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30.9.14

verdade ou mito #72

Existem diversas formas de curar uma depressão leve/moderada (quando a pessoa está num estado melancólico, podendo perder o entusiasmo pelo emprego e até pela vida, tornando-se apática). O sexo é uma cura instantânea para a depressão leve/moderada. Isto será verdade? Porque o sexo liberta endorfinas na corrente sanguínea, produzindo uma sensação de euforia que deixa a pessoa com uma sensação de bem-estar. Ou será mito? Porque o sexo, mesmo sendo prazeroso, não tem um o poder suficiente para curar instantaneamente uma depressão leve/moderada. Verdade ou mito?

estou condenado a ser gordo

Num destes dias, um amigo, com quem partilho as idas ao ginásio pela manhã, subiu para a balança antes de uma aula de cycle. Sorriu perante o valor que apareceu na balança e disse: “estou condenado”. Conformou-se com o excesso de peso. Parece que ter peso a mais do que é aconselhado – e do que aparentemente gostava de ter - é uma condenação. É a mesma coisa do que estar preso com pena perpétua. E quanto a isso não há nada a fazer.

A passividade, perante o que quer que seja, é mais de meio caminho andado para a condenação. Aceitar que não somos capazes de mudar algo, que desejamos mudar, na nossa vida é uma atitude que não levará a qualquer mudança. Isso é mais do que garantido. E isto tanto se aplica aos quilos que entendemos ter a mais, como querer um emprego melhor, uma casa maior ou um carro diferente do que temos. Se queremos mas não fazemos por isso, nada vamos ter. Só por um qualquer acaso do universo. Mas isso é um fenómeno que ocorre apenas a cada mil de anos.

Agora, se a pessoa não cruzar os braços e se dedicar algum tempo a perceber o que é necessário mudar ou fazer para alcançar o objectivo proposto, aumenta de forma exponencial as hipóteses de ser bem-sucedido. Podem existir tropeções. Momentos em que se duvida do sucesso. Mas a diferença estará sempre no momento em que se desce da “balança”. Basta optar pela condenação ou pela mudança. E a mudança é muito mais fácil do que se julga.

se te lembras disto... #4


“Fight and you may die. Run and you will live at least awhile. And dying in your bed many years from now, would you be willing to trade all the days from this day to that for one chance, just one chance, to come back here as young men and tell our enemies that they may take our lives but they will never take our freedom!”

Se esta imagem e este excerto têm um significado forte e se te fazem querer gritar “liberdade” é porque tens muito bom gosto e porque adoras uma boa história. Daquelas que nunca se esquecem e que nos marcam.

o trânsito das pernas esbeltas

Num destes dias regressava de Lisboa quando me deparei com trânsito pouco comum para o dia e sobretudo para a hora. “Um acidente ou carro avariado”, disse à minha mulher. Mas, na rádio não havia uma única referência ao suposto acidente ou viatura avariada que pensava vir a encontrar. O trânsito foi andando e não havia qualquer sinal de um problema que estivesse a atrasar a normal circulação.

Entrei na ponte e os sinais luminosos estavam todos verdes. Ou seja, nenhuma das faixas de circulação tinha qualquer problema. Mas, mesmo assim o trânsito continuava bastante lento. O que era ainda mais estranho. Até que cheguei ao final da ponte. E encontrei o motivo de todo aquele atraso. Nada mais do que uma jovem. Ou melhor, a culpa daquele trânsito todo era das pernas da referida mulher.

Poucos metros depois do final da ponte lá estava a jovem na berma da estrada. Alta e com uns calções muito curtos, que deixavam a nu a maioria das suas esbeltas pernas. Sorridente, agarrava um pedaço de cartão onde se podia ler: Setúbal, o destino para onde queria uma boleia. Perante este cenário, vou ter de dar razão às mulheres que defendem que os homens não conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo. Porque não conseguiam olhar sem travar. E eram as travagens que estavam a motivar aquele trânsito enorme e injustificado.

Num registo mais sério, é lamentável que alguns condutores arrisquem tanto por causa de umas pernas. Arriscam um acidente - já vi um em que dois condutores se distraíram com uma prostituta de estrada em Monsanto, acabando por bater - em que o preço a pagar pode ser elevado, fazendo com que a brincadeira saia cara. Além disso, do outro lado da estrada estão polícias. Agentes que quase diariamente mandam parar carros pela manhã. Mas nenhum deles soube ir ao outro lado, dizer à jovem que não podia estar a pedir boleia naquele local. Ou ficava na paragem ou ia pedir boleia para outro lado.

PS – No momento em que me aproximei e passei pela jovem, ninguém parou para lhe dar boleia. Em primeiro lugar porque o local quase que impossibilitava isso. Ou a pessoa está na faixa da paragem ou praticamente não tem espaço para encostar. Além disso, o truque da menina esbelta que pede boleia sem bagagem já está gasto. O condutor encosta. Ela diz o destino. Ele diz que sim. E ela chama o grupo que está consigo para entrar no carro. 

29.9.14

elas e os machistas

Num dos momentos em que passei os olhos pela última gala da Casa dos Segredos, assisti a uma conversa entre Teresa Guilherme e quatro intervenientes de um quadrado amoroso. Lá estava o rapaz e ao seu lado, três raparigas com quem se envolveu em simultâneo, se não me engano. Naquele momento todas diziam que ele era machista porque não queria que elas andassem de saltos altos e muito menos maquilhadas. Ele defendeu-se, dizendo, em relação aos saltos que não queria que se magoassem e, no que à maquilhagem diz respeito, que prefere a beleza natural de cada uma.

A conversa prosseguiu. Até que Teresa Guilherme, sorridente e com um brilho nos olhos, assumiu estar a ficar “encantada” pelo rapaz pelas suas ideias machistas. Disse até que gosta de machistas e que elas, sendo novas, não sabiam o que tinham ali ao seu lado. Isto para dizer que elas não sabiam dar-lhe a volta. Algo que a idade acabará por lhes ensinar. Referiu também que adora dar a volta a um machista. Ele diz uma coisa, ela faz outra. E disse isto com um sorriso que denuncia o gosto e o especial encanto que tem ao fazer algo deste género.

A ideia que tenho é que este tipo de encanto, confessado por Teresa Guilherme, é comum a quase todas as pessoas. Sobretudo quando o tema é uma relação amorosa. Existe um encanto ou atracção quase incontrolável por pessoas que estão na extremidade oposta do que defendemos ou acreditamos, sobretudo quando existem pontos que unem essas pessoas, como por exemplo a atracção física, que pode toldar a razão. Excluindo, no caso dos machistas, os casos em que existe violência física ou uma violência psicológica grave. Acredito que uma mulher terá alguma pica em lidar com um homem, a quem acha piada, que tenha um ou outro pormenor “suave” machista. Fazendo, como Teresa Guilherme disse, o oposto do que esse homem entende como correcto. E tirando o máximo prazer desse jogo a dois que nenhum quer perder.

E entendo que o mesmo se aplica em relação a um homem que lide com uma mulher que entenda que o sexo masculino é em tudo inferior ao feminino. Desde que não sejam coisas muito vincadas e excessivamente problemáticas, vai existir sempre uma certa dose de atracção associada a esta diferente forma de encarar o papel do sexo oposto. Algo do estilo: “vou fazer com que mudes de ideias. Vais acabar por me dar razão e não me vais resistir.” E o desejo de levar isto até ao fim pode resultar num jogo de sedução/atracção de que nenhum sai vencedor. Até podem chegar ao fim com o mesmo ponto de vista e zangados. Mas até chegar a este ponto muita coisa acontece. E ambos adoram a viagem.

afinal és um injustiçado

No texto anterior dei a conhecer a história de um homem, de apelido Royce, que está em risco de ser proibido de fazer compras numa qualquer loja Walmart, devido ao seu comportamento, considerado inapropriado. Perante o que li, fui tentar saber um pouco mais sobre os clientes desta cadeia de lojas. Encontrei um site onde estão reunidos alguns dos clientes que passam pelas lojas Walmart. Além de partilhar algumas imagens, só me apraz dizer que o sr. Royce é um injustiçado pois é apenas mais um cliente Walmart.















