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30.3.15

sentir-me vivo e orgulho em ser fénix

Neste texto partilhei o convite que me foi feito para fazer parte de uma equipa de futsal. Pois bem, Sábado foi dia do primeiro jogo ao serviço do novo clube. Na Sexta o treino prolongou-se para lá das 23 horas e pouco tempo depois, às nove da manhã, era a hora da concentração no local do jogo. Não escondo que estava ansioso com o momento do apito inicial e curioso em descobrir como é que o corpo ia reagir à exigência física de um jogo de futsal, que nada se compara com o trabalho que faço no ginásio. O treino que faço de segunda a sexta é excelente e ajuda-me a estar em forma mas aquilo que o corpo “sofre” durante o jogo é completamente diferente.

O último treino correu mal, muito mal. Isto do ponto de vista do jogo de equipa. As jogadas estavam a sair mal. Os golos não apareciam. Ao contrário dos que se acumulavam na nossa baliza. As rotinas de jogo pareciam não existir. Cada um de nós parecia estar perdido no campo, sem saber o que fazer. No balneário, e na brincadeira, dissemos que perder por uma diferença de 17 golos seria uma vitória para nós. Isto porque temos pela frente clubes com uma dinâmica de jogo completamente diferente da nossa.

Até que o jogo começa. Entramos bem no jogo. Atacamos. Temos jogadas perigosas. Defendemos bem. Jogo controlado e equilibrado. O equipa adversária chega pela primeira vez com perigo à nossa baliza e faz golo. Mantemos a organização. Continuamos a fazer o nosso jogo. Tudo corre bem (menos o resultado) até que um novo erro nosso oferece mais um golo à equipa adversária. Chega o intervalo com uma desvantagem de dois golos. Discurso motivador. Temos motivos para estar orgulhosos. Temos pela frente uma equipa muito forte na teoria. Estamos a perder por dois golos. Mas a figura da equipa não envergonha ninguém.

A bola começa a rolar novamente. O jogo parece igual. Equilibrado. Até que surge um golo para nós. Minutos depois, novo golo. A vantagem está anulada. Minutos depois, novo golo para nós. A reviravolta estava feita. O jogo continuava equilibrado. Até que um novo erro nosso (e alguma sorte da equipa adversária) resulta num golo que coloca o marcador em 3-3. O tempo continua a avançar e este parece ser o resultado final. Até que num lance de bola parada fazemos o 3-4. Um lance ensaiado durante toda a semana que deu os seus frutos. Pouco tempo depois o apito final. E aqueles que pensavam que podiam perder por muitos acabaram por ganhar.

Isto pode parecer algo que não merece qualquer referência. Mas, para mim, é um exemplo de superação de um grupo de pessoas que fazem do conjunto das suas fraquezas uma força que serve, pelo menos, para dar luta aqueles que são reconhecidos como mais fortes. E quem pratica qualquer desporto já terá sentido um momento de superação destes. Que pode ser pessoal ou colectivo, dependendo da modalidade praticada. Aqui não há profissionais. São pessoas que trabalham e que ainda vão treinar ao final da noite. São pessoas que trocam horários no trabalho de modo a estar no jogo antes de mais um longo e duro dia de trabalho. E tudo isto dá muito mais sabor à vitória.

Pessoalmente, senti-me vivo. Não sabia se ia jogar de início e quanto tempo ia jogar. Acabei por jogar o tempo todo. Marquei um golo, ofereci outro e tive participação em mais um. Ainda tirei dois golos em cima da linha. O jogo foi Sábado de manhã e ainda tenho dores. Mas o tempo de jogo supera qualquer dor muscular. Hoje já treinei no ginásio. Logo tenho treino de futsal. E Quarta há mais um jogo. E tudo isto faz com que me sinta vivo. E é por coisas como estas que aconselho todas as pessoas a praticar desporto, seja ele qual for.

Porque independentemente da grandeza de um clube o símbolo no peito será sempre mais importante do que o nome nas costas: Clube Desportivo Fénix.

14 comentários:

  1. Esse sentimento de pertença e união é fantástico :)

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  2. Eu sabia que o jogo ia correr bem =) Agora é continuar! Parabéns pela vitória!

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  3. Superaste-te, esforçaste-te e estás orgulhoso de ti e da equipa. :)

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    1. Fomos uma equipa e isso supera qualquer resultado. Se tivesse perdido sentia o mesmo orgulho :)

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  4. Força, Bruno.
    Perder ajuda a refletir e mudar a táctica.
    E conseguiram.
    Beijinho

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  5. Pipocante Irrelevante Delirante30 de março de 2015 às 20:33

    Exercício físico intensivo. Faz mal à saúde.
    Verdade ou Mito?

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    1. Sim, mas depende das pessoas. Conheço o meu corpo e os seus sinais como ninguém. Sei quando posso ou não forçar um pouco mais. Sei quando aguento e quando não posso. À parte disto tenho preocupações que todos deviam ter. A principal passa por dar ao corpo o tempo que precisa para descansar e recuperar.

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    2. Uma resposta coerente.
      Nas minha idas ao ginásio, e por que gosto muito de zumba, por exemplo, vou um mês, depois páro, porque os saltos (que evito) prejudicam os meus joelhos. Sei até onde posso ir, tenho cuidado.
      Verdade ou mito, há alguns limites que só nós conhecemos.
      Beijinho

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    3. Cada pessoa conhece o seu corpo como ninguém. E deverá saber tirar partido disso.

      Beijos

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  6. Bonito texto, tens toda a razão, e que saudade senti agora dos meus anos de nadadora :)

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    1. Quem sente por outra modalidade o que sinto pelo futebol percebe este texto como tu :)

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