13.8.14

uma volta no carrossel da vida

A Maria das Palavras decidiu dar início a um conto escrito a várias mãos. A primeira parte foi da sua autoria. Depois, desafiou-me a dar continuidade à sua história. Como adoro um bom desafio fui incapaz de recusar. Sobretudo um que me obriga a ter por base algo que não nasceu na minha cabeça, algo que representa um desafio ainda mais aliciante. Dar vida e rumo a algo que não nasceu em mim. Vamos a isso...


“O cesto de rosas não era para mim? Nesse caso porque estava à minha porta? É que não divido a casa com mais ninguém. E só existem dois apartamentos no patamar”, perguntou Camila. “Pior do que não serem para mim é o facto de o senhor se ter enganado na destinatária”, acrescentou no meio de risos tão disparatados como aquela situação.

“Bernardo”, respondeu o homem.
“Quem é o Bernardo?”, questionou Camila.
“Sou eu. Prefiro Bernardo a senhor. Não gosto que me tratem por senhor”, afirmou. 

“Provavelmente não estará interessada na minha história mas não me enganei na destinatária. O problema é que sou um rapaz tímido e tinha receio de ser apanhado a fazer a entrega do cesto. Como tal, paguei dez euros a um miúdo para fazer isso por mim. O problema é que, pelos vistos, o cabrão do puto enganou-se na porta e provocou esta situação. Agora, vejo nos seus olhos e na forma como tem reagido ao meu discurso que pensa ter à sua frente um homem que além de fraco por não ter coragem de entregar um cesto de rosas aparenta ser desesperado. Estou certo na minha análise?”, perguntou.

“Isto é tão confuso que nem tenho tempo para fazer análises. Pelo menos fica a saber que a destinatária não recebeu as rosas nem o bilhete. Por isso não a culpe por não ter aparecido. Tente de novo e boa sorte”, disse Camila, voltando costas e abandonando o local não sem antes deixar o bilhete em cima da mesa. Atónito, Bernardo observa Camila a afastar-se de si. Até que, deu meia volta e começou a andar novamente na sua direcção.

Num movimento brusco, Camila puxou uma cadeira, voltou-a ao contrário e sentou-se com as pernas afastadas. “Eu sei que o bilhete não era para mim. Tal como as rosas. Mas, sabe uma coisa. Hoje é Sábado e saí de casa a pensar que as flores eram para mim. Tal como o bilhete. E, já que aqui estou e como os psicólogos são caros, vou falar. Não preciso que me responda. Nem que ouça. Basta fingir que está interessado. Pode ser que me sinta melhor por desabafar consigo, uma pessoa que não conheço de lado nenhum”, disse Camila. Bernardo engoliu em seco. Nada disse. O máximo que conseguiu foi acenar com a cabeça em sinal de concordância com o desejo de Camila.

“Os últimos tempos da minha vida têm sido uma merda. Casei nova. Passados cinco anos, o casamento chega ao fim. Todas as pessoas tentam adivinhar porquê e cada um dá o seu palpite. Como se isso não bastasse, passei dias e dias a chorar. Agora, pareço uma maluca. Já não choro mas faço uma contagem dos dias em que não o faço. Quando acordo, digo em voz alta que não não choro há x dias, já agora são dez dias sem lágrimas. Não me lembro da última vez que tive um orgasmo e acho que os homens são todos uns cabrões. Basicamente, este é um resumo sincero dos últimos tempos da minha vida. Complicado, não é? Já agora e acho que ainda não tinha dito, chamo-me Camila”, disse.

Bernardo voltou a engolir em seco. “Inicialmente não eram para si mas bem vistas as coisas, merece muito mais as rosas do que a mulher que as deveria ter recebido”, disse.

Agora, deveria passar a continuidade desta história a outra pessoa. E existem muitas pessoas que passam pelo blogue cuja escrita me desperta curiosidade. Mas sinto-me incapaz de destacar uma e de passar uma obrigatoriedade de escrever um texto a alguém. Pode ser uma pressão que essa pessoa não goste. Como tal, o meu desafio é outro. Estão todos convidados a dar continuidade à história. Basta que deixem um comentário a demonstrar o desejo de o fazer ou que enviem um email para homemsemblogue@gmail.com. Quem se atreve?

14 comentários:

  1. Haha! Adoro o nome que deste ao Bernardo e a atitude que emprestaste à Camila!! Ansiosa por ver novos episódios e ver quem se atreve a dar esse passo :)

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    1. Obrigado! Já há autora para a terceira parte :)

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  2. Mesmo correndo o risco do resultado final não ser o desejado... eu atrevo-me!
    Vamos lá a isso!

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    1. A terceira parte será tua :)

      Vamos a isso!

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    2. Já vi o teu email mas ainda não li :)

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    3. No problem!
      Se tudo correr bem e existirem muitos voluntários, no meio da floresta não se vai dar pela árvore mais torta ;)

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  3. Confesso que ao ler o texto pensei que poderia oferecer-me para lhe dar um capitulo...mas como bem disseste, com tanta gente com talento para a escrita...acho melhor deixar isso para quem sabe ;)

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    1. Podes ficar com a quarta parte. Vamos a isso? ;)

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  4. hum... interessante! :)

    já ando a escrever uma.. mas se calhar dou uma tecladazinha para esta também!

    estou curiosa para ver os próximos desenvolvimentos :)

    Beijinhos
    Z.

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    1. Sim! :)

      Só preciso de indicações para saber 'onde pegar' na história para continuar :)

      Beijinhos
      Z.

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