Quem quiser ver mais pessoas e conhecer histórias de clientes pode visitar este site.

és o meu herói

Um homem, de apelido Royce, foi proibido de efectuar compras numa qualquer loja Walmart.  Aliás, ainda não foi banido. Mas, para que este homem – e respectiva família – possa continuar a efectuar compras naqueles estabelecimentos, não pode voltar a fazer o que tem feito ao longo dos últimos seis meses. E a lista de feitos deste homem está totalmente gravada nas câmaras de vigilância da loja onde costuma ir.

Entre outras coisas, Royce, pegou em 24 caixas de preservativos, que foram distribuídas por carrinhos de outros clientes, em momentos em que não estavam atentos. Na secção dos relógios, colocou os despertadores a tocar com uma diferença de cinco minutos. Fez um caminho, com molho de tomate, até às casas-de-banho. Com uma postura patronal inventava códigos para os funcionários, para perceber qual seria a reacção dos mesmos. Do estilo, “código três no corredor dos materiais de limpeza”.

Além disso, colocava o sinal de “piso molhado” em zonas com carpetes. Montou ainda uma tenda na zona de campismo e convidou outros clientes para a sua tenda, desde que trouxessem almofadas do respectivo corredor. Quando os funcionários perguntavam se necessitava de ajuda, atirava-se para o chão a chorar e a dizer: “porque não me deixam em paz”. Usava as câmaras de vigilância como espelho para tirar macacos. Pegava em armas, no corredor de caça, e perguntava ao empregado onde estavam os antidepressivos.

Mas há mais. Percorria os corredores com um ar desconfiado enquanto trauteava a música da missão impossível. Escondia-se em corredores com roupa e quando os clientes mexiam nessas peças, ele aprecia e gritava: “escolhe-me! Escolhe-me!”. Fechava-se nos provadores e passado algum tempo começava a chamar por alguém, dizendo necessitar de papel higiénico.

Acredito que aos olhos de muitas pessoas, este homem é um verdadeiro atrasado mental. Alguém que não tem mais nada para fazer na vida. Tirando uma ou outra coisa que foi exagerada e que deu mais trabalho aos funcionários, acho que é alguém com um sentido de humor extraordinário e, mais importante, do que isso, alguém que não perdeu nem matou a criança que todos os adultos devem fazer por manter bem viva quando chegam à idade adulta.

Atrevo-me a chamar herói a este homem porque fez-me recordar coisas que fazia quando era mais novo. Fiz a brincadeira dos alarmes diversas vezes. Usava também um daqueles relógios que mudavam os canais das televisões para desligar as televisões nos supermercados. E chegava a cortar o fundo aos sacos da fruta, voltando a colocar os mesmos na zona de onde eram retirados. Ao descobrir a história de Royce, recordei isto tudo e lembrei-me dos momentos partilhados com bons amigos. E descobrir a história de um adulto que faz isto é algo que me enche de alegria. Saber que existem pessoas que não “crescem” e que se recusam a ser alguém sisudo que não participa em brincadeiras é algo que faz o mundo sorrir.

Houve um ou outro caso, como foi aquele com o molho de tomate, em que deu mais trabalho aos empregados. Mas, atrevo-me a dizer em que em cerca de 90% dos casos, os empregados preferem dar de caras com um homem que faz este tipo de brincadeiras – que provavelmente os faz sorrir – do que com aquelas pessoas que vão fazer compras chateadas e que tratam os funcionários abaixo de cão, como alguém que está ali apenas para os servir e satisfazer todos os caprichos e que acabam por dar mais trabalho e dores de cabeça do que este homem.

melhor ainda

“Informamos que já pode levantar o seu telemóvel”, foi o que li numa mensagem que a MEO me enviou. Tendo em conta que já me tinham ligado a perguntar qual era o código de desbloqueio do iPhone, estava confiante de que ia recuperar o meu telemóvel e o respectivo conteúdo. Foi nisso que acreditei. Até que cheguei à loja…

“Enviaram um iPhone novo para si”, disse-me a funcionária. Nesse momento, lamentei pela primeira vez de forma profunda, o conteúdo que tinha perdido. “E passa a ter uma garantia de dois anos a partir desta data”, acrescentou, naquele que foi o primeiro momento de alegria para mim. Passei a ter um telemóvel novo e com garantia por mais dois anos quando a do meu acabava dentro de poucos meses. Algo que serve de consolo para uma eventual avaria no futuro.

Quando cheguei a casa, liguei o telemóvel ao iTunes, na esperança de que existisse um backup. E existia!!! Não perdi contactos. Não perdi muitas mensagens. Não perdi nada do que era essencial, excepto as fotografias dos últimos dois meses e algumas aplicações. Foi aquilo a que se chama um final feliz. Um telemóvel novo, com nova garantia e com poucas coisas perdidas. Entre o que se foi está o Candy Crush. Lá vou eu voltar ao primeiro nível.

28.9.14

às vezes tenho vergonha de ser português… e jornalista

Existem momentos em que sinto uma certa vergonha em ser português e jornalista. E refiro-me a momentos em que desvalorizamos o que é nosso, os feitos dos nossos e o pouco eco dado aos mesmos. E um desses momentos acontece agora, altura em que Portugal acaba se de sagrar Campeão Europeu de Ténis de Mesa, em Portugal, derrotando a selecção alemã, que vencia a prova desde 2007.

Portugal venceu. Os jornalistas/comentadores que seguiram a competição na Sporttv gritavam. Choravam. E deixavam de falar para ir abraçar os jogadores. Nesse momento mudei para todos os canais que estavam a dar notícias. Percorri um a um, na esperança de ler uma pequena nota de rodapé que dê conta deste feito. Porém, nem uma menção. Estava tudo dedicado em exclusivo às eleições do Partido Socialista. Existiam canais que até repetiam a mesma informação nos canais generalistas e informativos.

Não pretendo desvalorizar as eleições do Partido Socialista e aquilo que representam para o futuro político nacional. Nem peço que cortem o discurso de José Seguro para fazer um directo do pavilhão Meo Arena. Mas será que custa assim tanto passar uma pequena notícia em rodapé, dando o merecido destaque ao feito histórico de atletas que lutam em condições desiguais com uma potência como é a selecção alemã? Atletas que deram o máximo para oferecer um título único aos portugueses.

É triste que assim seja. É triste que que estes feitos passem ao lado de tantas pessoas. É triste que muitas pessoas nem venham a saber que somos campeões europeus de ténis de mesa e que vencemos aqueles que nos ganham em tudo e que eram donos deste troféu desde 2007. Parabéns Portugal. Parabéns Pedro Rufino. Parabéns Marcos Freitas. Parabéns Tiago Apolónia. Parabéns João Monteiro. Parabéns Diogo Chen. Parabéns João Geraldo. Orgulho no vosso feito que é muito maior do que o eco que terá. Fizeram história e isso garante-vos a eternidade.

26.9.14

odeio-te!

Foi na redacção que conheci as bolachas de aveia integral, da Zira Cadaval. Provei uma. Comi outra. Pedi mais uma. E mais outra. E só não comi o pacote todo porque não eram minhas. Nesse momento passei a odiar as malditas bolachas e o meu colega que as continua a comprar (e que já me fez comprar para levar para casa) e a trazer para a redacção, deixando o pacote do demo a centímetros de mim. Se existe um bom teste de autocontrolo para mim, é ter estas bolachas à minha frente e tentar não lhes tocar.

