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31.7.14

aproveitem que já falta pouco

Aproveitem que já falta pouco. Olhando para o relógio, restam apenas quatro horas para o final do dia. Isso quer dizer que daqui a quatro horas chega ao fim o Dia Internacional do Orgasmo. Celebram-se muitas datas mas esta é daquelas que devem ser celebradas e festejadas sem falta. E com intensidade máxima. Só não vale fazer o que estas senhoras fizeram pois isto é batota. É divertido mas é batota. Quem precisar de ajuda musical para este dia, partilho aquelas que são consideradas as dez músicas mais sexys de todos os tempos. Sempre são uma boa banda sonora para o que falta deste dia. De resto, o que acontece no Dia Internacional do Orgasmo, fica no Dia Internacional do Orgasmo.

is this love? (capítulo dezanove)


O coração de Miguel batia como nunca antes tinha batido. Aquele era o momento mais intenso da sua vida. Era a altura em que, pelo menos era nisso que acreditava, ia saber o que se passava com Alexandra e com a filha de ambos. O seu coração batia tanto que parecia querer saltar do peito, rasgando a t-shirt que lhe cobria o tronco. “Doutor, não aguento mais. Diga-me por favor o que se passa”, disse Miguel. “Acompanhe-me por favor. Vamos conversar numa zona mais privada”, respondeu o médico mantendo a postura séria com que se tinha aproximado de Miguel.

Passaram a porta e caminharam mais alguns passos. Não mais de vinte. Como se tratava de uma zona de acesso restrito, o médico entendeu que poderia contar o que se passava a Miguel em pleno corredor, onde a probabilidade de serem incomodados não era grande. “Podemos ficar aqui a conversar que não seremos incomodados. “Ainda não me apresentei. Chamo-me Marco Aurélio e tenho estado a acompanhar a sua mulher”, disse. Miguel deu-lhe um aperto de mão que serviu também para interromper as palavras do médico. “Doutor, diga-me o que se passa que não sei nada”, implorou Miguel.

“Não lhe vou mentir. Foi algo grave o que aconteceu à Alexandra”, começou por dizer. Ao ouvir aquelas palavras, Miguel evitava, a todo o custo, chorar à frente de Marco Aurélio. “A Alexandra tem uma doença que se chama Pré-Eclâmpsia e que se caracteriza pela pressão alta”, explicou o médico. “Como assim?”, questionou Miguel. “Ela fez os exames todos e nunca acusou nada”, acrescentou. “Compreendo a sua indignação mas é algo que não é fácil de detectar e que só se manifesta no segundo ou terceiro trimestre da gravidez”, disse o médico. “Mas a situação fica pior”, prosseguiu Marco Aurélio. “É que a doença da Alexandra avançou para Eclâmpsia, uma patologia muito grave durante a gestação e que provocou a tensão alta e que pode levar à morte da grávida e do bebé”, explicou Marco Aurélio, num momento em que Miguel já não controlava as lágrimas.

“Não percebo doutor. Fizemos os exames todos. Fomos muito cuidadosos com tudo. Não percebo como é que isto foi acontecer”, disse Miguel já lavado em lágrimas. A conversa já se prolongava há alguns minutos. O tempo suficiente para que Miguel tivesse a lucidez necessária para compreender a situação. Analisando as palavras que ia ouvindo, Miguel mentalizou-se de que estava a ser preparado para uma má notícia. Era só nisso que pensava naquele momento. “Já me explicou o que se passou mas continuo sem saber como está a minha mulher. Acredito que todo o cuidado que teve na explicação foi para me preparar para algo que não quero ouvir. Por isso, força. Diga o que tem a dizer”, soltou Miguel, tremendo por todos os lados. “A Alexandra está bem. A sua mulher já está estável mas terá de ser controlada ao longo das próximas horas e terá de permanecer alguns dias no hospital”, pode ficar descansado”, disse Marco Aurélio.

Apesar do alívio, Miguel continuava a chorar. Se a má notícia não era sobre Alexandra, teria de ser sobre Carolina. “E como está a bebé?”, perguntou a medo. “Há pouco não me deixou explicar tudo sobre a doença. A Eclâmpsia resolve-se com o parto. Em alguns casos pode levar à morte da grávida, o que não aconteceu e também do bebé”, explicou Marco Aurélio, sendo prontamente interrompido por Miguel. “Está a querer dizer-me que a minha filha morreu? É isso”, insistiu.

“Não! Estou a querer dizer-lhe, apesar de não parar de me interromper, que já é pai. Que a sua filha já nasceu”, disse Marco Aurélio esboçando o primeiro sorriso da conversa. “Como? Importa-se de repetir?”, pediu Miguel. “Já é pai. A sua filha já nasceu”, voltou a dizer o médico. “Já sou pai”, gritou Miguel. Naquele instante, as lágrimas deram lugar aos sorrisos, acabando por abraçar o médico que devolveu o abraço. “Já sou pai! Já sou pai! Já sou pai!”, gritava vezes sem conta.

“Miguel, lamento interromper a sua alegria mas tenho mais coisas para lhe dizer”, disse Marco Aurélio. “Como lhe disse, a Alexandra terá de ser acompanhada e a sua pressão terá de ser monitorizada durante as próximas 48 horas mas não é tudo. Os bebés que nascem nestas condições têm quatro a cinco vezes mais probabilidade de ter problemas no pós-parto”, alertou. “Mas está tudo bem?”, perguntou Miguel. “Neste momento sim mas temos de dar tempo ao tempo”, disse o médico. “Quer ir ver a sua filha?”, perguntou.

“Claro que sim e garanto-lhe já que a bebé não terá qualquer problema pois tenho a certeza de que tem a força da mãe”, referiu Miguel aparentando toda a força e certeza que as suas palavras demonstravam. Enquanto caminhava ao lado de Marco Aurélio, Miguel era consumido por um pensamento. “Escolhemos Carolina mas esse não será o teu nome. Vais ter outro nome e aposto que a tua mãe vai querer”, era aquilo em que ia pensando enquanto caminhava para o primeiro encontro com a sua filha.

afinal, o que custa mais?

Num destes dias gerou-se uma discussão entre o meu grupo de amigos que frequenta o ginásio. O assunto era sobre a prova desportiva que exige um maior esforço. Ou, por outras palavras, qual era a que mais custava fazer. E as opções eram apenas duas: uma maratona ou uma prova de ciclismo como o tour ou a vuelta. E as opiniões divergiam, nem sempre com argumentos que as sustentassem.

De um lado, e num número menor, os que acreditam que uma maratona é a prova mais exigente a nível físico. Nem que seja apenas porque sim. É mais difícil de fazer, defendem. Do outro lado da barreira, e com mais adeptos, as pessoas que defendem que uma prova de ciclismo, como as duas que referi, é muito mais exigente. Quanto a mim, acho que não existem dúvidas de que a prova de ciclismo é muito mais complicada e exigente.

Porém, considero que é um bastante injusto comparar uma maratona com o tour ou com a vuelta. Em primeiro lugar, e aqui pode existir um termo de comparação, são provas que exigem uma intensa preparação física. Porque não é qualquer pessoa que corre 42,195 quilómetros em poucas horas. Tal como não é qualquer pessoa que pedala mais de três mil quilómetros em cerca de duas semanas. São exigências físicas intensas que só estão à altura de quem se prepara da melhor forma possível para tamanho esforço.

Mas, sendo obrigado a escolher uma destas duas hipóteses, tenho de escolher a prova de ciclismo. É que a maratona dura algumas horas. E acaba ali. A prova de ciclismo obriga a que sejam percorridos bastantes quilómetros diariamente. E isso significa uma exigência muito mais forte do que correr uma maratona. Reforço que defendo que são duas provas que não podem ser comparadas. Mas quando o tema é desporto e quando os protagonistas da conversa são homens... vale tudo! E todos querem ter razão. 

o mês da contagem decrescente

Estamos prestes a entrar num novo mês. E Agosto é aquele que considero o mês da contagem decrescente. Porque é neste mês que tem maior incidência um fenómeno que começa a surgir no final de Julho. Não passa um único dia em que não leia numa qualquer rede social ou ouça alguém dizer “faltam x dias para ir de férias”.

