13.5.15

os trolls da internet

Os números são bastante claros. Aproximadamente 40% das pessoas que utilizam com frequência a internet já foram vítimas de cyberbullying. Dentro desta percentagem elevada 66% das pessoas revelam que o assédio aconteceu numa rede social. Estes dados são do ano passado e espelham bem a gravidade da situação.

É um facto que existem cada vez mais trolls. Pessoas, na esmagadora maioria anónimos, que se escondem atrás de um computador ou gadget e que dedicam boa parte do seu dia a viver a vida dos outros. Pessoas que tudo sabem sobre a vida dos outros (apesar de nada saberem) e que dedicam o seu tempo a tentar captar a atenção de alguém que odeiam mas por quem nutrem um ódio tão especial que são incapazes de viver as suas vidas sem saber o que fazem/dizem essas pessoas. Claro que isto ocorre quando existe um ecrã e uma identidade falsa a separar as pessoas. Quando existe proximidade física são as pessoas mais simpáticas do mundo e desdobram-se em elogios.

Porém, os trolls são incapazes de perceber que praticam cyberbullying pois quando olham para o espelho vislumbram uma espécie de justiceiro que veio ao mundo para restaurar a ordem virtual. Por mais ataques e perseguições que façam defendem sempre que estão a dar uso a algo tão nobre como a liberdade de expressão. Aliás, quando uma das vítimas dos trolls decide experimentar os seus cinco minutos de troll e faz do caçador a sua presa cai o Carmo e a Trindade. Quando isso acontece os trolls assumem o papel de virgens ofendidas e garantem que são as vítimas.

Mas o objectivo deste texto não é analisar o comportamento nem aquilo que move quem tem esta postura online até porque na internet qualquer pessoa pode ser o que quiser, infelizmente há quem escolha ser estúpido. São opções. O que é triste é que existem muitas pessoas que não sabem lidar com o cyberbullying. Pessoas que, por um qualquer motivo, são mais frágeis e acabam por ceder aos ataques, ficando com medo (em muitos casos) ou adoptando uma postura mais agressiva em determinadas situações.

Há quem fique com receio. Há quem deixe de usar a internet. Há quem mude a sua postura online, cedendo aos trolls. Há também (algo que é cada vez mais fácil de fazer) quem não descanse enquanto não descobre a identidade do seu troll de estimação. Há ainda quem conheça de cor e salteado a identidade dos seus trolls e se divirta com os “ataques” de tais personagens. São diferentes posturas que conduzem a diferentes destinos.

Isto tudo para dizer que os trolls e o cyberbullying motivaram a criação da plataforma HeartMob, que está numa fase de angariação de fundos. Trata-se de um projecto que pretende mudar a mentalidade das pessoas que frequentam o mundo virtual. Existe ainda um apelo para que as pessoas denunciem os seus casos de cyberbullying recorrendo à hashtag #MyTroll nas redes sociais.

Gosto da iniciativa mas considero que uma das missões mais complicadas do mundo passa por mudar mentalidades. Neste caso específico é uma missão bastante complicada. Considero que a melhor maneira de mudar mentalidades passa pela lei. Quando existirem penalizações “severas” para quem vive da estupidez virtual e de perseguições cobardes tudo irá mudar. Só assim é que as coisas mudam.

11 comentários:

  1. Pipocante Irrelevante Delirante13 de maio de 2015 às 10:55

    "Pessoas, na esmagadora maioria anónimos, que se escondem atrás de um computador ou gadget e que dedicam boa parte do seu dia a viver a vida dos outros."

    Os tais outros que muitas vezes fazem negócio a vender a sua vida.
    Sim, porque é natural expor a nossa vida, publicar fotos íntimas, e depois esperar nada mais que aplausos e abraços. Muito desse "ciberbullying" não passa de crítica, mais ou menos fundamentada, mais ou menos justa. Aliás o conceito tem sido tão banalizado qie é complicado levá-lo a sério.
    A internet é um lugar público, exposto. Quem se quer preservar, resguarda-se. Os outros, sujeitam-se.
    Ainda mais quando se coloca à disposição de todos a nossa imagem, a nossa intimidade.

