16.6.15

pensava que as portuguesas tinham bigode. odeio-te

Quando era miúdo tive os meus ídolos. Que apesar de admirados nunca tiveram direito a estar pendurados numa parede ou porta do meu quarto. Se não me engano alguns ainda conseguiram figurar em cadernos escolares mas não mais do que isso. Como boa parte dos adolescentes também tive posters no quarto. No meu caso destaco um de Homer Simpson no papel de Martini Man e outro de uma Miss Reef, que só conheci de costas porque era assim que estava na imagem. Recordo estes porque eram aqueles de que mais gostava e porque não tive muitos mais. 

À parte disto, existem jogadores de futebol que sempre quis ver jogar ao vivo. Artistas que faço questão de ter os álbuns físicos. Artistas que faço questão de ouvir ao vivo e por quem sou capaz de fazer uma viagem aproveitando para transformar o concerto num passeio. Ou ver as suas actuações, quando são de outras áreas, ao vivo. Mas sou incapaz de passar horas a fio numa qualquer fila para ver uma destas pessoas. Não vivo com a obsessão de estar perto delas. São pessoas que admiro, por este ou aquele motivo, e não mais do que isso. 

Compreendo que existam pessoas, sobretudo adolescentes, que olhem para os ídolos com um fascínio completamente diferente do meu. Compreendo que vibrem muito mais do que eu com os seus feitos. Compreendo que passem horas numa fila para comprar um bilhete, para estar na primeira fila do concerto ou para ter um autógrafo de uma determinada pessoa. Até compreendo que possam chorar de alegria quando têm oportunidade de conhecer a pessoa que mais admiram. Tal como consigo compreender que alguns pais alimentem, até determinado ponto, este histerismo frequente durante a adolescência. 

Mas já não compreendo quando esta admiração atinge uma proporção doentia. Quando a admiração por alguém passa para uma obsessão que chega a meter medo. Quando é algo do estilo "fomos feitos um para o outro e se não for meu não será de mais ninguém" e quando se passa a alimentar um ódio de morte em relação às pessoas que rodeiam os ídolos. Algo que Sara Sampaio está a sentir na pele neste momento. 

Existem fotos de Sara Sampaio junto de Harry Styles que, para quem não sabe, é membro da famosa boysband One Direction. Ao que parece passaram a noite num hotel e diz-se que são namorados. Este suposto namoro não foi confirmado/assumido nem pela manequim nem pelo cantor. Mas os rumores foram suficientes para que as fãs de Harry Styles e da banda inundassem o instagram da manequim com frases pouco simpáticas. 

"És uma puta... Larga o Harry", é um dos comentários. "Não lhe toques, és uma ordinária", é outra das frases deixadas naquela rede social. "Pensava que as portuguesas tinham bigode. Odeio-te e vou odiar-te para sempre", é mais uma das pérolas deixadas numa das fotos de Sara Sampaio. Isto não é admirar alguém. Isto é uma obsessão doentia. Isto chega a ser assustador. E quando chega a este ponto os pais (os amigos e quem rodeia essas pessoas) devem ter um especial cuidado com a forma como alimentam a relação dos filhos com os ídolos. 

14 comentários:

  1. Tenho medo de gente assim doentia...tudo tem limites, mas há pessoas que não os sabem destingir!

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  2. Eu sou adolescente e nunca fui nem penso ser assim! Posso ter os meu ídolos mas não fazia tudo por eles, eles têm a vida deles, apenas admiro o seu trabalho e como o fazem chegar às pessoas!

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  3. Tens tanta razão, é triste mesmo.

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  4. Honestamente nem conheço as musicas dos One Direction, sou aquele tipo de pessoa a quem irrita aquilo que esta muito na moda.... mas gostaria que a Sara Sampaio me desse o contacto da bimba que escreveu que as portuguesas tinham bigode ; )

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    1. Acho que o comentário estava no instagram dela ;)

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