30.7.14

o que farias?

Existem homens que passam a vida a dizer que fariam isto e aquilo se fossem uma mulher. Por sua vez, existem mulheres que também não têm dúvidas em relação aquilo que fariam se fossem um homem. Resumindo, todos sabem o que fazer no lugar dos outros, sobretudo em relação ao sexo oposto. Por isso, aquilo que quero saber é a primeira coisa que fariam se amanhã acordassem e fossem do sexo oposto. E dou o meu exemplo. Se amanhã acordasse mulher, ligava a algumas amigas e combinava uma ida conjunta à casa-de-banho para tentar perceber o que se passa lá dentro e descobrir um dos mistérios da humanidade.

ainda sou do tempo...

As frases que começam por “ainda sou do tempo...” costumam ser proferidas por pessoas que lamentam algo que existiu num passado mais ou menos distante. Em alguns casos estão carregadas de uma forte dose de melancolia. É o caso desta. Que, além da tristeza por algo que se perdeu, carrega igualmente uma boa dose de orgulho. Hoje celebra-se o Dia da Amizade e é com orgulho que digo que ainda sou do tempo em que amigo se escrevia sem aspas.

Não sou nem me considero velho pois tenho apenas 33 anos. Mas, quando o tema é amizade, sinto-me antiquado. Porque, no meu tempo, não existiam aspas, alíneas o ocasiões para os amigos. Era tão simples quanto ser amigo ou não ser. Não existiam amizades baseadas em interesses. Não existia o amigo do futebol, o amigo da escola, o amigo do bar e o amigo que só é amigo se me ligar todos os dias a perguntar se o almoço estava bom.

Diz-se, e bem, que os amigos são a família que escolhemos. O que pode, em alguns casos, representar uma ligação mais forte do que a família de sangue que é imposta e que pode não ter uma grande ligação afectiva connosco. Por isso, para mim, a amizade e este dia, são muito mais especiais do que as dez t-shirts brancas que tenho no roupeiro. Que são todas iguais e que uso quando tenho necessidade e que escondo no fundo do roupeiro quando não me servem para nada.

É também por isso que tenho menos amigos do que t-shirts brancas. Mas, os poucos que tenho não necessitam de aspas. Nem de alíneas. Nem sequer gosto deles apenas quando me dá jeito gostar. E muito menos exijo a sua atenção diária. Os poucos amigos que tenho são aqueles que estão lá quando é preciso estar. Aqueles que me dão (e a quem dou) uma t-shirt quando necessário. São um pequeno grupo de pessoas muito importantes e por quem faço tudo o que for necessário. E é com muito orgulho que digo que ainda sou do tempo em que as amizades eram assim. Coisa rara nos dias que correm.

de quem é o cão?!?

Na pastelaria onde tomo o pequeno-almoço diariamente costuma estar um cão à porta. Trata-se de um cão branco, de porte médio/grande, que está por ali para também ele tomar o pequeno-almoço. Deita-se à porta, olha para os clientes e quando a fome aperta ladra umas quantas vezes. É um daqueles cães que, não sendo de ninguém, é de todos. Porque todas as pessoas gostam dele e o tratam bem, dando-lhe comida e mimos.

Num destes dias fiquei sentado perto da porta. E reparei numa senhora, que estava, em pé, dentro do café praticamente ao lado da minha mesa, e que olhava para o cão com um ar muito sério. Até que olhou para mim, notando que eu estava a olhar para o cão e meteu conversa comigo. “De quem é o cão?!? É seu?”, perguntou com uma certa indignação.

“O cão não é meu. Aliás, não é de ninguém”, respondi. “Não é de ninguém? Como assim?”, disparou ainda mais indignada. Naquele momento achei estranho que não percebesse que era um cão vadio, como tantos outros que, infelizmente vivem nas ruas (do mal o menos, este tem a sorte de ser bem tratado pelas pessoas). Até que chegaram dois homens para entrar no café. E que fizeram o que muitos clientes fazem, que é meter-se com o animal.

Quando o cão estava entretido, a mulher apressou-se a sair do café. Afinal, a sua indignação não era mais do que medo. A senhora estava cheia de medo que o cão lhe fizesse algo no momento em que saísse. Mas foi incapaz de pedir a alguém para desviar o cão da porta. A sua esperança, refugiada no medo, era que o cão tivesse um dono para que pudesse, provavelmente, refilar com o dono (e teria a sua razão) pelo facto do animal estar deitado à porta do café, obstruindo a passagem.

Conheço várias pessoas com medo de cães. Quase todas porque em tempos tiveram episódios menos simpáticos com animais. Quando era mais novo fui a casa de uma amiga da minha irmã, que tinha um doberman. “Podes fazer festinhas que não faz mal”, disse a dona. Porém, quando estava prestes a mexer no cão, ia ficando com a minha mão dentro da sua boca. Mesmo assim, nunca ganhei medo. O meu único receio é quando estou a correr com música nos ouvidos. Porque existem pessoas que deixam os animais andar à solta e já fui “perseguido” por alguns, algo que consegue assustar. Curiosamente, nunca fui perseguido por nenhum cão vadio.

a fama e os outros

Ontem chegou-me à redacção o último álbum de David Bisbal. Poderia ser apenas mais um disco mas é especial. Porque se trata de uma pessoa que recordo de forma diferente. Já tive a oportunidade de estar à conversa com este cantor, cujo talento admiro desde a Operação Triunfo, em duas ocasiões. E um dos benefícios da profissão que escolhi é poder conhecer melhor pessoas com quem provavelmente nunca falaria.

Já perdi conta às pessoas que entrevistei. Mas não perdi conta aquelas que recordo. E esse leque é muito reduzido. Porque existem pessoas que acham que são estrelas mundiais quando, assim que chegam a Badajoz, ninguém sabe quem são. Existem pessoas que têm 2312 imposições para conversar. Existem outras que chegam horas depois da hora marcada para a conversa ou que nem aparecem, sem justificação. Existem aquelas que se acham superiores a quem as entrevista e as que acham que os entrevistadores são burros e que só devem fazer as perguntas que desejam ouvir, tipo pau mandado.

Depois, existem os outros. Aqueles que são realmente famosos. Que são (re)conhecidos em diversos países e que são as pessoas mais normais do mundo. Pessoas sem tiques de fama que falam com os jornalistas como se estivessem a falar com um amigo, quando existe essa confiança que se conquista durante a conversa. E o David Bisbal é uma dessas pessoas. Tratou-me como se me conhecesse há anos. E não existiram tabus na conversa. Deu-me liberdade para abordar todos os temas apesar de uma das conversas ter acontecido numa altura em que a sua separação fazia correr muita tinta em diversos países.

Outro destes exemplos é James Morrison, que tive o privilégio de entrevistar em Barcelona. Artista que vende milhões de álbuns e que não tem um quinto dos tiques de vedeta de algumas pessoas que apareceram cinco minutos a fazer figuração num qualquer programa português. Mais uma vez, todos os temas podiam ser abordados e não era necessária a presença de dez pessoas a ouvir a nossa conversa e a fazer sinais para que não me respondesse a isto e aquilo. Além disso, ainda fez questão de reforçar o convite para estar presente num concerto que ia dar nessa noite num clube de jazz em Barcelona onde só estariam cerca de cinquenta pessoas, uma das experiências que mais destaco dos anos que levo nesta profissão.

Não sou jornalista há muitos anos. Mas, a caminho da primeira década, já percebi que o conceito de fama em Portugal é completamente oposto ao seu verdadeiro significado. E, quem pensa que a tem, não tem e provavelmente nunca terá. Quem a tem, não faz dela bandeira e não recorre a ela para se fazer maior (e mais importante) do que verdadeiramente é.

29.7.14

verdade ou mito #66

Hoje, este espaço entra num registo um pouco diferente. Não terá por base uma ideia (real ou não) que depois é comprovada ou desmentida por profissionais da área. Desta vez, vou lançar duas ideias, uma sobre elas e outra sobre eles, que costumo ouvir, e que pretendo descobrir se são verdade ou mito.

