22.4.15

a sociedade pressiona as mulheres ou as mulheres é que se pressionam?

Não sou de me “fascinar” facilmente com pessoas. Muito menos com celebridades. Tenho algumas excepções e Charlize Theron é uma delas. Sou fã da sua beleza desde o dia em que a vi pela primeira vez. E com o passar dos anos fui admirando a mulher que existe para além da talentosa actriz. Gosto da sua postura perante a vida, gosto das causas que defende. Resumindo, gosto do “pacote” completo. Como tal, gostei das fotos que fez recentemente para a revista W e também das suas palavras.

Na entrevista à referida publicação, Charlize Theron, que tem 39 anos, aborda um tema quase sempre polémico e que diz respeito ao envelhecimento das mulheres e da pressão que existe em torno do sexo feminino. Melhor, a forma como elas são vistas. “As mulheres, na nossa sociedade, são compartimentadas de modo a que se sintam como flores cortadas que vão murchar”, diz. Nesta parte faço uma leitura de crítica em relação à imagem das mulheres. Que têm de ter sempre uma imagem perfeita e idealmente jovem. E esta pressão da sociedade acaba por fazer com que as mulheres acabem por se sentir velhas quando ainda são bastante jovens.

Mas este tema tem uma outra perspectiva. Que é igualmente abordada por Charlize Theron, que até assume a sua culpa na mesma. “Acho que, como muitas mulheres, era crítica para com as mulheres à medida que iam envelhecendo”, assume. E isto levanta outra questão. A pressão é apenas da sociedade ou são as mulheres que acabam por ser um grande – talvez o principal – foco de pressão no sexo feminino, criticando as outras, o que faz com que a pressão seja ainda maior? Se concordo que a sociedade pressiona e compartimenta as mulheres, concordo também que muitas mulheres ajudam a que isto aconteça, tal como Charlize Theron defende.

Por fim, a actriz assume que ser mãe ajudou a mudar a forma como encara o passar dos anos. “Podemos celebrar cada idade. Este é o meu conselho para as mulheres de 20 anos que têm medo de envelhecer. Não tenham um colapso nervoso nem se atirem ao Chardonnay. Envelhecer não é tão mau”, explica entre risos. Charlize Theron aborda ainda outro tema muito actual que é a necessidade de agradar aos outros. “Quando fiz 30 anos percebi que não tenho que agradar a todos. Posso aproveitar a vida”, confessa.

É por coisas como estas que sou um fã incondicional de Charlize Theron. Não tem problemas em apontar o dedo à sociedade. E com razão pois é um facto que existe uma grande pressão em relação ao sexo feminino. Mas também não tem problemas em assumir a sua culpa nessa pressão. E isto já é algo que muitas mulheres fingem não ver, culpando apenas os outros. E congratulo-me por existirem mulheres com esta importância mediática a abordar estes temas. E nestas breves palavras há muito a aprender. Não fazer aquilo que se critica na sociedade, não ter medo de envelhecer e esquecer essa coisa de agradar aos outros de modo a realmente aproveitar a vida.

8 comentários:

  1. eu não me sinto pressionada, a não por mim...

    ResponderEliminar
  2. A entrevista além de reflectir uma mulher inteligente reflecte uma pessoa de bem com a vida. Mas em relação ao assunto principal, acho que há sim uma grande culpa das mulheres. Somos terrivelmente críticas umas com as outras, sobretudo porque queremos sempre ser melhor do que a vizinha do lado. A plenitude chega, independentemente de idades, quando percebemos que só temos que ser a melhor versão de nós próprias possível. Com rugas ou sem elas.
    www.letirose.com

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Penso como tu e acho que é muito importante que mulheres que são referências mundiais sejam o exemplo.

      Eliminar
  3. Ora vÊs. Uma mulher em que ambos concordamos ser fora-de-série. A todos os níveis. Charlize rocks.

    ResponderEliminar
  4. Falou e disse muito bem, mas o problema é que ainda há uma grande percentagem de pessoas, não apenas mulheres, que se baseiam muito na opinião dos outros, e é triste que assim seja.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E que regem a sua vida pelo que os outros querem.

      Eliminar