda mais complicado controlar o que quer que seja. É a mesma coisa que se passa com o tabaco. Existe sempre alguém mais velho que faz o favor de comprar os cigarros e as bebidas que o grupo irá consumir. Ou seja, nos bares e discotecas poderá provocar confusão entre os clientes para as casas que cumpram a lei com regra e esquadro. E provavelmente esta lei irá aumentar o consumo de rua de forma mais ou menos escondida.

Esta lei recorda-me o que se passa nos Estados Unidos onde os jovens podem ter armas mas não podem beber. Por cá, um jovem de 16 anos tem idade para casar, tem idade para entrar numa discoteca e num dar mas está legalmente proibido de beber uma imperial num bar com amigos ou com a namorada/mulher. Nesta idade (16,17 anos) as coisas não se resolvem com proibições mas com pedagogia. E são os pais dos adolescentes que têm um papel importante nessa pedagogia, no processo de ensinar a beber. Tal como em ensinar que não têm de fazer tudo o que os outros fazem. E acho que é muito mais fácil apostar na pedagogia do que pensar que se resolve tudo com uma proibição tal como se acreditava que ia ser resolvido com a lei anterior que fracassou.

22 comentários:

  1. A pedagogia não chega, podia aplicar esse argumento a qualquer coisa. Um jovem com 14 anos, ah não vale a pena proibir com a lei, os pais ensinam.
    Claro que dá para contornar às vezes a lei... Mas nem sempre. Lembro-me que com 14 anos lá está, consegui comprar alcool uma ou duas vezes no supermercado, mas fui barrada em bares e discotecas.
    Provavelmente vai ser complicado proibir os jovens de beber (e eu até acho que é com asneiras que se aprende), mas acho que lá por ser complicado não se deve desistir. E mais, acho que devia ser proibido menores de 18 entrarem em discotecas e bares.

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    1. Mas se aos 14 anos queres comprar álcool a culpa é da lei? E haverá alguém que te impeça de o fazer? É impossível controlar isto. O que acho/defendo é que se é para fazer isto proíbam a entrada em bares e discotecas a menos de idade. Só que isto levanta outra questão: e os que não bebem?

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    2. Sim, as pessoas que vendem alcool devem impedir (caixas de supermercado, pessoas que trabalham em lojas de conveniência, empregados de bares e cafés). E a única maneira de impedir é fiscalizando.
      Há discotecas para menores de idade que não vendem álcool. E o que é que uma pessoa vai fazer a um bar se não vai beber? Simplesmente não é o melhor ambiente para uma pessoa menor de idade. Há cafés e bistros abertos até muito tarde em Lisboa por exemplo, é uma alternativa para os menores.

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    3. Eu sou a favor das medidas mas acho que devem passar pela pedagogia porque isto é algo praticamente impossível de controlar. O meu ponto é apenas este, a impossibilidade de controlar isto porque haverá sempre alguém mais velho que compra. Até porque é normal que adolescentes de 16,17 anos tenham amigos maiores de idade.

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    4. A maior parte dos crimes são dificeis de controlar, não é por isso que deixam de existir leis.

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    5. Isso é verdade. E não digo que a lei não deva existir. Digo é que, como está, nada resolve. Nem bate certo com outras leis. O meu ponto de vista é esse. E por isso é que acho que era melhor algo pedagógico.

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  2. Concordo a 100% contigo! ;) Sobretudo na última parte do texto, só que me parece a mim que os pais de hoje em dia (atenção que sou mãe!!) não querem ter esse trabalho, é mais fácil dizer o meu filho é um rebelde, fas o que quer, do que passar pelo papel do mau da fita e pai ou mãe antiquado... os meus fizeram isso e hoje não podia estar mais agradecida por o terem feito!! ;) Dá trabalho, uiii se dá, e eu estou só no inicio de tudo, mas tenho a esperança que os pais de hoje em dia de crianças pequenas comecem a abrir os olhos e comecem a mudar algumas coisas, visto o cenário que está todos os dias cada vez mais marcante nas nossas vidas!! :S Jovens que num curto espaço de tempo já viveram e conhecem tudo (dizem eles!) o que há para viver nesta vida e sendo jovens adolescentes, até morrem velhos já!!! :S Bahhhhh!!!
    Boas leituras!:)

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    1. Nos dias que correm muitos pais acham que a missão de educar um filho é dos professores e por aí fora. Eles são apenas pais.

      Boas leituras :)

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  3. Compreendo e concordo com o teu ponto de vista relativamente à importância da pedagogia. Mas nem todas as familias são funcionais. Legislar uma regra que tem todo o sentido, não será uma forma de assumir a importância do tópico (leia-se: é preciso estabelecer que está errado que menores de idade bebam)?

    Esta lei, mesmo que de difícil implementação, permite a adultos responsáveis a recusa (com base na lei e não só no "porque sim") em servir bebidas alcóolicas pelo menos àqueles que que já passaram das marcas, sob ameaça de chamarem a polícia para que sejam identificados. Nos E.U.A todos apresentam identificação ao balcão. Ainda que possam ter identificação falsa (e com isso enganar os funcionários dos bares/discotecas) certamente não arriscarão mostrá-la às autoridades para se manterem num local onde já foram convidados a sair.