“Os homens são capazes de dizer tudo quando querem levar uma mulher para a cama” e “as mulheres, quando se envolvem casualmente com um homem fazem questão de lhes dizer, mesmo que seja mentira, que é a primeira vez que fazem algo do género”. Isto será verdade? Será que eles dizem o que for necessário, até juras de amor eterno, apenas para terem sexo quando a ideia de amor não vai além daquela relação? E será que elas gostam de passar a ideia, mesmo que falsa, de que nunca tiveram sexo casual com outro homem? Ou será mito? Porque os homens não são capazes de tal coisa e as mulheres não se importam de assumir que gostam de sexo casual? Verdade ou mito?

adoro gordas (sim, refiro-me às mulheres)


Chama-se Robyn Lawley e é australiana. Tem 24 anos, 1,82 metros de altura e pesa 81 quilos. E é manequim. Mas Robyn Lawley não é uma manequim qualquer. A jovem é considerada gorda, sendo uma manequim “plus size”. Numa entrevista, a manequim já lamentou ser sempre excluída dos desfiles de moda, aquilo que mais prazer lhe dá fazer. Considera que ainda se trata de um tabu o motivo pelo qual manequins como ela são excluídas dos desfiles.

Não percebo de moda. Tenho a minha opinião, que não passa disso mesmo. Como tal, não vou estar a falar dos motivos pelos quais Robyn não desfila. Agora, é preocupante quando uma mulher de 1,82 metros de altura e 81 quilos é considerada gorda. Isso é absurdo! Porque esta mulher não é gorda. É uma mulher com um corpo bem feito. E é muito preocupante quando a sociedade, à boleia do mundo da moda que vende a ideia de beleza perfeita, considera que Robyn é gorda.

É por causa de pensamentos destes que se podem ver jovens com medo de comer porque vão ficar gordas. Adolescentes que são ainda mais magras do que esta manequim mas que vivem com o rótulo de gorda a rondar os ouvidos. Levando a que queiram ser cada vez mais magras, mesmo quando já só têm para mostrar pouco mais do que pele e osso. Sobretudo as meninas que sonham com uma carreira no mundo da moda e passam a vida a ouvir que é necessário perder umas gordurinhas aqui e ali. 

A verdade, e só não a vê quem não quiser, é que muitas jovens alimentam-se mal para ficar com um corpo semelhante a este, que pelos vistos é gordo. E se esta mulher é gorda, só me apraz dizer que adoro mulheres gordas, com uma beleza natural e corpos bem feitos. Com isto não quero dizer que sou contra as mulheres consideradas magras. Aquilo que critico é a ideia que de a magreza “extrema” é o padrão de beleza indicado para uma mulher. Porque não é.

Quando partilhei uma foto de Robyn no facebook do blogue, uma pessoa disse que o “adoro gordas” poderia ser apenas pela modelo da foto e que eu não diria o mesmo a outra pessoa que não aquela “gorda”. Não sei se existem homens assim mas quando me apaixono por uma mulher, não me apaixono pela balança nem pela silhueta. Tal como espero que uma mulher não goste de mim por esses mesmo motivos. Uma mulher é muito mais do que o corpo visível aos olhos dos outros. E a consideração de excesso de peso tem de ser algo pessoal, algo que a própria pessoa decide mudar pelos seus motivos e não por uma imposição da sociedade. Já namorei com mulheres que outros poderiam considerar gordas porque não entram nos tais padrões exigidos. Mas isso nunca influenciou as relações em questão. Nem irá influenciar. Por isso, reforço a ideia de que adoro gordas. Mesmo que aos olhos de outros nunca possam desfilar numa qualquer passerelle.

PS – Para quem possa achar que a primeira foto tem muito photoshop, fica aqui mais uma imagem de Robyn, sem maquilhagem ou qualquer tratamento de imagem.

os pais que me abordam

Volta e meia cruzo-me com amigos que já não vejo há algum tempo. Pessoas que foram pais durante o tempo em que não mantivemos contacto. Falamos um pouco. Damos a conhecer o que é feito da nossa vida. Até que, mais cedo ou mais tarde, surge a pergunta habitual: “então e filhos?”, perguntam-me depois de dizerem que já são pais. Respondo que ainda não sou pai. Depois disto, deparo-me com duas reacções.

A primeira, a dos encantados. “Estás à espera do quê?”, perguntam. “Ser pai é o melhor que existe. Muda a tua vida por completo. É algo que dá sentido à vida”, acrescentam com um brilho especial no olhar, característico dos pais e das mães. “Não percas mais tempo. Não penses muito nisso”, dizem-me em sinal de alerta e de aviso.

Depois existem os outros, os assustados. “Fazes bem. Deixa-te andar que isto dá uma trabalheira do caraças. Assim é que estás bem”, dizem, deixando a sensação de que ser pai é algo completamente medonho e uma tarefa que nos suga todas as energias fazendo com que não se consiga fazer mais nada na vida, excepto ser pai. Quase que dão a entender que foi um passo mal dado.

A minha opinião é que o segundo grupo está inserido no primeiro. Simplesmente usam estes argumentos como um desabafo momentâneo e não mais do que isso. Até porque são palavras que chegam a ser proferidas por quem tem mais do que um filho. Por isso, se era algo “mau”, ficavam pelo primeiro para não ter mais trabalho com o segundo. Por mais pessoas que ouça dos assustados, continuo a acreditar mais nos encantados. E isso é algo que não mudará.

mundo louco (des)classificado #1

Existem momentos em que a minha fé na humanidade é restaurada. Por outro lado, existem momentos em que essa mesma fé fica caída e abandonada nas ruas da amargura sem qualquer sinal de que se trata de algo momentâneo. Desses momentos nasceu esta nova rubrica, onde partilho, por exemplo, as coisas a que as pessoas se sujeitam a troco de pouco dinheiro.

“Olá! O meu nome é X e faço aquilo que quiseres por menos dinheiro do que aquele que pagas a quem te faz essas mesmas coisas agora. Partilho uma lista das coisas que faço. Quero deixar claro que faço TUDO, por isso, se aquilo que pretendes não estiver na lista, envia-me um email.

Coisas que faço por cinco dólares:
- Olho fixamente para ti durante cinco minutos.
- Dou um abraço a uma pessoa à tua escolha.
- Telefono-te e pareço genuinamente interessada durante dez minutos.
- Desenho a tua cara num balão.
- Canto o melhor que sei, e de memória, a música One Week dos Barenaked Ladies.
- Faço seis minutos de copywriting.”

Não se trata de uma piada. É um anúncio real de alguém que sabe cantar, de memória, uma música que fará parte do imaginário de muitas pessoas, e que faz tudo por dinheiro. Pessoalmente adoro os cinco minutos a olhar fixamente e o telefonema de dez minutos parecendo genuinamente interessada. Fica a curiosidade em relação ao que faria por mais cinco dólares. 

28.7.14

os tipos de sexo que existem

Afinal, quantos tipos de sexo é que existem? Um? Dois? Três? Vinte e três? Será que existem tipos de sexo que possam ser catalogados de uma forma exacta e igual para todos os amantes? Quem tentou encontrar resposta para isto foi Tammy Bleck, uma famosa blogger, num artigo que escreveu para o The Huffington Post. E, de acordo com a também escritora, existem doze tipos de sexo.

Sexo da primeira vez
Por norma é desajeitado. E isto na melhor das hipóteses. Excepto quando as pessoas são boas comunicadoras, algo que pode garantir um raro resultado positivo no que à satisfação diz respeito. Não são precisas mentiras nem paninhos quentes. Não se atinge o melhor desempenho neste sexo. A ideia da relação em si é mais gratificante do que o acto sexual.

Sexo casual e estúpido
O nome atribuído diz tudo. Se alguém vai ter sexo com alguém que não conhece apenas por diversão, existem muitas chances de que não exista qualquer diversão. Esta é a opinião de Tammy Bleck tem por base o facto de não ser adepta do sexo casual.

