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30.12.14

2014

Os últimos dias do ano servem para balanços e resoluções para os doze meses que estão a caminho. No que a isto diz respeito, não sou excepção. Sobretudo em relação ao que ficou. Gosto de pensar no ano que tive. Naquilo que fiz. Recordo os momentos altos com alegria. Percebo onde errei e quem magoei. E tento não me esquecer daquilo que é menos positivo para que não volte a cometer os mesmos erros.

Quando dou por mim a pensar no que foram os últimos doze meses recordo imediatamente o cancro da mama da minha mãe. Parece que está à minha frente a dizer o que tem. Parece que estou sentado na cadeira do hospital à espera que saia do consultório com o veredicto final daquilo que tem. Sinto-me no hospital a falar com ela na noite anterior à operação e no dia seguinte à espera que a longa operação acabe. Relembro as sessões de quimioterapia e o momento em que rapou o cabelo. Sinto as suas dores e os desabafos a dizer que deseja desistir de tudo pois já não aguenta. Recordo também, mais recentemente, os momentos de alegria e celebração da vida junto daqueles que mais ama. E também a sua gratidão para quem a ajudou ao longo do caminho.

Continuando a viajar por este ano, não me consigo soltar de um problema que julgava terminado mas que voltou para me atormentar. Um problema que virou a minha vida do avesso e que me consegue tirar o sono e deixar a pensar no futuro. Algo que muito me tem preocupado mas que praticamente nunca entrou no blogue e que provavelmente me irá continuar a atormentar no próximo ano sem que consiga perceber quando irá acabar. Pior do que isso, sem que nada possa fazer para que seja resolvido.

É certo que vivi muitas coisas boas ao longo dos últimos doze meses mas estas são aquelas que me passam pela cabeça quando penso num balanço do que foi a minha vida neste ano. E por mais estúpido que isto possa soar, são estas duas coisas que me levam a dizer que vivi um dos melhores anos da minha vida. Porque cresci muito devido a estes dois momentos bastante intensos e negativos. Foram estes momentos que me deram uma maior maturidade. Ensinaram-me coisas que me desconhecia. Mostraram-me o rumo certo. Ao mesmo tempo que me ensinaram a ignorar aquilo que nada acrescenta à minha vida.

E tudo isto são coisas que se aprendem apenas na dor e quando nos julgamos perdidos e sem saber o que fazer. Aprendi a valorizar quem tenho na minha vida. Aprendi que não devo deixar para amanhã aquilo que posso fazer hoje. Porque sei que hoje tenho tempo mas amanhã não sei. Aprendi que não devo deixar um “amo-te” ou “gosto de ti” para dizer mais tarde. Porque o mais tarde pode nunca chegar. Aprendi que não devo deixar de dizer o que sinto porque isso não esgota o sentimento. Torna-o o mais perfeito. Descobri também quem são as pessoas que merecem estar na minha vida. Quem são os verdadeiros amigos. Quem são aqueles que me fazem falta como o ar que respiro e quem são aqueles que servem apenas para que caminhe muito mais devagar.

Percebi também que é preciso muito pouco para ser feliz. Algum dinheiro no bolso, as pessoas certas e os sentimentos verdadeiros vindos de quem amamos são mais valiosos do que bens que muitos julgam essenciais para uma vida de felicidade plena. Percebi que mais do que desejar o que não tenho devo agradecer o que é meu. Devo aproveitar o que é meu em vez de cobiçar algo que poderei nunca ter.

E é por coisas como estas que digo que foi um dos meus melhores anos. Apesar de estar muito feliz por estar perto do fim ao mesmo tempo que desconheço o que aí vem. Sinto-me preparado para os problemas que possa ter. Sinto-me preparado para o que possa acontecer. Sinto que me vou focar naquilo que realmente importa. Sei que não vou perder tempo com o que não importa. Sei que, se cair, me irei levantar rapidamente. E sei que vou viver cada momento com intensidade máxima. E isto tudo rodeado das pessoas que amo e que fazem parte da minha família, onde estão incluídos os amigos. E sei isto por causa do que aprendi em 2014 e que fez de mim um homem melhor. 

12 comentários:

  1. Tenho tanto medo de 2015, levo a vida como sempre levei, tenho uma família linda, uns filhos maravilhosos, um emprego, uma casa que adoro. Tive um 2014 com altos e baixos, mas nunca por um momento pensei deixar de rir, porque o que tenho não me dá esse direito. Adoro rir, adoro falar, ter amigos, juntar à mesa, ajudar quem posso. Sou filha única, tive uma infância giríssima, brinquei na rua, fui mimada qb, e há um mês deram 6 meses de vida ao meu pai, opá, doeu tanto, porque tu sabes, que a vida é isso, tu sabes que é essa a ordem, mas tem me custado a "engolir" tenho medo do 2015. Só isso, mas sei que a vida é feita de surpresas, sei que a vida é isto, um andar para a frente um cair para depois levantar. Vou continuar em frente, a rir, a ser melhor pessoa, e a viver um dia de cada x, porque é assim que tem que ser.
    Adelaide

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    1. A tua energia é contagiante. E quem esteve no jantar percebeu isso. És daqueles pessoas que todos gostam de ter por perto. Este ano ensinou-me a controlar o medo dentro do possível. Ensinou-me a mandar nele e não ele em mim, de modo a que possa aproveitar cada segundo. Como dizes, e muito bem, a vida é mesmo feita de surpresas e espero que tenhas muitas e boas.

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    2. Também espero, e é acordar todos os dias e agradecer o que temos, é por ai. Como se diz pela margem sul, a vida são dois dias e a festa do avante 3.
      Espero em 2015 pelo novo jantar do blog, porque o que levamos desta vida é isso, o que comemos, bebemos e não sua dirty mind, o que gozamos dela. Boas entradas.
      Adelaide

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    3. Gosto desse ditado :)

      Que tenha o ano que mereces :)

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  2. Gostei bastante de ler as tuas palavras.
    Desejo-te um excelente 2015. Que não te traga tudo, mas o essencial.

    Beijinhos

    http://agatadesaltosaltos.blogspot.pt/

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  3. Pelas palavras pareces ser um grande homem! Continua assim.
    Bom ano.
    Beijinhos

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    1. Nem sei que te dizer. Obrigado :)

      E um grande ano, com tudo de bom.

      beijos

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  4. Tiveste um ano bem intenso, espero que 2015 seja ainda melhor.

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