As bolachas ficam ali quietinhas. Não incomodam ninguém. Mas esta não é a realidade que os meus olhos observam. Para mim, cada uma daquelas bolachas é uma mulher sensual. Naquele pacote não vejo bolachas. Vejo Charlize Theron, Bar Refaeli, Miranka Kerr, Olivia Wilde e muitas outras.  Que por sua vez têm o seu corpo coberto apenas com uma lingerie sensual. Estão todas a seduzir-me. E aliciam-me a ir ter com elas para uma festa que nunca esquecerei. O que para muitas pessoas é apenas um pacote de bolachas é para mim uma fantasia de gigantesca proporção.

Cedendo à tentação vou provando cada uma destas mulheres, quer dizer, bolachas. Que se vão despindo, quer dizer, desfazendo na minha boca. Este processo repete-se vezes sem conta. Primeiro vem a Charlize. Depois, a Bar Refaeli. E lá vou provando cada uma daquelas mulheres, quer dizer, bolachas. A fantasia é gigante mas dura pouco tempo. Porque não há tempo para preliminares. Nem para admiração. É pegar na mulher, quer dizer, bolacha e comer, fazendo com que fique parecido com o Monstro das Bolachas durante os minutos em que as devoro.

E é por isto que odeio, quer dizer, adoro as bolachas de aveia integral, da Zira Cadaval. Porque são o diabo na boca. São uma tentação irresistível. É impossível comer apenas uma. Ou duas. Ou mesmo três. Para mim, comer estas bolachas significa acabar com o pacote em poucos minutos, sobrando apenas o plástico e o cordão que fecha a embalagem. Como não sou egoísta e como acho que todas as pessoas devem ter o direito de experimentar esta fantasia, partilho o site onde é possível comprar as bolachas - e outros produtos (parece que a compota de limão também é do demo) - e também descobrir as lojas que as comercializam. O risco de provar e devorar pacotes vezes sem conta não é da minha responsabilidade.

já precisámos dela. hoje, precisa ela de nós para se fazer ouvir

Chama-se Alice. É do Seixal. E aos 18 meses perdeu a audição. Já usou próteses auditivas e fez terapia da fala. Alice cresceu e, entre muitas outras coisas, foi atleta de alta competição de taekwondo, tendo representado Portugal (e todos nós) em prestigiadas competições e é licenciada em design.

Em 2007 fez um implante coclear (trata-se de um dispositivo electrónico, parcialmente implantado, que proporciona uma sensação auditiva próxima do fisiológico) que representou uma grande mudança na sua vida. Agora, a Alice deseja fazer um segundo implante. “Em primeiro lugar por motivos de saúde, devido à falta de equilíbrio a nível de marcha e, em segundo, para ouvir melhor em ambientes extremamente ruidosos. Por norma, toda a gente nasceu com dois ouvidos para escutar, e dois olhos para se apoiar na visão, duas pernas para se locomover. Tenho de virar o ouvido implantado para o lado da pessoa que fala, trocando sempre de lugar. Isto é bastante desgastante, fico extremamente cansada e, como tenho uma vida social bastante ativa, necessito de ouvir no ouvido direito, complementando de forma equilibrada os dois”, explica.

Infelizmente, a aquisição e colocação cirúrgica do implante, bem como à substituição do processador da fala (parte externa) do primeiro implante custa cerca de 42 mil euros e não tem comparticipação (só o primeiro implante é que tem). A Alice está a lutar por algo que lhe dará mais qualidade de vida e tem feito várias coisas para angariar o dinheiro de que necessita.

Rumo ao Bilateral – Ouvir o mundo, a vida, é o nome da página criada pela Alice. Existem pequenos gestos que podem fazer toda a diferença na vida de alguém. E não custa nada fazer alguém feliz.

pelos caminhos de portugal #2

A foto de Fonte Boa dos Nabos foi o mote para o nascimento de uma nova rubrica que pretende dar a conhecer algumas terras escondidas no nosso belo Portugal. Isto só faz sentido com a contribuição de quem passa por aqui e passa igualmente por placas que merecem um clique. Foi o que fez a Nina, autora do blogue momentos em cápsulas..., logo com uma contribuição tripla e a quem agradeço mais uma vez.

Cabeçudos (Vila Nova de Famalicão)

Bela e Travagem (Ermesinde, Valongo)

Carro Queimado (Vila Real)

25.9.14

está instalado o bendgate

Não me recordo de um lançamento da Apple que não esteja envolto em polémica. Cada produto novo colocado no mercado pela marca da maçã coloca meio mundo a debater uma qualquer característica. Falam os fãs da marca. Criticam os que a odeiam. E até as marcas concorrentes – e não só – aproveitam para promover os seus produtos numa luta mais ou menos saudável. Em primeiro lugar, este poder não está ao alcance de qualquer marca. Só uma marca de enorme grandeza consegue este feito. E isso prova a dimensão mundial da Apple. Não é qualquer marca que pode afirmar que tem pessoas que gastam uma bela quantia de dinheiro só para destruir os produtos que acabaram de comprar.

Desta vez, e com o lançamento do iPhone 6 Plus deu-se o início daquilo que já é chamado de bendgate. Ao que parece, este modelo dobra com facilidade, sobretudo quando acontece algo que muitas pessoas fazem que é colocar o telemóvel no bolso das calças. E assim o smartphone dobra, algo que não era suposto acontecer. Este deslize tem sido aproveitado pelas marcas para promover os seus produtos e tem motivado algumas piadas. É como nas lojas chinesas, há-de tudo um pouco e para todos os gostos.

Em relação às marcas, destaco o brilhantismo saudável com que a Kit Kat aproveitou o bendgate. No twitter, a marca partilhou uma imagem de uma barra do famoso chocolate (pode ser vista no facebook do blogue). Barra essa que está partida e acompanhada da legenda: “Nós não dobramos. Nós partimos”. Depois, existem diversas pessoas que vão partilhando imagens do seu iPhone dobrado, afirmando que se trata de uma nova característica do aparelho.

Por fim, existem pessoas que usam o bendgate para levantar questões. Umas mais pertinentes do que outras. Destas, destaco uma que é um verdadeiro dilema e que envolve o smartphone e as calças justas, duas das maiores tendências da actualidade. Quem é que irá ganhar este duelo? As calças justas ou o iPhone 6 Plus? Aceitam-se palpites.

PS – Pelos vistos faço parte de uma minoria pois sou das pessoas que não tem de escolher nenhuma das opções. Isto porque raramente coloco o iPhone ou o que quer que seja nos bolsos das calças.

música ou soft porn?

O vídeo da música Anaconda, de Nicki Minaj e o vídeo da música Booty, de Jennifer Lopez, provam que a linha que separa a música do soft porn é cada vez mais imperceptível. Tal como aquilo que separa o que é sexy do que é brejeiro. Não é preciso recuar muito no tempo para encontrar vídeos que conseguem ser sensuais sem cair no fácil – Amazing, dos Aerosmith é um bom exemplo – mas parece que o futuro da música passa apenas pelo rabo que se abana. E esta crescente onda de vídeos deste género deixa no ar uma questão: qual será o limite?

estou feliz

Novidades em breve. Estou feliz!

24.9.14

com que então querem estudos sobre mulheres...

Fiz um texto sobre um estudo que dá conta de que olhar dez minutos por dia para o peito delas é algo que pode prolongar a vida deles em cinco anos. Além de equivaler a trinta minutos de exercício aeróbico. A veracidade deste estudo não foi comprovada mas, nos comentários do texto, várias mulheres revelaram curiosidade em relação a estudos relacionados com mulheres, desafiando-me a partilhar estudos desses.