Sexo de uma relação nova
Isto acontece quando duas pessoas que se conhecem estão à altura das necessidades um do outro bem como daquilo que é necessário para dar prazer. É a fase em que as mulheres ainda usam cuecas sensuais e depilam as pernas com frequência. Os homens têm cuidado para a barriga não crescer e ainda usam perfumes caros. Parece uma vitória mas pode acabar mal quando, por exemplo, ele descobre que ela é uma vadia ou ela fica a saber que ele é um vadio e que não passa de um idiota presunçoso. Muitas vezes é confundido com sexo verdadeiro e apaixonado mas não anda lá perto.

Sexo verdadeiro e apaixonado
É um sexo épico em que o clímax e os abraços valem o seu peso em ouro. Algo difícil de encontrar mas que merece todo o tempo que se possa perder à sua procura. Este tipo de sexo é aquele que aproxima duas pessoas que têm o desejo de agradar um ao outro não apenas sexualmente e que se esforçam para agradar um ao outro durante todo o dia.

Sexo preguiçoso
Quem nunca teve sexo preguiçoso que atire a segunda pedra que todos já atirámos a primeira. Este sexo acontece quando o épico já existe há algum tempo. É um tipo de sexo que pode colocar em perigo as fundações da relação e que deve ser corrigido sempre que surge. Este tipo de sexo é responsável por 52% das mulheres que se procuram sexo extra-conjugal. É fácil de perceber pois tem lugar quando ninguém se mexe durante o sexo. É do tipo, estamos aqui, vamos despachar isto. Pode ser a sentença de morte de uma relação.

Sexo extra-conjugal
Quente, tórrido e viciante, é a discrição de quem o pratica. De acordo com Tammy, muitas pessoas não têm este tipo de sexo com os parceiros e estão no lado errado da barricada. Por mais tentador e misterioso que possa ser, Tammy considera que isso não chega para que um casamento e uma família sejam postos em causa. É também uma história com um final triste para aqueles casais que acreditam que podem superar a descoberta deste tipo de sexo.

Sexo das pazes
Sincero, carinhoso e quente. Além disso, é desejado pelos dois. Vem acompanhado de conversas românticas e de promessas de nunca mais voltar a magoar a outra pessoa... até à próxima vez. É o tipo de sexo pelo qual vale quase a sempre lutar.

Sexo misericordioso
É o tipo de sexo que já quase todas as pessoas tiveram. Acontece quando alguém se sente obrigado a ter relações sexuais com o parceiro.

Sexo do ninho vazio
É selvagem, barulhento e acontece em todo o lado. Quando as crianças vão para fora, é o que tem logo lugar. Também poderia ter o nome de Sexo para recuperar o tempo perdido sem sexo.

Sexo a sós
É um sexo com muitos tabus mas é provavelmente o sexo mais fácil de todos. A pessoa agrada-se a si mesma e o sucesso, no que ao prazer diz respeito, tem uma receita bastante fácil. De acordo com Tammy, consegue ser melhor do que o sexo casual e estúpido.

Sexo a três
Tammy diz ter questionado quarenta pessoas que referiram não ter qualquer experiência destas para contar. Este sexo é uma espécie de menção honrosa para apelar á criatividade das pessoas. Mais uma vez, revela-se contra dizendo que aquilo que é seu não é para ser partilhado.

Sexo sadomasoquista
A autora não ter qualquer conhecimento deste tipo de sexo mas acha que envolve cabedal, correntes e algemas.

Depois de enunciar os doze tipos de sexo, Tammy Bleck assume que podem ter ficado de fora outros tantos tipos de sexo. Refere ainda que gosta muito de sexo mas que gosta ainda mais de amor. Acho que isso fica evidente quando considera que o sexo casual é estúpido e quando se mostra de mente fechada em relação, por exemplo, sexo a três. Pessoalmente, a apesar de também ser fã do amor, não defendo que o sexo casual tem de ser obrigatoriamente estúpido. Acredito sim, que dá “sempre” lugar a arrependimento, que até pode ser duplo. Também achei piada ao sexo do ninho vazio mas sobre esse só podem opinar as pessoas que têm crianças em casa.

Tal como Tammy, também defendo que muitas pessoas confundem o tipo de sexo que estão a viver, acreditando sempre que é o tal sexo épico a que se refere. Um erro que é induzido pelo prazer que as primeiras relações sexuais provocam nas pessoas levando a que se veja a realidade distorcida. Mas, aquilo que mais destaco é o sexo preguiçoso. Relações longas (e este longo não tem de ser um período de tempo muito extenso) podem facilmente levar ao sexo preguiçoso. E se o casal nada fizer, preferindo fingir que ele não existe, facilmente se chega a uma traição. E a relação nunca voltará ao mesmo, por mais que o casal acredite que é possível recuperar aquilo que se deixou morrer e que levou ao sexo extra-conjugal que acabou por ser descoberto.

De resto, acho que não existem receitas para o sexo. Aquilo que é bom para mim não tem de ser bom para todas as pessoas. Aquilo de que gosto, não tem de ser do agrado de todos. Basta que seja do meu agrado e da pessoa que está comigo, o que nos torna compatíveis sexualmente. Se assim for com cada casal, o sexo será sempre épico. Independentemente de contar, ou não, com a ajuda de algemas, de ter gritos e de ser selvagem. E ainda bem que assim é porque não tinha piada nenhuma se o sexo fosse igual para todos. A nossa parte carnal morria se não existisse mistério em torno do sexo e do que nos atrai sexualmente noutra pessoa.

quem me explica a utilidade disto #36

Se há indústria que “evolui” diariamente, com constantes inovações, é a da beleza. Nomeadamente no que aos produtos para elas diz respeito. Se os diferentes artigos prometerem a eterna juventude sem qualquer esforço, melhor ainda. Foi nesse sentido que foi criada a Kogao!, uma máscara de beleza, feita de nylon, anti-rugas e anti-envelhecimento. Esta máscara tem por objectivo apertar as bochechas e os contornos do rosto das mulheres, conferindo às mulheres um rosto mais alegre mas sobretudo mais jovem.

De acordo com o fabricante é um produto óptimo para usar em casa ou no banho. Recomenda-se o uso diário para que os resultados sejam mais eficientes. Usando a máscara diariamente existe a eventualidade de o rosto ficar mais pequeno. Aliás, é daí, do termo “smaller” que vem o nome do produto. Ainda de acordo com a marca, as clientes podem estranhar o aperto inicial mas cedo se habituam e logo começam a rir sem qualquer receio dos efeitos colaterais de uma boa gargalhada. A Kogao! está disponível em cor-de-rosa e cinzento e custa cerca de 24 euros. Convém que seja utilizada com recurso a óleos de bebé, cremes ou loções para que exista um maior conforto e para que os resultados surjam mais depressa. Não é recomendado para quem tem alergias ou pele sensível.


Sou daquelas pessoas que não acredita em praticamente nada do que é oferecido como sendo uma solução rápida e sem esforço para um qualquer problema. Como tal, olho para a Kagao! e só consigo imaginar 24 euros a desaparecerem da minha conta bancária. Mas, do mal o menos. Com esta máscara, com uns óculos escuros e com uns collants na cabeça sempre dá para brincar aos Power Rangers. Como sou um céptico e como posso estar a ver isto mal, quem me explica a utilidade disto?

quem não for é um cocó mole e vai fazer chichi na cama

Planeta Fluffen é um dos projectos mais talentosos que conheci nos últimos tempos. Em Fevereiro tive o privilégio de assistir a uma actuação deste quarteto musical que poderia muito bem fazer parte do elenco de uma aventura do afamado Quarteto Fantástico. Neste link podem ler o que escrevi sobre a actuação que se destaca por divertidos momentos musicais e ainda por vários solos de stand up comedy. Pois bem, David Cristina, Hugo Marques, Joaquim Cabral e Luís Coelho estão de volta ao teatro Villaret, em Lisboa, e contam novamente com a companhia de Ricardo Carriço neste espectáculo especial. Reforço a ideia de que é especial porque a receita vai ser doada à Confluência, uma associação cultural. O espectáculo será na próxima sexta-feira (1 de Agosto), pelas 21h30 e cada bilhete (podem ser comprados nos locais habituais) custa dez euros. Eu vou lá estar e quem não for é um cocó mole e vai fazer chichi na cama. 

será o pior dia da semana?

