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27.5.15

o que custa e o que não custa

Nos últimos tempos aquilo que mais tenho ouvido são coisas como “custa ter o gesso na perna?”, “custa estar tanto tempo em casa?”, “é uma grande seca”, “tens muitas dores?” e por aí fora. Basicamente, as perguntas e observações que mais ouço sobre a minha lesão vão neste sentido.

Mas a verdade é que não custa nada. Pelo simples facto de que não me doeu no momento em que me lesionei. Tive apenas uma ligeira dor enquanto arrefecia e enquanto esperava para ser observado no hospital. Não me doeu nos dias em que esperei pela operação. Doeu ligeiramente nos dias seguintes à operação. Mas uma dor perfeitamente suportável. E este aspecto, das dores, faz com que tudo seja mais fácil.

De resto, não me custa estar em casa. Custa-me é não estar na rua. Não me custa ter gesso na perna. Custa-me não a poder utilizar para nada. Não me custa andar de muletas (graças ao ginásio é algo que suporto bem sem qualquer dor ou cansaço). Custa-me é não poder andar sem elas. Não me custa pedir ajuda. Custa-me é que tenham de me ajudar. Aquilo que descrevo poderá soar à mesma coisa para muitas pessoas mas são realidades completamente diferentes. Aquilo que realmente custa é o que não se pode fazer. Porque aquilo que se pode fazer não custa nada e acaba por se suportar bem.

“My body could stand the crutches but my mind couldn´t stand the side line”, é uma frase de Michael Jordan que descobri hoje. E isto explica na perfeição o que é andar de muletas e o facto disso não custar nada. O que custa é tudo o resto que é do domínio da mente que não aceita facilmente ser travada. E acredito que isto aconteça a todas as pessoas que tenham uma vida activa, do ponto de vista desportivo, como tenho.

6 comentários:

  1. Vou opinar lol porque é um assunto que me diz muito, no espaço de dois anos parti um pulso e um pé :(
    Do pé não me doeu grande coisa também, e lá está custava-me era não poder fazer as coisas "normais".
    Do pulso foi outra historia, sofri muito mesmo dores horriveis, mesmo o o gesso, supostamente não devia doer, mas doia, e afinal o gesso andou 45 dias mal posto:( fiz 6 meses de fisioterapia, coisa que no pé não foi necessário, ficou com, felizmente.
    Resumindo, custa ou não depende sempre da lesão, como é tratada etc etc :) e claro, a maneira de encarar, mas sou muito positiva e não existe maneira de encarar a dor que passei no pulso de animo leve, garanto :)

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    1. A forma como se encara a lesão é meio caminho andado para que tudo corre bem. Mas aquilo que as pessoas pensam que custa não custa. Custa é aquilo que não se faz.

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  2. "O que custa é tudo o resto que é do domínio da mente que não aceita facilmente ser travada. E acredito que isto aconteça a todas as pessoas que tenham uma vida activa, do ponto de vista desportivo, como tenho".

    A única coisa que eu te perguntaria seria se não tens comichão na perna devido ao gesso, mas parece-me que não.
    Fui operada, há anos, três vezes as septo nasal, andei com gesso.
    Parti o pulso direito, em setembro passado, andei com uma tala.
    Sempre tive comichões aflitivas que nada podia fazer. Tive de suportar.
    Só não pude, na altura que fracturei o pulso, frequentar o ginásio durante 2 meses.Mas felizmente, tudo ficou bem.

    Beijinho

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  3. Tenho comichão. Há dias em que tenho mais do que noutros mas evito sempre coçar. Porque, se coço uma vez, tenho de coçar cinquenta :)

    Beijos

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  4. Felizmente nunca tive nada do género que me "prendesse" em casa, mas acredito no que dizes e que realmente seja isso que mais custa.

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