É um pedido mais do que justo e procurei diversos estudos dedicados ao sexo feminino. Confesso que a lista é extensa e dá para todos os gostos e áreas. Mas não tive tempo para procurar dados mais específicos sobre cada um deles e que comprovem aquilo que defendem. Mesmo assim partilho uma lista diversificada de estudos. Cada frase corresponde ao “título” de um estudo.

A beleza pode destruir a hipótese de uma mulher alcançar uma profissão vista como “masculina”.

Mulheres bonitas demoram mais tempo a arranjar emprego.

As morenas têm melhores ordenados do que as loiras.

As curvas delas causam nos homens o mesmo efeito do álcool e das drogas.

A beleza feminina é uma questão de centímetros. Aqueles que separam os olhos da boca e que separam os olhos das orelhas. Existem medida ideias.

Mulheres “espiritualizadas” fazem sexo com mais frequência.

Milhões de mulheres bebem álcool antes do sexo porque não têm confiança no corpo. 

Elas preferem homens com feições femininas.

40% das mulheres britânicas preferem compras a sexo.

33% das mulheres britânicas já fizeram sexo no local de trabalho.

Quando uma mulher se “abana” em demasia na rua é porque não está no seu período fértil.

As mulheres têm a voz mais sexy durante o período fértil.

É possível determinar a capacidade de uma mulher ter orgasmos pela maneira como anda.

A forma como andam diz se já tiveram orgasmos.

As mulheres baixinhas têm mais orgasmos.

Ficam mais atraentes no período fértil.

Sentem-se mais sexys aos 34 anos.

Mulheres peludas têm mais prazer no sexo.

Elas pensam mais em sexo do que eles.

Devem mostrar 40% do corpo para atrair um homem.

Gostam de ver macacos a fazer sexo.

A beleza delas provoca perda de raciocínio nos homens.

Sexo oral é bom para a saúde e deixa as mulheres mais felizes.

Experimentam 21 mil peças de roupa durante a vida.

Excitadas sentem menos nojo.

Mais mulheres, maior a inteligência do grupo.

As inteligentes têm uma vida sexual mais activa.

O auge da vida sexual chega depois dos 40 anos.

Mas fazem o melhor sexo aos 28 anos.

1/3 das mulheres casava por dinheiro.

Passam, em média, 35 anos da vida com mau-humor por causa do cabelo.

39% das solteiras preferem ficar um ano sem sexo do que sem o prato favorito.

Passam três anos da vida na cozinha.

Uma em cada três fica deprimida depois do sexo.

Só guardam segredos durante 32 minutos.

Sábado é o diz em que mais querem sexo.

Actrizes porno são mais felizes do que as outras mulheres.

As bonitas são mais egoístas.

São mais espertas do que eles a inventar doenças para faltar ao trabalho.

As que moram perto das mães engravidam mais depressa.

Falam mais do que os homens.

Preferem homens sem barba.

70% das mulheres já fingiu um orgasmo.

60% das mulheres sentem-se atraídas por outras mulheres.

As ruivas fazem mais sexo.

Interessam-se mais por homens comprometidos.

Gastam mais tempo do que os homens a cobiçar mulheres.

São menos dramáticas do que eles no futebol.

São mais preguiçosas do que eles.

90% das mulheres entendem que os gemidos altos melhoram a experiência sexual.

não sou pai (mas estes também não deviam ser)


Não sou pai. Mas isso não me impede de analisar determinadas situações. Tal como não me torna menos capaz de avaliar pais em situações que considero, no mínimo, estúpidas. Até porque, infelizmente, existem pessoas que têm filhos mas que deveriam ser impedidos de ter a guarda de uma criança. E os pais que fizeram o que se pode ver na fotografia que partilho não deveriam ser responsáveis por uma criança. 

Este casal arriscou a vida de um bebé de meses apenas e só para ter uma fotografia bonita num penhasco. A criança foi colocada à beira do precipício enquanto a mãe captava o momento para mais tarde recordar. Por sua vez, o pai estava igualmente numa situação de risco existindo ainda mais uma pessoa que está "junto" da criança. Estas pessoas foram alertadas do perigo por quem captou este momento mas nem isso as demoveu da arte da imagem que desejavam.

Felizmente, tudo acabou bem. Mas, o que teria acontecido se o bebé decidisse repentinamente mover-se para a sua direita? Seria o pai, aquela distância que impedia a criança de cair de uma altitude de 610 metros, acabando desfeita no impacto? Duvido. Seria a outra mulher que a salvava? Certamente que não seria a mãe. Quanto muito essa captava aquele que seria o momento mais triste e estúpido da sua vida.

Aceito que se diga que este momento não define estas pessoas enquanto pais. Mas, quem faz isto neste cenário, quem se desleixa tanto e quem arrisca uma vida por tão pouco faz muito pior quando o perigo aparentemente não está por perto. E por isso, pessoas destas não merecem ter filhos. Não merecem ser responsáveis por algo tão valioso e por alguém que não escolheu vir ao mundo.

Estas situações revoltam-me porque existem muitos casais que não conseguem ter filhos e que passam uma eternidade a tentar adoptar uma criança. Depois, existem pessoas que conseguem o que muitos nunca vão ter a oportunidade de experimentar – ser pai de uma criança e ser responsável por uma vida – e deitam tudo a perder por causa da merda de uma fotografia que possivelmente nunca será impressa e que rapidamente será esquecida.

olhar para as mamas delas faz bem à saúde deles

Quando andava na faculdade ensinaram-me que para perceber a qualidade de um estudo deveria informar-se sobre a publicação onde foi divulgado. Como tal, neste caso fiquei a conhecer um pouco melhor o New England Journal of Medicine, uma das mais prestigiadas publicações científicas dedicadas à medicina. 

E isto faz com que olhe com outros olhos para um estudo realizado na Alemanha, e publicado no N Engl J Med que dá conta de que olhar para as mamas de uma mulher dez minutos por dia pode prolongar a vida de um homem até cinco anos. Além disso, esta observação diária equivale a trinta minutos de exercício aeróbico. De acordo com Karen Weatherby, uma das responsáveis do estudo, “não há dúvida de que o hábito de olhar para as mamas deixa os homens mais saudáveis”, garante.

Este facto muda por completo a argumentação das mulheres no momento em que apanham um homem a olhar para o seu peito. Pois poderá ser apenas alguém que pretende viver mais cinco anos e com uma saúde de ferro. Mas isto só é válido até aos dez minutos. A partir daí, o argumento da saúde cai por terra e deixa de ser visto com bons olhos.

os anjos também têm aplicações

Foram os primeiros a criar um site em Portugal. Também inovaram ao ser a primeira banda a gravar a totalidade da banda sonora de uma telenovela. Foram ainda os primeiros a gravar um DVD ao vivo. E agora, os Anjos voltam a inovar ao ser a primeira banda a disponibilizar uma aplicação para os fãs. Mais do que ser amigo do Nelson e do Sérgio Rosado sou um admirador e fã do seu talento e trabalho. Adoro as suas músicas, canto a maior parte delas e é com orgulho que partilho amizade com duas pessoas especiais. Por isso, não podia faltar à apresentação da aplicação – gratuita – que vai aproximar ainda mais os dois cantores da legião de fãs que têm.


Além da discografia, biografia e agenda, a aplicação Anjos tem muitas outras coisas. Reúne as redes sociais dos Anjos bem como as pessoais dos cantores. Disponibiliza ainda fotos e vídeos. Além disto, tem algo que considero extremamente inteligente. Existe uma parte que se chama “eu voto”, que dá a possibilidade aos fãs de escolherem as músicas que os Anjos cantam no momento de regressar ao palco no final de um concerto. Algo que fizeram ontem, na apresentação da aplicação, cantando as cinco músicas mais votadas pelas pessoas presentes.