Quem treina com frequência concordará que segunda-feira não é o pior dia da semana mas sim o dia seguinte ao treino de pernas. Esse sim, é o pior de todos. Aquele que nos deixa com um andar semelhante ao do Robocop. E esse é o espírito de início desta semana.

26.7.14

top bolas de berlim #1

Verão, calor e praia nada são sem a bela bola de berlim, de preferência com creme. As bolas de berlim (ou berlim balls como já ouvi ser apregoado numa praia algarvia) são o único doce que consigo comer na praia. Aliás, é na praia que as bolas de berlim sabem melhor. Nesse sentido, decidi criar o top das bolas de berlim, referentes ao ano 2014. Só as que comi este ano é que são válidas. Este top é constituído por três bolas e será alterado sempre que necessário, até ao final do Verão.

3º lugar. Pão da Vila, na Venda do Pinheiro.
A única bola que comi que mais parece um cubo de Berlim. Tem um pouco de açúcar a mais mas nada que não se resolva com uma sacudidela. O creme não enjoa e o bolo não sabe a fritos. É daquelas que uma sabe a pouco e merece a viagem à Venda do Pinheiro antes de levar para a praia.

2º lugar. Pão, Café e Companhia, Vila Nova de Milfontes.
As melhores de Vila Nova de Milfontes. Parece que foram feitas para comer na praia. Quando lá estou, tenho de comprar para levar para a praia. Quase que derretem na boca. Já lá comi bastantes e nunca comi uma que estivesse mal confeccionada.

1º lugar. Emílio Preto Rego, Santa Marta, Corroios.
Arrisco-me a dizer que dificilmente saem do top três das melhores bolas de berlim de Portugal. Disponíveis em miniatura, bola ou formato hot dog são de uma qualidade divinal. Parecem uma obra de arte feita pelo mais talentoso artista do mundo. O creme deixa-nos a babar, o açúcar vem na dose certa e uma sabe sempre a pouco. Até agora, estas são as melhores de todas. As chamadas bolas de ouro.

25.7.14

corres, comes e bebes

Existem os convívios “comes e bebes”, dos quais sou fã. Mas estou a pensar organizar um com mais uma variante. Em Maio do ano passado organizei uma corrida na Marginal do Seixal (podem ler aqui o que aconteceu) que contou com alguns amigos. Agora, estou a pensar fazer o mesmo mas, acrescentando um almoço, caso seja da parte da manhã, ou um jantar, caso seja ao final da tarde. Será um convívio “corres, comes e bebes”.

O percurso, totalmente plano, tem uma extensão de aproximadamente oito quilómetros e é sempre junto ao rio. A grande maioria da distância está em perfeitas condições para acolher outros desportos (existe um ginásio de rua), quer seja para andar de bicicleta, de patins ou simplesmente para brincar com crianças (existem espaços verdes) ou até passear o cão. Isto faz com que as pessoas que não queiram correr o percurso todo (ou parte dele) possam optar por outras actividades.

Além disto, que foi o que já fiz, gostava ainda que existisse um almoço ou jantar num restaurante em conta que fica perto do local da corrida. Nesse sentido, pretendo fazer uma espécie de sondagem para perceber se existem pessoas interessadas. Está por aí alguém que queira participar? Aceito também sugestões de datas mas a ideia é que seja num Sábado.

ponto final, um restaurante a nunca mais visitar

Em tempos fui jantar ao Ponto Final. Para quem não conhece, é um restaurante em Cacilhas que fica situado “quase” debaixo da ponte 25 de Abril e que tem como grande atractivo a sua esplanada, situada num pequeno pontão, fazendo com que as pessoas almocem ou jantem com a sensação de que estão na água. Na altura creio que não falei do espaço no blogue mas apenas no instagram. Recordo-me que tinha gostado, sobretudo da localização. Mas também da comida e que não tinha achado o preço caro. Estes factores fizeram com que nem tivesse dado grande importância a algumas falhas (básicas) no atendimento.

Para assinalar os onze anos de namoro, e reforçar o pedido de casamento, quis levar a minha mulher novamente a este restaurante. Mas só o fazia numa condição: ficar com a última mesa do pontão. Que daria a sensação de estarmos sozinhos no restaurante e praticamente dentro de água. Nesse sentido, liguei com vários dias de antecedência para o local. Fiz a reserva e ressalvei que queria aquela mesa específica. Expliquei que era um jantar especial e que tinha de ser naquela mesa. “Ok! Fique descansado. Vou anotar e a mesa fica reservada”, disse-me o funcionário que atendeu o telefone.

A minha mulher estava a par deste desejo. Mas fiz-me de desleixado. Quando me falava da mesa, dizia que estava esquecido e que ainda não tinha ligado. A caminho do restaurante pedi desculpa pelo meu desleixo. Fiz o meu papel e disse que liguei tarde e que a mesa já estava reservada. Menti para que o impacto da desejada mesa fosse ainda maior. E lá fomos para o restaurante, comigo sempre na brincadeira a dizer que a mesa não seria nossa. Até que, depois de uma pequena caminhada, o pontão fica visível. Para meu espanto, não só aquela mesa como todo o pontão estava ocupado. A minha mulher percebeu a minha reacção e acabei por contar a verdade. Disse que tinha a mesa reservada e que não estava a gostar do que via.

Quando chegámos ao restaurante fui recebido por um empregado. “Boa noite! Fiz uma reserva em nome de Bruno”, disse. “Só um momento que vou ver”, respondeu-me, dirigindo-se ao interior do restaurante. “Pois, tinha pedido a última mesa do pontão, não foi?”, referiu. “Sim. E garantiram-me que estava reservada”, respondi. “Pois, mas aqueles senhores estão ali desde as cinco horas da tarde”, disse-me. “Deve querer dizer senhoras porque a mesa só tem duas mulheres”, foi o que lhe disse pois dava sinais de que nem sabia do que estava a falar.

“Estão ali desde as cinco horas a beber e não se levantam. Que quer que lhe faça?”, pergunta-me. Aqui faço um pequeno apontamento. O empregado diz-me que estão a beber na mesa desde as cinco da tarde (eram 20h20). A mesa não tinha nenhum copo. Tinha apenas um cesto de pão e um prato de azeitonas. Ambos imaculados. O que para mim é um sinal de que estavam na mesa há minutos e não há horas. “Não tenho que me meter no vosso trabalho apesar de achar que é desorganizado. Mas se me pergunta o que quer que faça, digo-lhe o que teria feito. Deixava que outros clientes se sentassem às cinco mas deixava claro que tinham de sair da mesa às 20h ou 20h15 porque existia uma reserva. Isto era o que tinha feito e era assim que deveria funcionar”, expliquei.

O empregado encolheu os braços, numa atitude ao estilo de “estou a cagar-me para ti, quero é o meu ordenado ao final do mês. E quero lá saber se és tu que te sentas ali ou se aquelas duas pessoas que já lá estão”. Acrescento também que este empregado não me apresentou uma única solução para minimizar um erro da casa. Não falou de outra mesa. Não me pediu para aguardar um pouco enquanto encontrava solução. Nada! Simplesmente, marimbou-se para a situação. Virei costas e fui-me embora, deixando claro que nunca mais lá voltava.

A minha revolta não está apenas relacionada com o jantar em questão. Tanto que saí dali e fui a um restaurante bem melhor. Sem aquela vista é certo. Mas com um atendimento irrepreensível e com direito a reforço do pedido de casamento. Aquilo que não posso tolerar é o mau atendimento. Aquele empregado não sabe se fiz cinco quilómetros ou se fiz duzentos para ir lá jantar. Sabe apenas que é um jantar especial e que necessita de uma mesa específica, informações que passei e deixei bem claras no antecipado momento da reserva. Tal como não sabe se existia algo mais, que tivesse pago, para dar um encanto ainda maior ao reforço do pedido de casamento. E tudo isto correu mal devido à incompetência de um (ou mais) empregado. Empregado que não se esforçou minimamente para tentar solucionar um problema provocado pelo restaurante e não por mim.