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    1. Não vejo ofensas baratas como críticas fundamentadas mas cada pessoa sabe como vive a sua vida. Mas de quem não sabe separar uma crítica de uma ofensa gratuita. Para te criticar não preciso de te ofender. Mas isto é a forma como vejo a vida e como alimento a minha.

      Sujeita-se quem se expõe, segundo as tuas palavras, tal como se sujeita quem ataca. Como diria o Jaime Pacheco, é uma "faca de dois legumes".

      Vamos supor o seguinte. Encontras uma pessoa na rua a quem mostras um álbum de fotografias de família que por acaso tens contigo naquele dia. Depois, a pessoa diz-te que a tua mulher parece uma baleia cheia de celulite e que os teus filhos têm ar de atrasados mentais. Segundo a tua linha de raciocínio, tens de estar pronto e é justo porque não podem ser só aplausos.

      Não vejo a vida assim. Mas, lá está, cada qual sabe daquilo que é feito e daquilo com que alimenta a sua vida.

      Só é troll quem quer.

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    2. Pipocante Irrelevante Delirante13 de maio de 2015 às 11:51

      teria de viver com essa opinião.
      O mais certo é ela valer zero... por isso... vale zero.
      Mas é certo, cada um sabe de si. magoa-me mais uma crítica destrutiva bem fundamentadda que um insulto gratuito. Escrevo ocasionalmente num blog, com algum alcance, e já me chamaram de tudo. Até me dá para rir. Agora, quando dizem que escrevo imbecilidades, e fundamentam... aí sim fico sentido.

      Certas "figuras" consideram bullying serem parodiadas, criticadas, ou insultadas. Mas não se coíbem de fazer o mesmo aos Gouchas e Castelos Brancos deste mundo. A hipocrisia dos bloggers perseguidos pela turbe dos trolls é tão grande, que dava um programa em prime-time.

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    3. Tal como a opinião dos trolls deve valer zero. A lógica é semelhante. Deste o exemplo do blogue onde escreves. Por norma, uma crítica fundamentada não necessita de ter como muleta a ofensa gratuita e vazia, que não é mais do que a arma de quem não tem argumentos.

      Tudo o que te possa passar pela cabeça já me foi chamado aqui. Até já desejaram a minha morte e a morte dos meus. Como dizes, isto vale zero. E diz muito sobre as pessoas que desejam a morte de alguém que tem um blogue (e estou a falar do meu exemplo).

      Uma coisa é uma crítica (feita por alguém que odeia alguém) fundamentada. Outra coisa é dar palpites sobre a vida e desejos dessas pessoas com chavões de trazer por casa e ofensas vazias de conteúdo. Outra coisa ainda piadas. Aqui, desde que tenham classe, tudo é permitido. E a pessoa acaba por se rir. Faz parte da vida. E todos somos alvo de piadas.

      Transportaste o teu comentário para o mundo da blogosfera mas recordo-te que falei de internet. Este não é um texto sobre os trolls dos blogues mas sim na sua generalidade. Mas, tal como tu, também considero que dava um belo programa juntar um grupo de trolls num programa tipo casa dos segredos.

      Não deixa de ter a sua piada que os trolls se vejam como justiceiros e como alguém que pratica o bem. Isso tem a sua piada.

      Por fim, acho que um troll precisa de ajuda clínica quando persegue sistematicamente a mesma pessoa. Isso é sinal de doença. Ou então é tempo livre a mais.

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  2. Eu confesso que sou o tipo de pessoa que ignora, pois o que essas pessoas pretendem é atenção e eu cá gosto de ser do contra e não fazer o que esperam que faça, ou seja, dar-lhes tempo de antena.
    No entanto, não considero que já tenha sido vítima de cyberbullying.

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    1. Ignorar é sempre a melhor solução e aquela que mais incomoda o troll que deseja atenção.

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  3. Nem te passa pela cabeça, o que já me apareceu devido ao meu blog...

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    1. Passa porque já me acusaram de tudo e mais alguma coisa.

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  4. Cheguei a receber mails com "Vais beber o meu sangue"

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