Os Anjos são um belo exemplo da importância da comunicação, das redes sociais e da proximidade entre pessoas nos dias que correm. E o futuro será cada vez mais comandado por estes ingredientes. E quem os ignorar corre o risco de perder o comboio. Uma das coisas boas destas tecnologias é a proximidade. Por maior que seja a distância entre duas pessoas, ela desaparece graças à aplicações como estas. E o futuro, quer se queira ou não, passa por aqui. E isto não se aplica apenas a artistas que têm legiões de fãs. Isto aplica-se praticamente a todas as pessoas porque a comunicação faz cada vez mais parte da vida de todos. E começa a ser algo que destaca uma pessoa em relação a outra.

23.9.14

verdade ou mito #71

O sexo faz com que as mulheres se sintam mais bonitas. Isto será verdade? Porque o corpo feminino, durante a relação sexual, duplica os níveis de estrogénio, o que faz com que o cabelo fique mais brilhante e a pele mais suave. Ou será mito? Porque faz apenas com que a mulher se sinta bem mas não necessariamente mais bela. Verdade ou mito?

o talento chega?

Quando era mais novo e jogava futebol, cheguei a jogar contra jogadores como Carlos Martins e Ricardo Quaresma, apenas para dar dois exemplos. A lista de adversários que fizeram carreira no futebol tem mais alguns nomes. Uns mais sonantes e outros que, apesar de menos conhecidos, chegaram por exemplo à nossa principal selecção nacional de futebol. Não vou mentir que, em alguns momentos pensei nos motivos pelos quais tinham chegado ao topo e eu não. 

Esta questão é comum a vários amigos da minha geração. Alguns ficam indignados quando pensam nisto. Dizem que os outros não têm talento. Que são mais fracos do que eles. Ou seja, eles têm mais talento do que os outros e eles é que deveriam lá estar, no topo. Assumo que em alguns casos já pensei o mesmo. Por exemplo, quando vejo jogadores que não eram (e continuam a não ser) nada de extraordinário e que já jogaram em diversos campeonatos europeus.

Mas, nos momentos em que penso nisto, coloco também a hipótese de que tenham trabalhado muito mais do que eu para chegar ao topo. Esforçaram-se mais do que eu e do que os outros. Empenharam-se mais do que os restantes. E provavelmente estiveram junto das pessoas certas nos momentos certos. E isso poderá ter feito a diferença em relação aos outros, que até poderiam ser mais talentosos. Se olhar para o passado e para as equipas onde joguei, constato que nenhuma das “estrelas” fez carreira no futebol. Ao contrário de alguns jogadores menos talentosos.

Até agora falei de futebol mas a conversa podia ser sobre outra área qualquer. Porque o talento não resolve tudo. Quantas pessoas talentosas acabam por não ser ninguém numa área onde podiam ser os maiores? E destas, quantas é que nunca lutaram pelo seu lugar ao sol, acreditando que o talento chegava para que alguém fosse bater à porta? Ou porque tiveram medo de arriscar? Ou porque desistiram no primeiro contratempo? E quantas é que desperdiçaram o talento que tinham com más opções? De certeza que todas as pessoas conhecem casos destes.

É certo que se pode discutir o famoso factor c mas acho que isso não explica todos os casos. Sobretudo quando existe a ideia de que ter talento significa que se é melhor do que alguém. E que tudo irá acontecer pelo simples facto de que se é talentoso. Sem trabalho, dedicação e empenho o talento acaba por ser tão bom como ter um saco de areia no meio de um deserto.

diz-me o que ouves, dir-te-ei quem és

Uma das cenas de que mais gostei do filme Num Outro Tom (de que falei neste texto) envolve uma conversa em torno de uma playlist da personagem interpretada por Keira Knightley. E gostei dessa cena em particular por considerar que não se trata de ficção mas da mais pura das realidades. Numa conversa, o personagem de Mark Ruffalo pede para ouvir a playlist da personagem de Keira Knightley e acrescenta que é possível conhecer alguém dessa forma.

Isto não é apenas ficção. É uma grande verdade. As músicas que constam nas playlists (e que muitas vezes não são partilhadas com ninguém por ser algo muito pessoal) reflectem a personalidade e a forma de ser da pessoa. O próprio facto de, em muitos casos, não se querer partilhar a lista de músicas já é um sinal claro de que é algo íntimo que se tenta preservar.

Acredito que se conhece mais de uma pessoa a ouvir a sua playlist do que numa conversa a dois. Até porque, e apenas para dar um exemplo, existe uma relação, e isso está provado, entre a letra das músicas que nos tocam e aquilo que gostaríamos de dizer a alguém. Ouvir detalhadamente a playlist de alguém é viajar por essa pessoa sem que esse alguém consiga controlar o destino da viagem e as respectivas paragens. E isso é algo que nunca acontecerá numa conversa.

quem disse que acabava aqui?

Neste texto dei conta da minha relação com os carrinhos de compras dos hipermercados. Basicamente expliquei que é um desastre pois fico sempre com os piores carros. Por mais que escolha, tenho os piores e aqueles que ninguém quer. Os que andam mal e os que viram sozinhos. Expliquei também que quando me calha um destes e mudo, fico com um ainda pior.

Nos comentários fiquei a saber que não estou sozinho neste mundo dos carrinhos com vontade própria. Até que, num comentário, o(a) H falou de algo que merece mais do que um comentário. Falou no momento em que se escolhe a fila para pagar. E isto merece também um texto. Até porque a minha relação com as caixas nem sempre é melhor do que com os carrinhos.

Se tiver poucas compras escolho aquelas caixas rápidas onde o cliente faz o trabalho todo. É certo que existem dias mais demorados, sobretudo porque algumas pessoas não sabem funcionar com as respectivas caixas. Tirando isso, corre tudo bem e é relativamente rápido. O que é óptimo. O pior é nos dias em que tenho um dos tais carrinhos de compras.

Nesses dias é impossível não me sentir tentado a optar pelas caixas que não têm ninguém – num cenário ideal – ou para aquelas que têm menos gente. Porém, tenho azar nas escolhas. Nas filas onde fico acontece sempre algo. É a fruta que ficou por pesar. É um código que não passa. É um cliente que discute o preço com a funcionária da caixa, dizendo que o que estava marcado era mais barato, entre outras coisas que atrasam tudo.

Neste caso, há muito que adoptei uma postura zen. Antes de qualquer problema mentalizo-me de que a fila irá parar a qualquer momento. E que irá surgir um contratempo. Se nada acontecer, perfeito. Se demorar mais tempo, espero sem stress. Isto porque, tal como fazia com os carrinhos, quando a fila tinha problemas escolhia outra. Que ainda era mais lenta. Por isso, deixei de o fazer.

22.9.14

vou fingir que me interesso e depois sou eu

Existem pessoas que gostam de falar das suas vidas. Quer dizer, que adoram gabar-se das coisas que fazem. E não perdem uma oportunidade para contar o que quer que seja. Porém, muitas destas pessoas não gostam de começar a contar o que quer que seja sem um fio condutor ou sem um empurrão. Para contornar esta situação, recorrem a um pequeno truque.

De modo a captar a atenção de terceiros, estas pessoas fingem estar interessadas no que as outras têm para dizer. Por exemplo, se querem falar das suas férias, começam por perguntar à outra pessoa se já gozou férias. Sendo que esta pergunta é vazia de interesse. Serve apenas para que a pessoa responda sim ou não, para de seguida, e por uma questão de educação, perguntar: e tu?