São pormenores destes que fazem a diferença. No nome e reputação de uma casa. Tal como no profissionalismo e carreira de um empregado. E são pormenores destes que fazem com que volte a uma casa ou que tenha a certeza de que nunca mais lá voltarei e que não a recomende a ninguém. E, neste caso, nem que o restaurante seja considerado o melhor do mundo (algo que nunca acontecerá com este mau funcionamento são arrasados pelos clientes mistério) lá voltarei a meter os pés. Do mal, o menos, o nome fica bem a este caso. Pois é mesmo um Ponto Final.

há por aí mais mamilos iguais aos meus?

Há muitos anos que pratico desporto com uma camisola “segunda pele”. Comecei a utiliza-las, no futebol, numa altura em que não eram moda. Existiam apenas em preto e branco e serviam para o frio. Não era como agora que existem cinquenta tecnologias diferentes e cores para todos os gostos. E o principal motivo que me leva a usar estas camisolas, não apenas no futebol mas em todas as actividades desportivas, está relacionado com os meus mamilos.

Tenho aquilo a que chamo mamilos sensíveis. Quando pratico desporto – sobretudo futebol e corrida – sinto um ardor nos mamilos motivado pelo contacto com os diferentes tecidos. Este ardor pode ser mais ou menos intenso, chegando a causar algumas pequenas feridas que provocam um certo desconforto durante os momentos em que pratico desporto. Se tiver uma “segunda pele” isso já não acontece. Se não tiver, acontece na esmagadora maioria dos casos. Não costumo abordar este assunto com muitas pessoas mas, em conversa com amigos, percebi que era algo pouco comum. Pelo menos no meu grupo de amigos.

Como tal, gostaria de saber se existem por aí mais mamilos iguais aos meus ou se sou um caso raro neste domínio. Caso existam, o que fazem perante esta situação? Quais as soluções, além de uma camisola segunda pele. Obrigado.  

23.7.14

já não existem histórias de amor como esta

No dia em que celebro onze anos de namoro os meus pais festejam 43 anos de casamento. Se a este tempo somar os três anos de namoro são 46 anos de vida a dois. E passados estes anos, parecem dois putos que começaram a namorar ontem. Ainda hoje, quando andam na rua vão de mãos dadas. Tal e qual como dois adolescentes. Para mim, e não digo isto por serem os meus pais, trata-se de uma relação que é um exemplo.

A história de amor dos meus pais sobreviveu a muitas coisas. Sobretudo à distância motivada pela guerra. Algo que durou bem mais de um ano, o tempo que o meu pai esteve a cumprir serviço militar, tendo tido a sua vida em perigo em algumas situações. Além disso, são duas pessoas com origens simples que lutaram muito para estar onde estão hoje. Não tinham casa quando casaram, para dar apenas um exemplo. Mas o amor nunca foi colocado em causa. Por maior que fosse o problema.

Por isso é que vejo nos meus pais um exemplo, até na forma como se amam. Hoje em dia ninguém tem paciência para ninguém. Ao mínimo problema cada qual segue a sua vida. Cada qual segue o seu caminho que ninguém está para aturar ninguém. Hoje em dia as relações são como as fraldas. Assim que estão um pouco sujas vão logo para o lixo. Depois arranja-se outra fralda. É o amor descartável. É por isto que já não existem histórias de amor como esta. Infelizmente.

1+1=11 amo.te

Antes de começares a ler o texto, podes ir ao fim do mesmo, de modo a que ouças a música que escolhi enquanto o lês. Mas, sobre o tema já falo mais à frente. Para começar, parecem uns curtos onze segundos. Sabem a pouco mais de onze minutos. Não aparentam mais de onze horas. Têm a mesma intensidade dos primeiros onze dias. O coração bate com mais amor do que às onze semanas. E ainda ontem eram onze meses. Mas a verdade é que és minha, dentro daquilo que o amor deixa alguém ser de alguém, há onze anos. E a verdade é esta. Onze anos ao teu lado sabem a muito pouco.

Podia dizer-te que vivia antes de te conhecer e de te conquistar. É um facto. Ainda foram pouco mais de duas décadas sem saber quem eras apesar de, mesmo em criança, frequentarmos os mesmos espaços em alturas semelhantes do ano e a mais de trezentos quilómetros das nossas casas. Quero acreditar que era o destino a adiantar serviço. Como dizia, existi mais de vinte anos sem ti. Mas, existir é diferente de viver. E viver intensamente e apaixonadamente, só a partir do momento em que o meu coração decidiu que ias ser minha. Não desisti enquanto não provei o sabor dos teus beijos e o teu toque. Depois, experimentei a dor de não te ter. De não seres minha. Experimentei a face menos saborosa, mas igualmente intensa, do amor. E isso fez-me perceber que o meu coração só te queria.

E assim teve início o primeiro capítulo forte da nossa história de amor, que tinha dado os primeiros passos uns meses antes. E hoje assinalam-se onze anos desde esse dia. Desde que te beijei naquele que será sempre o melhor banco de jardim do mundo. E que te levei a casa sem que percebesses se era o início do namoro apesar de eu já estar mais do que preso em ti. E desde então que és a minha vida. Estás presente quando estou feliz e bem. Mas não é isso que destaco, porque isso qualquer pessoa consegue fazer. O que destaco é que, sempre que caio e fico esfolado, estás lá para me dar a mão e ajudar a levantar. Limpas as feridas. Dizes “já passou”. Secas as lágrimas. Abraças-me. Beijas-me. E fazes com que perceba que, por maior que seja a queda, irei ficar sempre em pé pouco tempo depois. E ajudas-me a perceber que por mais negro que seja o dia, o amanhã será sempre melhor.

Desculpa o egoísmo, mas também te amo porque fazes de mim um homem melhor. Fazes-me ser alguém que nunca imaginei ser. Fazes com que o meu coração bata com uma intensidade que nunca julguei possível. Fazes com que te ame como nunca acreditei ser capaz de amar. Dás-me vontade de viver. Resumindo, dás-me vida. É certo que vivi mais de vinte anos sem ti. Rodeado de gente boa, sobretudo da minha família. Mas, contigo descobri um amor que só tu me podes dar. E agora sou viciado em ti. Quero sempre mais. Mais uma dose. E outra. E ainda mais outra. Não vivo sem o teu amor, que me alimenta.

Tenho também que te pedir desculpa. Pois tenho a noção de que nem sempre sou o homem que esperas. Mais do que isso, que mereces. Tenho as minhas falhas. Umas mais graves. Outras sem relevo. Mas espero que acredites que, mesmo nesses momentos, sou movido pelo amor que sinto por ti. E tal como te peço desculpa, agradeço também as falhas que tenho. Pois ajudam a que a nossa vida não seja uma aborrecida linha recta em que tudo corre bem. Não me importo que as coisas corram menos bem em alguns momentos porque isso dá muito mais sabor aos momentos em que tudo está bem.

Já me esquecia da música. Ontem, quando estava a correr enquanto esperava por ti, ouvi esta música. Uma das minhas preferidas. E acho que, de uma forma divertida, define muito bem a essência da nossa relação. Porque a verdade é que existiram momentos menos bons, tal como acontece em todas as relações. Mas, no final do dia, a verdade é só esta: “yes, it's true, (yes it's true) I am happy to be stuck with you”. E quero que assim seja para sempre! Amo.te´nos mais do que tudo na vida e não tenho palavras que se façam justiça ao agradecimento que mereces. Por isso Jimbrinhas, digo-te apenas que não vejo a hora de te agarrar e encher de beijos.



PS - Já que estamos numa de músicas, fica com mais esta. É uma espécie de desejo para hoje. "Turn off the lights and light a candle. Tonight I'm in a romantic mood. Let's take a shower, shower together. I'll wash your body and you'll wash mine. Rub me down in some hot oils, baby. And I'll do the same thing to you. Just turn off the lights, come to me. Girl, I wanna give you a special treat, you're so sweet. Turn off the lights and let's get cozy. See, you're the only one in the world that I need".

