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30.11.13

tu tens mau feitio

Nunca fui pessoa de ligar ao signos. Para mim, valem o que valem. Não escondo que tem alguma piada quando certas características do zodíaco batem certo com determinadas pessoas. Mas não avalio uma pessoa com base no signo.

Quando digo a alguém que sou gémeos, é o fim do mundo. “Ui! És do signo das duas caras”, dizem. “Se és gémeos tens mau feitio”, acrescentam. O que me tem feito perceber ao longo dos tempos que aparentemente sou de um signo assustador. Daqueles de quem todas as pessoas fogem a sete pés.

Pois bem. Isto de que os gémeos são um terror não passa de uma cabala. Existem doze signos. E no top dos signos com mais mau feitio, os gémeos aparecem num honroso décimo lugar. Ou seja, só os sagitarianos e os aquarianos é que têm melhor feitio do que as pessoas do meu signo.

Quando se fala dos signos Touro, Escorpião e Caranguejo a conversa é outra. De acordo com o top, estes é que são os mais temidos de todos. E não os gémeos, que afinal são uns pobres coitados que carregam a má fama do signo.

29.11.13

pensamento da semana #12


O medo do fracasso leva muitas pessoas a desistir da tentativa de lutar pelo que quer que seja. A falta de confiança idem. Quando o medo e a falta de confiança se juntam é mais de meio caminho andado para que muitas boas ideias morram. Para que muitas oportunidades sejam desperdiçadas. Sendo que, em muitos casos, perdem-se momentos únicos. Que não têm direito a um segundo take. E como disse Wayne Gretzky, uma glória do hóquei no gelo, “tu falhas 100% dos remates que não fazes.” E esta é a única certeza que as pessoas têm. Descobrir quantos remates acabam em golo é algo que depende da confiança e coragem para rematar.

mixtape #1

Por norma uma mixtape é uma compilação de músicas escolhidas por alguém. A partir de hoje, este blogue passa a sua própria mixtape. Que ao contrário das originais terá muito mais do que músicas. Será neste espaço que vou dar as minhas sugestões, no que à cultura diz respeito. Confesso que idealizei este espaço a pensar em álbuns e livros. Mas não quero que se fique apenas por essas duas temáticas. Aqui, cabem filmes, espectáculos e muitas outras coisas que queira partilhar. Para estreia escolhi um livro e um álbum. O disco chegou às minhas mãos no início desta semana. O livro conheci ontem. E ambos são viciantes.

Vida e Alma, de Helena Sacadura Cabral
Esta obra, um breviário sentimental, é a primeira que a escritora edita desde a morte do seu filho, Miguel. Para mim, Helena Sacadura Cabral é uma das melhores, senão mesmo a melhor, escritoras portuguesas. Apaixona-me a facilidade com que passa sentimentos para um livro. Aconselho este livro porque é daqueles que podem ser abertos ao calhas pois há sempre algo a aprender em cada página. E porque é um livro que nos faz pensar na vida e nos valores que se têm vindo a perder. “Há hoje uma necessidade grande de reencontrar valores que a maioria de nós julgará perdidos. Não estão. Apenas se encontram adormecidos, porque em determinada altura deixaram de servir o fim a que se destinavam”, é o cartão de visita do livro.


Caríssimas Canções, de Sérgio Godinho
Sérgio Godinho é uma das grandes vozes masculinas portuguesas. Caríssimas Canções é um disco baseado no seu livro de crónicas com o mesmo nome. Este álbum foi gravado ao vivo num espectáculo onde o cantor dá o seu cunho pessoal a canções de outros nomes. No meu caso estou preso nas versões de People Are Strange, dos Doors, Sampa, de Caetano Veloso, Conversa de Botequim, de Chico Buarque e Volver a los 17, de Violeta Parra. Não escolheria estas músicas para correr mas já não passo sem elas no carro.

p.v.p. 12,99 € (CD) / 14,99 € (CD/DVD) preços fnac

Para mim, o blogue faz mais sentido quando existe partilha. Por isso, este espaço também está aberto a quem está desse lado. Quem quiser pode fazer a sua sugestão através do email homemsemblogue@gmail.com. No título escrevam mixtape. Só peço que não passem as cinco linhas no texto de recomendação. A última edição desta rubrica estará sempre disponível na barra lateral.

conversa de sofá

“Na semana em que não estiveste cá tinha frio no sofá”, disse à minha mulher.