Este “e tu?” é tudo o que estas pessoas querem ouvir. É o mote para contar tudo e mais alguma coisa. Onde estiveram. Com quem foram. O que fizeram. Quanto pagaram. E por aí fora. Algo que estavam desejosos para contar mas que queriam que fosse perguntado, de modo a maquilhar o desejo desenfreado de partilhar tudo e mais alguma coisa. Criando assim a ilusão de que estão a partilhar algo apenas porque foi questionado pois caso contrário nada diziam.

Nada tenho contra as pessoas que fazem este tipo de conversas. Só acho desnecessário que finjam estar interessados na vida dos outros quando querem apenas contar coisas da sua a essa pessoa. Se querem contar, contam. Sem rodeios. Simples! Até porque, na maioria dos casos, o que recebem em troca é igual. As pessoas não vão estar a ouvir nada. Quando os ouvidos detectam este falso interesse, deixam de ouvir a conversa. Depois surgem os habituais “pois” até que a pessoa se cale.

quem me explica a utilidade disto #41

Existem pastilhas com sabor a bacon. Já foi inventada vodka com sabor a bacon. Até podem ser comprados cupcakes de bacon. Ou mesmo perfume de bacon. E maionese de bacon. E se, na área do sexo, existem preservativos com tiras de bacon desenhadas, porque não elevar o bacon a um outro nível, criando um lubrificante de bacon?

Morango, cereja ou outras frutas? Isso é démodé. O que está a dar é o Wet Boink N´Oink Lube. De acordo com o fabricante, este lubrificante deixa os genitais a saber a bacon. Ainda de acordo com o fabricante, cada pessoa conhece pelo menos outras vinte que vão adorar este produto e que desejam que os parceiros saibam a bacon durante as relações sexuais. Aliás, dizem mesmo que é irresistível. Acrescentam ainda que tem tudo para ser o lubrificante com mais adeptos de sempre. E um frasco de 130 gramas custa menos de nove euros (em promoção).


Adoro bacon. Para mim, a pizza sabe melhor com bacon. Também gosto de bacon nos hambúrgueres. Mas, dispenso que uma mulher cheire/saiba a bacon. Não é algo que me atraia ou deixe louco. É apenas algo que me afasta dessa pessoa. Mas, posso ser uma excepção. Por isso, quem me explica a utilidade disto?

num outro tom

Fui ver Num Outro Tom à espera de encontrar um filme, no mínimo, excelente. E os motivos eram diversificados. Tinha visto o trailer e tinha gostado. Já tinha ouvido, vezes sem conta, a banda sonora e estava (ainda estou) preso nela. Isto ganha mais valor quando o filme desenrola a sua história à volta dessas mesmas músicas. Depois, o elenco conta com Keira Knightley e Mark Ruffalo, um dos meus actores preferidos. A eles junta-se Adam Levine, o vocalista dos Maroon 5, uma das minhas bandas de eleição. Isto, era mais do que suficiente para esperar nada menos do que excelência.

E o melhor que posso dizer deste filme é que entrou directamente para a lista dos meus filmes preferidos. É daqueles que vou querer ter o DVD para rever vezes sem conta. Não é um filme para ganhar estatuetas douradas (excepto no que à música diz respeito) mas isso não lhe belisca o brilhantismo. Em traços gerais, este filme conta a história de um casal de compositores (Keira Knightley e Adam Levine) que tem de lidar com sucesso dele, que se transforma numa rock star. O sucesso cega o também cantor que coloca um ponto final na relação. Numa noite a personagem de Keira Knightley canta uma das suas músicas num bar. No balcão desse bar está um produtor musical que atingiu o seu ponto mais baixo e que está prestes a desistir da vida e que é interpretado por Mark Ruffalo. E que se apaixona pela música que acaba de ouvir.

O produtor convida/desafia a compositora e cantora a gravar um álbum completamente diferente do que é feito. Em linhas gerais, esta é a sinopse do filme. Depois, existem histórias de amor. Encontros. Desencontros. Momentos que andam à volta da relação entre pai e filha. Existem os meandros da indústria musical. E muito mais, contado de uma forma perfeita. Isto tudo com uma banda sonora divinal e com desempenhos muito bons. Destaco Mark Ruffalo que está perfeito no papel de um gigante caído em desgraça. O filme prende quem o vê do início ao fim. Emociona e faz sonhar quem está na cadeira do cinema, sobretudo se for apaixonado pelo mundo da música. Depois, existe um fim dividido em várias partes e aposto que quase todas as pessoas vão ficar surpreendidas com a maior parte desses momentos.

Se visse este filme com dez/doze anos provavelmente quereria ser produtor musical. E esse é outro dos maiores elogios que posso fazer a Num Outro Tom. É certo que tudo o que senti a ver este filme pode passar ao lado de outras pessoas. Essa é a magia do cinema. Cada qual acaba por se relacionar de uma ou outra forma com cada filme. Para mim, este é genial. É um filme excelente. E a cotação do IMD (7,6) é o espelho disso mesmo. Recomendo vivamente a ida ao cinema.


PS dedicado a Keira Knightley
Keira Knightley não é uma das minhas actrizes preferidas. Mas começa a ser uma actriz fetiche para mim. E isto porque está ligada a momentos que me marcam no cinema. Dona de um sorriso mágico e de uma beleza “vulgar”, o que lhe confere muito encanto, mostra que é muito mais do que uma simples actriz neste filme. Aqui, arriscou e aceitou explorar outro lado artístico e tão cedo não irei esquecer as suas músicas. Além disto, Keira Knightley protagoniza uma das minhas cenas preferidas do cinema, que tem lugar no filme O Amor Acontece, que conta com Lúcia Moniz. Cena que não resisto em partilhar.

fresh new start

Existem os que adoram Setembro e o seu final. Há quem odeie este mês. Alguns não se importam com o facto do calor começar a diminuir e com dias mais escuros. Outros detestam tudo isto e desejam que fosse Verão o ano inteiro. Para mim, este mês e o aproximar do seu final equivalem a Janeiro. Nesta altura é como se tivesse início um novo ano para mim. É agora que pego em ideias que estão guardadas na gaveta. É altura de novos projectos. É a época em que a motivação está no topo. É por tudo isto e muito mais que adoro esta altura do ano, a que chamo de fresh new start. Vamos a isso que se faz tarde.

20.9.14

orgulho/vergonha

Existem (pelo menos) dois tipos de pessoas que têm telemóvel. Os primeiros são aqueles que colocam os verdadeiros nomes das pessoas nos contactos. Não optam pelas alcunhas nem por diminuitivos ou nomes fofinhos. Quanto muito colocam uma referência profissional - como o nome da empresa - para distinguir pessoas.

Depois, existem aqueles que optam pelos nomes fofinhos, pelos diminuitivos e pelas alcunhas. As pessoas que têm, por exemplo, Paixão ou Amor no nome do namorado(a) ou marido(mulher). As pessoas que até para o número do trabalho arranjam uma alcunha.

Este último grupo divide-se em dois. Uma parte diz respeito às pessoas que estão bem com a opção tomada. São aquelas que não se importam que os outros vejam os nomes no momento da chamada. Os outros são os envergonhados. Aqueles que voltam o telemóvel para baixo quando toca e que ficam sem saber o que dizer/fazer quando alguém diz algo em relação aos nomes escolhidos.

Sou do segundo grupo. A minha mulher não tem o nome dela nos meus contactos. Até porque, seja onde for (e aqui excluo o contexto profissional) trato-a pelo nome que tenho na agenda do telemóvel. Os meus familiares mais próximos têm igualmente outros nomes que os distinguem. E o mesmo se passa com alguns amigos.