22.7.14

podia ser a nazi das sopas

Quem era fã de Seinfeld certamente que se recorda do famoso nazi das sopas. O homem que queria a fila do seu estabelecimento sempre em andamento. Pedia-se, pagava-se e nada mais do que isso. Não havia espaço para pedidos fora do normal nem sequer para elogios. Quem fugisse do normal, arriscava-se a ficar sem sopa por um largo período de tempo. No café onde vou todas as manhãs existe uma mulher que tem tudo para ser a nazi do café. Não há sorrisos para ninguém. Os pedidos não podem fugir do normal. E, em alguns casos, nunca batem certo com o que foi dito acabando por ser o que a nazi do café quis servir. Como tem um ar tão medonho quanto o do personagem de Seinfeld, refilar deixa de ser hipótese ou ainda começa a gritar: “no breakfast for you”. 

21.7.14

se não formos nós, quem será?

Sou da opinião de que devemos ser os primeiros a ter orgulho naquilo que fazemos e naquilo a que nos propomos. Não como uma bandeira que esfregamos na cara dos outros como um puto que diz "toma toma" antes de meter a língua de fora. Mas como algo que faz de nós melhores pessoas, sendo que isso depende dos objectivos de cada um.

Sábado foi dia de almoço de amigos. Cabidela, muito vinho e digestivos à mesa. Pouco tempo depois um jantar a dois. Seguiu-se uma noitada com amigos, regada a gin e shots e acompanhada de boa música. Domingo foi dia da família com caracolada, choco, cerveja e um espectáculo de dança. Em dois dias o descanso foi pouco.

Hoje, entrei de férias. Em vez de ficar a dormir até tarde, às 6h23 saí da cama. Pouco depois das sete seguiram-se 38 minutos de crossfit. Em casa tive tempo para um filme, um almoço em família e um pouco de pes online. Não satisfeito, quis ir correr oito quilómetros, sem saber quantos seriam a andar.

Decidi só olhar para o relógio quando deixasse de correr. E acabei por correr o percurso todo sem parar, em pouco mais de 38 minutos, que passa a ser a minha melhor marca neste circuito. Para algumas pessoas será um mau tempo. Para outras será porreiro. Para mim, é o suficiente para me deixar orgulhoso.

Fiz uma espécie de resumo da comida e bebida do fim-de-semana apenas para mostrar que não é preciso cortar radicalmente com tudo para mudar de vida e ter resultados. Basta ter força de vontade e saber comer e beber. Por fim, haverá quem possa chamar a isto obsessão. Eu prefiro dedicação.

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antigo mas tão bom

Mais depressa me perco de amores por algo antigo do que por algo recente. Não escondo que sinto uma atracção natural por coisas do passado. Muito mais depressa fico preso nessas mesmas coisas do que me entrego a algo recente. Dois exemplos disto são a música e o cinema. Simplesmente adoro filmes com alguns anos e músicas da época em que era um simples bebé ou mesmo anteriores ao meu nascimento. Aliás, se existisse uma máquina do tempo, um dos meus destinos seria uma daquelas festas disco fever dos anos oitenta. Que não devem conseguir ser reproduzidas por nenhuma festa actual, por melhor que seja a tentativa.

Quando estou de férias sozinho, tenho por hábito entregar-me, entre outras coisas, a músicas e filmes do passado. É uma das minhas formas preferidas de passar o tempo. Nesse sentido, hoje entreguei-me ao maravilhoso A Fúria do Último Escuteiro, um dos meus filmes de eleição, do falecido Tony Scott. Este filme é de 1991 mas hoje seria igualmente bom. Para começar, Bruce Willis tem cabelo sem ter um aspecto caricato, algo que acontece em muitos filmes. Depois, dá vida a um dos melhores detectives de sempre. E, para juntar a isto, este filme, que também tem Hale Berry numa curta participação dando vida a uma sensual stripper, conta ainda com algumas das melhores falas da história de Hollywood. “Nobody likes you. Everybody hates you. You're gonna lose. Smile, you fuck”, “Can we do a formal introduction here? Who gives a fuck? You're the bad guy, right? I am the bad guy. And I'm supposed to be trembling with fear, something like that? Something like that. Fine. I'll start trembling in a minute” e “You think you're so fuckin' cool, don't you? You think you're so fuckin' cool. Well just once, I would like to hear you scream, in pain. Play some rap music”, são apenas algumas das brilhantes tiradas do detective Joe Hallenbeck. O filme deu ontem no canal Hollywood e quem ainda não o viu, não sabe o que está a perder.


Quanto à música, descobri recentemente Turn the Music Up!, dos The Players Association. Este tema é de 1979 mas, tal com o filme de Tony Scott, podia ser actual e vai para a minha playlist dedicada à corrida. Seria um sucesso e seria muito melhor do que boa parte da música que se faz hoje. Tal como Fúria do Último Escuteiro é melhor filme do que muitas das produções de hoje. 

oferecido/conquistado

Quando andava no secundário, existia uma expressão muito popular no meu grupo de amigos. “Não gosto de ** oferecido, prefiro ** conquistado”, era algo que se ouvia com frequência. Isto era dito pelos rapazes e também pelas raparigas do meu grupo de amigos. E servia para tudo o que envolvesse algo que poderia ser oferecido ou conquistado. Alguns amigos (rapazes e raparigas) usavam esta expressão para se referir aos relacionamentos. Defendiam que não trocavam o processo da conquista por uma relação que tinha início sem os momentos bons (e também os maus) da conquista.

Olhando para o passado, esta é uma das frases que me tem acompanhado ao longo da vida. Continuo a preferir a conquista à oferta. Fui assim nos empregos que tive. Dispensei sempre cunhas, preferindo conquistar o meu espaço. Fui assim no futebol pois nunca aceitei mudar-me para um clube que me prometia a titularidade e outras coisas. Sou assim nos relacionamentos amorosos. E também sou assim nos restantes aspectos da minha vida pessoal. Prefiro sempre a conquista, dispensando a oferta.

É certo em que há cenários em que a oferta poderá saber bem. Facilita muitas coisas. Evita dores de cabeça e noites mal dormidas. Evita que tenha que se dar a volta ao mundo, se necessário, para encontrar uma solução para algo. Mas, em nenhum momento, o sabor da oferta conseguirá ser mais doce do que o da conquista. Nada sabe melhor do que ter a possibilidade de dizer “consegui isto por mim, é fruto do meu esforço”. Quem só tem ofertas poderá não perceber isto nem o alcance desta frase. Mas sabe mesmo muito melhor.

19.7.14

nunca estamos preparados

Existem coisas para as quais nunca estamos preparados. Por mais que exemplos que tenhamos visto. Por mais conselhos que outras pessoas nos tenham dado. Porque, quando a realidade não é nossa, por mais que queiramos perceber, nunca temos a real noção do que se passa.

Neste momento vivo um desses momentos com a minha mãe. Tinha conhecimento de várias histórias. Tinha recebido conselhos de pessoas especiais que viveram dramas muito piores do que aquele que estou a viver. Isto fez com que tentasse antecipar, da pior maneira possível, uma mudança relacionada com a minha mãe.

Foi aquilo que fiz. Preparei-me para o pior e acabei por encontrar o melhor. Sobretudo pela força que a minha mãe tem. É apenas mais um passo na sua luta e um dos aspectos menos positivos desta etapa são as pessoas que observam, apontam e comentam com uma total ausência de discrição.

O tempo está a avançar. A meta está já ali. E és a carequinha mais bonita e especial do mundo. Dizem que é dos carecas que elas gostam mais. Neste caso, é da careca que eu mais gosto. Amo-te muito carequinha.