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    1. Mas se a lei faz sentido não fará sentido proibir a entrada dos menores nos bares e discotecas? E tudo isto é uma bola de neve porque é algo que nunca será controlado. Não há bar há a casa de alguém para uma festa. Por achar que isto é tão complicado de resolver é que defendo a pedagogia como o caminho a seguir.

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    2. Acho que não faz sentido proibir a entrada dos menores nos bares e discotecas. Quero crer que não vão lá especificamente para beber, mas para se divertirem entre amigos (que podem ter todas as idades). Limitar a entrada a menores de idade limitaria igualmente a sua interacção com pessoas de outras idades que poderiam ser bons exemplos de maturidade.

      Acredito que, em geral, se deve restringir especificamente o comportamento errado (neste caso: matar neurónios num corpo em desenvolvimento e, portanto, mais suceptível), não aquele que não significa nada (entrar num lugar de convívio/música/dança).

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    3. A violência doméstica também pode ser praticada e escondida entre quatro paredes e não é por isso que não deve ser criminalizada. Criminalizar alguma coisa serve para deixar clara a distinção entre certo e errado, e no ar a ideia de que a punição pode chegar quando menos se espera. O receio de ser punido pode não afectar todos, mas certamente alguns. E, nestes caso, bastará que apenas um jovem queira compreender porque não deve beber em tenra idade, para que a medida já tenha valido a pena. Especialmente se entre esses jovens que ponderarão, estiverem alguns que seriam propensos à dependência química do alcóol. Ou outros, que do alto da sua inexperiência com alcóol e imaturidade, beberiam demais entrando em comas alcóolicos (o coma reservado aos imaturos e aos imbecis).

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    4. Eu acho que os jovens, sobretudo com 16,17 anos, têm a obrigação de saber os efeitos do consumo excessivo e abusivo de álcool. E só acho que a lei é quase impossível de colocar em prática. Nada tenho contra a lei a não ser entender que é quase impossível de aplicar. E nesse sentido é que aposto na pedagogia para que um adolescente perceba os efeitos do consumo de álcool e drogas.

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  4. Eu lembro de estar no ensino básico e falar-se do mal que o álcool e o tabaco fazem (e agora que estou na faculdade voltei a falar do mesmo, é o que dá estar num curso de saúde :p ) e não é por isso que não deixam de se ver jovens em estados bastante deprimentes.
    Eu acho que esta lei peca por tardia, se desde sempre fosse proibido consumir este tipo de bebidas antes dos 18, se calhar já se tinha controlado muito melhor esta situação. Mas sim, tens razão quando dizes que faz mais sentido impedi-los de entrar num bar e discoteca, visto que não podem consumir, mas é também verdade que isso já deveria estar a ser feito, pelo menos tanto a mim como a quem está comigo, já nos foi perguntado se temos todas mais de 18 anos para podermos entrar..

    B

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    1. Eu sou a favor das medidas mas neste caso, acho que nada resolvem porque são quase impossíveis de aplicar. A minha crítica é apenas essa.

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  5. Eu como sou mãe e professora acumulo funções eheheh. Costumo didatizar e fazer pensar nesses assuntos aos meus alunos e faço o mesmo com os meus filhos. Fico satisfeita que façam boas escolhas pois é sinal que fiz um bom trabalho, mas SOBRETUDO que ELE fez um bom trabalho e boas escolhas.
    Não podemos tratar adolescentes como criancinhas que não sabem o que fazem pois nesta idade muitas vezes eles começam a ter vida sexual e não vale a pena esconder a cabeça debaixo da areia. Há que chamar as coisas pelos nomes, há que falar com eles como potenciais adultos e como jovens capazes e a ter de assumir as suas escolhas. Afinal se nestas idades são obrigados a escolher o curso que querem seguir, a fazer sexo seguro (caso o comecem), não hão-de ser capazes de perceber que no caso das bebidas as consequências também são deles? São. Precisam é que lhes expliquem quais são as consequências em vez de só se preocuparem com o ralhete dos pais quando souberem. Afinal o ralhete é o que menos importa nesta história, não é? Não é para terem oportunidade de serem chamados à atenção pelos pais que esta lei existe. É por razões de saúde e eles não têm consciência disso e muitas vezes, nem os pais.Essa é a grande questão. Muitas vezes dizemos aos nossos filhos "não façam" mas esquecemos que para eles assimilarem a lição têm de perceber porquê. Quando sabem a razão por que dizemos e fazemos certas coisas, torna-se muito mais fácil que para a próxima eles saibam porque escolhem determinadas opções mesmo sem nós estarmos presentes. É essa a magia de educar- vê-los fazer boas escolhas pelos motivos certos.:-)
    Eu já fui surpreendida pelo grau de maturidade que certos adolescentes problemáticos podem ter se abordados da forma a que eles percebam. Muito orgulho neles,:-)

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    1. Acho que o caminho é esse. Mais do que simplesmente proibir sem explicar os motivos dessa decisão. Acredito que te sintas muito orgulhosa :)

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  6. não tem idade para comprar as bebidas, arranjará alguém para lhas comprar e vai consumi-las na mesma, tal qual como acontece como o tabaco.

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    1. Deviam sensibilizar, Agora proibir não valerá de muito, afinal o costuma-se dizer que o fruto proibido é o mais apetecido

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  7. Tens tanta razão... é pena que quem manda nisto não consiga ver algo tão básico...

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    1. É cada um por si no momento de fazer as coisas.

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