Dentro deste grupo, faço parte dos que têm orgulho nos nomes que aparecem no visor. Como tal, não escondo o telemóvel quando toca nem sequer fico encabulado quando me dizem algo. Se aparecem aqueles nomes é porque os escolhi. E não muda nada em mim o facto de que vejam os nomes.

Infelizmente, ainda existem muitas pessoas que não se sentem à vontade com esta demonstração de sentimentos, principalmente no que diz respeito à pessoa com quem partilham a vida. Sobretudo alguns homens que ficam com a ideia de que perdem masculinidade quando os amigos descobrem que chama, por exemplo Amorzinho (podia ser outro nome qualquer) à mulher ou namorada.

18.9.14

se te lembras disto… #3

Se este vídeo te faz rir e recordar o detective mais castiço da história de Hollywood, é porque passaste bons momentos, que tiveram início em 1988, em frente à televisão. Se ainda sabes de cor algumas das falas deste personagem e se soltas uma gargalhada sempre que as ouves é porque tens um bom sentido de humor.

a agora? há que levantar a cabeça

Por mais problemas que existam no futebol, sobretudo nas equipas portuguesas e até na nossa selecção, tudo se resolve com um simples gesto. Para apagar tudo aquilo que é mal feito basta simplesmente levantar a cabeça. “Há que levantar a cabeça” é provavelmente a frase mais utilizada pelos jogadores de futebol em Portugal. E isto aplica-se aos clubes e também à selecção.

É verdade que é fácil perceber o significado destas palavras. Mas existem muitas outras formas de abordar o tema sem cair no vazio e repetitivo “levantar a cabeça”. Que piora quando é acompanhado de algo do género: “Somos o (nome do clube)”. O futebol é um negócio que movimenta milhões de euros. Os jogadores preocupam-se cada vez mais com a imagem mas ignoram a comunicação. Tal como os clubes.

Tendo em conta o dinheiro que é movimentado no futebol, bastavam uns trocos para que os jogadores aprendessem a lidar com a Imprensa. Que soubessem o que dizer quando o jogo termina e quando as coisas correm mal. Para que não recorram sempre à mesma muleta que já dá vontade de rir. E sempre é melhor esta hipótese do que esta frase virar moda em todas as profissões.

Já me estou a imaginar, numa conversa com o meu chefe, em que se lamenta de um trabalho que deveria ter feito mas que não fiz ou que efectuei de forma errada. Nesse momento, irei dizer: “há que levantar a cabeça” e assim que terminar a frase tudo fica bem. Ou num restaurante em que é servida comida de forma completamente diferente do pedido. Quando o cliente se queixar, o empregado dirá apenas “há que levantar a cabeça” e tudo ficará bem.  

17.9.14

it´s alive e qéq

Estive praticamente uma semana sem telemóvel. Ainda não tenho o meu nem sei o que lhe vai acontecer. Mas hoje foi dia de receber um iPhone de substituição. E, apesar de me sentir bem sem telemóvel, a reacção é esta: it´s alive!


Agora, dou início a uma nova era. Este telemóvel, que me obrigou a solicitar um novo cartão, não tem um único contacto dos meus. Como tal, tem assim início a era do quem é quem? Em vez de tentar adivinhar a cara mistério, tenho de adivinhar o número misterioso. 


casamentos perfeitos

Faltavam alguns minutos para o início do jogo do Benfica quando fui à cozinha buscar tremoços que estavam guardados no frigorífico. Como é costume, depois de os passar por água, temperei os tremoços com um pouco de sal. Depois, sentei-me em frente à televisão, a comer os tremoços enquanto via o jogo.

“Porque é que só comes tremoços a ver futebol?”, perguntou ela.

“Só gosto de comer a ver futebol. É como comer pipocas no cinema ou em casa a ver um filme”, respondi.

E a verdade é que é mesmo assim. Para mim, os tremoços foram “inventados” para acompanhar um jogo de futebol. Parece que só assim é que se consegue apreciar todo o seu sabor. E convém que sejam “regados” por uma (ou mais) cerveja. Aliás, tirar o futebol e a cerveja da equação faz com que os tremoços percam os seus poderes especiais. Parecem uns quaisquer super-heróis junto de algo que lhes retira os poderes que os distinguem.

E o mesmo se passa com as pipocas. Que só me sabem bem numa sala de cinema ou em casa a ver um filme ou uma série de televisão. Se forem comidas noutro cenário, perdem a graça. Não sabem tão bem. E estes são apenas dois exemplos daquilo que considero casamentos perfeitos. Podia falar das bolas de berlim na praia e de muitas outras combinações deliciosas e quase únicas.  

15.9.14

assustadoramente real

Quando Desligados esteve no cinema – em Novembro do ano passado – reparei no cartaz que achei extremamente bem feito. Notei que o actor em destaque no mesmo era Jason Bateman, alguém que admiro devido a diversas prestações em longas-metragens divertidas. Mas isto não chegou para que fosse ver o filme ao cinema. Algo de que me arrependo, agora que o vi.


Desligados é um filme assustadoramente real. Basicamente, é um reflexo da sociedade actual em que as pessoas estão cada vez mais “desligadas” do mundo real, vivendo as suas vidas através das mais diversas redes sociais que chegam a moldar as pessoas de uma forma quase incontrolável. E tudo isto é mostrado através de quatro histórias que se ligam.

Numa delas, os protagonistas são dois jovens que atacam um terceiro através de uma rede social onde se fazem passar por uma rapariga. Este rapaz – a vítima – acaba por se mostrar impotente para lidar com o ciberbullying. Para além disso sente-se ignorado pelo pai que dá mais destaque ao smartphone, do qual nem abdica para jantar, e ao emprego. Por sua vez, um dos agressores é filho de um detective privado que está mais preocupado em resolver crimes cibernéticos de terceiros sem que perceba as coisas que o filho – que se sente sozinho – faz com recurso a um iPad e telemóveis.

Existe ainda um casal que mal comunica devido à morte de um filho. Casal que recorre ao tal detective, especializado em crimes cibernéticos, para tentar resolver um crime de roubo de identidade que levou todas as poupanças de ambos. Isto enquanto tentam salvar a relação, lidando com a morte do filho. Por fim, existe uma jornalista. Que movida por uma boa peça jornalística entra no mundo do sexo virtual, envolvendo-se com um jovem – apenas um no meio de tantos outros - que faz do sexo virtual a sua vida.

Estas histórias estão todas ligadas. Trata-se apenas de um filme. Mas a forma brilhante como está feito faz com que seja assustadoramente real. É também muito forte e pesado, algo que pode fazer com que algumas pessoas não o consigam ver. Além do que já escrevi, a melhor forma de descrever este filme é dizer que faz (pelo menos a mim fez) recordar Colisão/Crash, outro filme brilhante com diversas histórias interligadas.

Ver Desligados acaba por levar a várias questões. De quem é a culpa dos efeitos que as tecnologias têm nas pessoas? Da própria pessoa? Da sociedade? Das redes sociais? E será que não estamos sozinhos, apesar das dezenas ou centenas de amigos nas redes sociais? Estas questões e muitas outras dependem da forma como cada pessoa encara o filme. Tal como o final de cada uma das quatro histórias depende de quem o vê. Quem está a ver o filme tem o raro poder de decidir se é um bom (e feliz) final ou não. Deixo aqui o trailer de um filme fantástico.


PS – Quem tem os canais TV Cine pode aproveitar para ver o filme que deu recentemente. Recomendo e acho que é daqueles filmes que os adolescentes devem ser “obrigados” a ver.

desastre ou destino?