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18.7.14

preparação para o que aí vem

Gosto de sextas-feiras como esta. Depois do Mundial de Futebol, está de volta o futebol nacional com o meu Benfica a dar o pontapé inicial nesta época daqui a pouco, às 19 horas no Estádio do Restelo. Durante, ou depois, segue-se um jantar a dois. Amanhã, ao almoço vamos ser dezasseis a devorar uma cabidela de galo, sendo que a comida será o menos importante. O que se destaca é a boa-disposição que fez com que esta reunião de gente boa, que se prolonga durante largas horas, passasse a ser mensal. Domingo, mais um jogo de futebol e a festa da escola de dança que a minha sobrinha frequenta, entre muitos outros programas a dois. Segue-se uma semana de férias. Que vai ser pautada por picos de emoções fortes. Umas muito boas. Outras, aquelas com que é mais difícil de lidar, situam-se no pólo oposto. Sendo impossível fugir delas, resta-me lidar da melhor forma possível, agarrando-me a tudo o que é bom para atenuar o que não é. Vamos a isto, à boleia deste senhor.

uma manhã de sábado (com e sem filhos)

Existem duas maneiras de viver uma manhã de Sábado. E a forma como encaramos este dia pode depender de algo muito simples: a existência ou não de filhos. Encontrei uma comparação que considero divertida e que aqui partilho.

6:00 AM
Sem filhos: Ainda faltam aproximadamente cinco horas para sair da cama.
Com filhos: Hora de levantar. Alguém fez xixi que saiu da fralda e a cama está cheia de urina.

6:30 AM
Sem filhos: Continua a dormir.
Com Filhos: A fralda foi mudada. Tenta-se dormir um pouco mais mas o filho está a gritar nomes dos animais do zoo enquanto dá cambalhotas. É hora de sair da cama.

07:00 AM
Sem filhos: A almofada está muito quente. Volta-se a mesma ao contrário e o sono continua.
Com filhos: Faz-se pequeno-almoço para o filho. Mas hoje ele detesta o que tanto ama nos outros dias. E começa a pedir algo que não se compreende. Como não se compreende, ele vai aumentando o tom de voz.

08h00 AM
Sem filhos: Visões tranquilas dançam na cabeça enquanto o doce abraço de sono aperta o corpo em repouso.
Com filhos: Já se viu o mesmo episódio de uma qualquer série infantil quatro vezes seguidas. Numa das vezes existiu a tentativa de mudar de canal. Mas sem sucesso.

8h30 AM
Sem filhos: Um anjo aparece no quarto. Dá um beijo na testa e diz: dorme bem meu príncipe.
Com filhos: Tenta-se tomar banho. O filho atira o maior número de objectos possível para a banheira. Nem se sabia que existiam tantas coisas em casa que podiam ser atiradas para a banheira.

9h00 AM
Sem filhos: Um pássaro empoleira-se na janela e canta uma maravilhosa canção de embalar. Sopra um beijo e voa para longe.
Com filhos: Sobe as escadas para ir ao quarto mas não repara que o filho fez das escadas um zona para brincar com carros. Pisa um, escorrega e por pouco não existem danos graves motivados pela queda.

9h30 AM
Sem filhos: Parece que vai acordar. Mais uma volta e volta-se a dormir.
Com filhos: Tenta ir à casa-de-banho e tranca a porta. O filho começa aos gritos do lado de fora. Chora porque não deixa que lhe entorne areia no colo. Nesse caso entorna em cima do cão. Era a areia da caixa onde o gato faz as necessidades.

10h00 AM
Sem filhos: Continua a dormir como um cão em frente a uma lareira.
Com filhos: Ouvem-se gargalhadas. Que conseguem ser tão assustadoras como o choro. Corre-se para a sala e vê-se o filho a desenhar, com cola, anjos na carpete. Naquele estado, a devolução não é uma hipótese. 

10h30 AM
Sem filhos: Inclina-se para ver as mensagens no telemóvel. Um amigo quer ir a um brunch. É uma boa ideia e dá para dormir mais trinta minutos. E talvez vá andar de karts depois. Logo se vê.
Com filhos: O filho adormece. Tenta-se ver um episódio da série preferida. Seis minutos depois acorda.

11h00 AM
Sem filhos: Acorda cheio de energia e a sentir-se lindo. Mas é Sábado. É melhor ficar na cama a ver um filme.
Com filhos: Está toda a gente no carro. O destino é o zoo apesar de estarem quase quarenta graus. O filho repete insistentemente um palavrão que ouviu. De todas as palavras que ouviu, repete apenas a pior.

Como não sou pai, só posso falar da parte do sem filhos. E, de certo modo, bate certo. No meu caso, depende do dia, do que tenha para fazer e até dos barulho dos vizinhos pois nem sempre fico na cama até às onze horas, mesmo no fim-de-semana. Mas confesso que troco todas estas horas calmas pelo rebuliço de ter um filho na minha vida.

conceitos que os cafés desconhecem

Existem conceitos que alguns cafés, ou pelo menos os funcionários que neles trabalham, desconhecem. Um deles é o morno. Em muitos cafés, morno significa duas hipóteses: a escaldar ou frio. “Bom dia! Quero uma meia de leite de máquina morna, se faz favor”, é o que costumo pedir. Por norma, depois do pedido, os funcionários dizem que sim, mostrando que compreenderam tudo. Até que recebo a meia de leite que nunca vem morna. Ou está a escaldar ou está fria.

Outro conceito está relacionado com a manteiga. Sobretudo quando se pede uma sandes, por exemplo, com pouca manteiga. Tal como o morno, pouca manteiga é algo que não existe. Num menor número de casos, a manteiga é praticamente inexistente parecendo que foi colocada com um conta-gotas. Noutros, a sua grande maioria, a manteiga consegue ser ainda em maior quantidade (blocos/pedaços que dão para trincar) do que nos pedidos em que não se menciona o desejo de ter pouca manteiga. E estes são apenas dois exemplos.

17.7.14

não quero ser melhor. quero que sejas pior

Hoje escrevi um texto sobre as pessoas que acham que o sucesso dos outros é fácil de reproduzir. Para estas pessoas, nunca existe mérito. Existe tudo e mais alguma coisa. Mérito é que não. E tudo aquilo que existe, do seu ponto de vista, pode ser facilmente imitado e recriado. Só não o fazem porque não têm paciência nem querem. Não porque não saibam ou porque não tenham talento. Simplesmente não querem.

Estas pessoas são as mesmas que, quando vislumbram um carro avaliado em mais de duzentos mil euros a passar por si, dizem imediatamente que o dono do bólide só pode ser traficante de droga. Só isso justifica que tenha uma viatura com que muitos sonham mas que poucos conseguem ter. São as mesmas pessoas que olham para uma mulher com um corpo de sonho ao lado de um homem menos atraente e dizem logo que não passa de uma puta que quer “sacar dinheiro ao gajo”. E são também as mesmas pessoas que quando conhecem uma mulher que é chefe numa qualquer empresa, garantem que se ali chegou é porque teve relações sexuais com quem foi necessário para chegar ao topo.

Para algumas pessoas vivemos numa época de atalhos. As pessoas querem atalhos para tudo e para mais alguma coisa. Não querem esforço nem entrega nem percorrer um caminho longo. Querem atalhos e quanto mais curtos melhor. Por exemplo, querem ser ricos e querem o sucesso dos outros mas não querem ter o trabalho que os outros tiveram para alcançar o sítio onde estão. E como vivem na ânsia de encontrar o atalho que vai mudar as suas vidas com o menor esforço possível, são incapazes de reconhecer mérito nos outros. Depois, quando os atalhos falham e deixam de ser uma hipótese, atinge-se outro patamar.

Que passa por arranjar forma de desvalorizar (e se possível destruir) aquilo que os outros fazem. E as pessoas que se regem pelo que tenho escrito até agora são aquelas que, quando estão num degrau a olhar para outros que estão dez degraus acima, não conseguem pensar numa forma de lá chegar. O objectivo destas pessoas é apenas um. Que passa por encontrar uma forma de fazer com que os outros tropecem e acabem por cair até chegar ao degrau onde estão.

Estas pessoas acreditam que a queda dos outros as irá valorizar. Que irá fazer com que se destaquem. E que sejam melhores O que é falso. Porque vão continuar a ser os frustrados que já eram antes dos tropeções dos outros. E nunca vão sair valorizados das quedas de terceiros. Porque mais depressa os outros voltam a escalar uma dezena de degraus do que estas pessoas sobem um degrau que seja. E é por coisas destas que defendo que a maior crise é de valores. E isso não há troika que a resolva porque não há dinheiro que compre a solução para este problema.