A história da minha relação com os carrinhos de compras, independentemente do hipermercado onde estou, resume-se a uma palavra: desastre. Por norma sou eu quem vai buscar o carrinho de compras. Aproximo-me e deparo-me com cinco ou mais filas de carrinhos de compras. Enquanto caminho observo atentamente cada uma das hipóteses de escolha. E avanço em direcção ao que mais me atrai. Aquele que parece ser perfeito para mais um dia de compras.

Quando me aproximo fico com a sensação de que não podia ter escolhido melhor. Até que solto o carro. E o que me calha em sorte? O pior carro possível. Fico sempre com os que fazem barulho a andar. Com aqueles cujas rodas prendem. Com os carrinhos que viram sozinhos e que parecem só saber andar em círculos. Tenho a sensação de que fico com aqueles que mais ninguém utiliza.

Nas primeiras vezes que isto me aconteceu, voltava a prender o carrinho e escolhia outro diferente, de uma outra fila. Nesta segunda escolha já não era tão selectivo. Era o que estivesse mais perto. E o que acontecia? Ficava sempre com um carro ainda pior do que aquele que já tinha. Se o primeiro fazia barulho, este era uma sinfonia de sons que ninguém deseja ouvir. Se as rodas prendiam, neste não se mexiam. Se viravam sozinhos, estes faziam círculos de menor dimensão.

Devo ser a única pessoa do mundo que tem um íman que atrai os piores carrinhos de compras. Por mais que tente combater isto calha-me sempre o pior carro possível. Como tal, adaptei-me à realidade. Deixei de ver os carrinhos como os piores. Passaram a ser especiais. Foi o destino que nos juntou e já não me queixo. Por isso, quando estiverem às compras e encontrarem alguém com um carro que mais ninguém queria, existe uma grande probabilidade de ser eu.

13.9.14

se houvesse, seria agora

Nunca existe uma boa altura para que se avarie o que quer que seja. Mas, se houvesse um momento perfeito para ficar sem telemóvel seria quando se está de férias. Que é aquilo que me acontece agora pois estou de férias e sem telemóvel. Só falta ir jogar futebol com os amigos que cresceram comigo na rua dos meus pais e ficar à conversa com eles nos bancos pela noite fora para que a viagem ao passado, até aos tempos da adolescência, esteja concluída na perfeição.   

12.9.14

todas as mulheres fazem isto

Numa relação, com o passar do tempo que acarreta uma maior confiança e cumplicidade, começam a surgir determinadas brincadeiras entre o casal. Coisas que inicialmente se tem receio de fazer por temer uma reacção inesperada da pessoa que se ama. Com o avançar do tempo as barreiras vão sendo derrubadas e as tais coisas/brincadeiras começam a surgir. Podia referir uma vasta lista de itens mas opto apenas por um. Aquela brincadeira que, pelo menos é nisso que acredito, todas as mulheres fazem ao namorado ou marido. Caso ainda não tenham feito, desejam fazer. E que provoca sempre uma gargalhada aos homens que são surpreendidos com este movimento repentino da parte delas.


fundamentalismo da alimentação

Ontem, voltei a entrar no consultório da Mariana Abecassis, a nutricionista que me acompanhou na mudança dos meus hábitos alimentares, ensinando-me a comer da melhor forma possível. Podia ser apenas mais uma consulta mas foi diferente. Está no mesmo patamar da primeira vez que lá fui, em Fevereiro deste ano. Porque esta, não tendo sido a última, foi a do objectivo concluído. Aquela em que tive “alta”.

Quando decidi mudar de vida, não sabia o que iria acontecer. Sabia apenas que estava motivado para mudar e que isso era meio caminho andado para o sucesso. Mas não sabia, porque nunca tinha feito nada semelhante, se seria um processo rápido ou lento, fácil ou difícil e se me iria animar ou desanimar. Para trás ficam praticamente vinte quilos. Reduzi a gordura corporal em dez porcento. E durante este processo ainda fortaleci a minha massa magra, que foi descendo mas que teve um aumento - enquanto o peso descia - na fase final da reeducação alimentar.

Ontem falei de muitas coisas com a Mariana, que me perguntou se me sentia bem. Respondi que sim. Que me sentia muito melhor do que no dia em que a conheci e em que descobri que pesava mais do que pensava. Que estava mais desleixado do que julgava. Algo que se transformou numa motivação superior. Pensado no passado, a única explicação que encontro para o meu desleixo é o facto de que nunca me senti com peso a mais. Nunca deixei de fazer as coisas que queria. E talvez tenha sido por isso que a situação chegou onde chegou. E a verdade é que me sinto muito melhor hoje. Porque faço ainda melhor tudo o que fazia. E sinto-me muito mais saudável.

Depois confidenciei à Mariana aquele que considero ter sido o meu grande “truque” durante este processo de mudança. Nunca deixei de comer o que me apetecia comer. Nunca disse nunca aos meus desejos alimentares. Fui sempre assim, ainda sou e irei continuar a ser. Recuso ser fundamentalista. Recuso contar as gramas do que como e escolher todos os meus alimentos com base em determinados parâmetros. Se me apetece um determinado bolo, por exemplo, como. E não entrar numa negação alimentar faz com que não fique doido a desejar comer o que quer que seja. E faz com que não existam desejos loucos todos os dias. E este é o melhor conselho que posso dar a quem pretende fazer o que fiz. Tem de existir uma disciplina alimentar mas não tem de ser levada ao extremo. Porque isso terá um efeito negativo quando a pessoa deixar de ter acompanhamento.

Nunca deixei de estar presente em jantares de amigos nem de beber as minhas cervejas, gins e whiskeys sempre que me apeteceu. Nunca “estraguei” um bom momento com um “não posso comer isto” ou “não posso beber aquilo”. Mas isto não significa que, nesses momentos, tenha comido como se não houvesse amanhã ou que tivesse bebido como se fosse a última garrafa do mundo. Tive a postura de sempre, nos momentos de sempre. E esta postura leva a que a pessoa aprenda a compensar as coisas que faz. Quando abusa num dia compensa, de forma quase automática, noutro. E, do meu ponto de vista, são coisas que se aprendem sem fundamentalismos.

Falámos também da minha idade. A Mariana disse-me que fiz bem em tomar esta decisão com pouco mais de trinta anos pois a situação – desleixo – poderia piorar e quando tivesse cinquenta anos é que decidia fazer o que fiz. Esta decisão levaria-me a perder uns bons anos numa situação em nada benéfica para a saúde. Que é o ponto mais importante de tudo isto. Creio que existe uma ideia generalizada de que perder peso é uma coisa estética. É para o corpo ficar mais bonito. Para comprar roupa num tamanho menor e para exibir o biquíni ou os abdominais na praia. E pensar isto é errado. Porque cada vez mais morrem pessoas com problemas de saúde ligados ao excesso de peso. Cada vez mais as crianças ficam com excesso de peso numa tenra idade. 

E isto não é um problema estético. É um problema de saúde que passa por alterar os hábitos alimentares. E mudar os hábitos alimentares não significa deixar de comer o que quer que seja. Passa por aprender a melhor hora para comer determinado alimento. É certo que existem aquelas pessoas que defendem que morremos todos da mesma maneira. Não importa se somos saudáveis, se fumamos ou se bebemos que nem uns loucos pois o final é igual para todos. E isto é verdade. O final é mesmo igual para todos. Mas, a forma de lá chegar, o tempo que demora a viagem e a qualidade dos momentos em que se parou durante a viagem é completamente diferente entre uma pessoa saudável e outra completamente desleixada.

Com base na minha experiência ao longo destes últimos meses, só posso dizer que mudar de vida é muito mais fácil do que as pessoas pensam. Não são precisos comprimidos nem uma alimentação à base de barras de cereais, maçãs, peixe e legumes. É muito mais simples do que isto e não implica cortar com tudo. Acima de tudo, basta querer mudar.