“Mas tinha o sofá só para mim”, gracejei.

“Eu estava era bem no calor. Voltava já para lá”, diz-me.

“Voltavas? Aposto que estavas cheia de saudades minhas”, acrescentei.

“Saudades tuas?!? Tenho é saudades do calor de lá”, respondeu-me.

Passaram-se alguns minutos a colocar os episódios de Dexter em dia.

“Posso deitar-me no teu peito?”, pergunta-me.

“Deitar no meu peito? Porquê?”, inquiri.

“Porque há muito tempo que não o faço e tenho saudades”, disse-me.

“Mas não estavas com saudades do calor? Não querias voltar para lá?”, referi apenas para a picar.

“Óhhh.”

agora escrevo eu #20

Pessoalmente, considero que os textos mais sentidos e interessantes, que não têm de ser obrigatoriamente os mais belos, são aqueles que são escritos com o coração nas mãos. Quando a emoção comanda as palavras dá sempre bom resultado. E este texto, da autoria da Sibilla A. é um excelente exemplo do que a emoção consegue fazer a um texto e a uma pessoa.

Volto a recordar que este espaço irá existir enquanto existirem textos para publicar. Peço desculpa às pessoas que já enviaram textos e que ainda não publiquei. Garanto que vão ser todos publicados. Pela ordem que os recebo. Obrigado a todos.

“Quero

...acordar amanhã nos teus braços. Quero olhar em silêncio nos teus olhos uma e outra e outra vez; ...escapar a este martírio de saber que não vou ter notícias tuas.

Quero poder ler-te, saber de ti (lembras quando me dizias que eu era a tua leitura favorita?)

Quero amaldiçoar o dia em que voltei a esbarrar em ti, em que voltei a falar contigo, em que voltei a tocar-te. Em que voltei a dizer em voz alta que te amava...

Quero esquecer-te.

...fazer de conta que foste um sonho, daqueles cujo estado febril me fez puxar-te para junto de mim.

Quero dizer: Tu não existes na minha vida, não há espaço nela para ti.

Quero odiar-te, como me odeio a mim, por ter deixado a felicidade escapar-me das mãos.

Quero arrepender-me de estar arrependida...

Quero ter paz, mas a minha vida é um inferno sem ti.”

28.11.13

quem me explica a utilidade disto #8

Existem alturas em que penso que já nada me surpreende. Até que começo à procura de artigos para esta rubrica. E sou surpreendido em todas as páginas que descubro. Acabei de encontrar o Butt Pirate. E o que é o Butt Pirate? Um desodorizante íntimo para o rabo.

Este produto foi criado a pensar num agradável (e constante) cheiro para o rabo. De acordo com a marca, trata-se do produto ideal para os amantes de sexo anal que assim mantêm o seu rabo a cheirar a baunilha (acho que sabor a morango também é uma opção a ter em conta). A marca chega mesmo a comparar um rabo, depois do produto aplicado, com um delicioso donut.

Além desta finalidade, a marca refere ainda que o Butt Pirate pode ser usado com uma espécie de kit de limpeza pós sexo, removendo quaisquer resíduos de lubrificante. Uma embalagem de Butt Pirate custa menos de cinco euros e encontra-se facilmente online.


A ideia que retenho depois de ler a descrição do Butt Pirate é que a marca entende que toda a gente cheira mal do rabo. E que ninguém se lava antes das relações sexuais. Encontrei este produto como fazendo parte de uma lista de artigos que as pessoas querem ter mas têm vergonha de comprar. Pessoalmente, não consigo encontrar uma utilidade para isto. Talvez apenas para oferecer numa despedida de solteiro(a).

is this love? (capítulo onze)


Miguel e o pai de Alexandra continuavam na varanda. Com os copos de whisky cada vez mais vazios. E com os charutos já apagados e esquecidos no cinzeiro improvisado com um monte de papel prata, bastante útil nestas ocasiões. Na sala, Alexandra continuava a preocupar a mãe com a súbita má disposição. “Filha, queres que te prepare um copo com solução Stago? Pode ser que te sintas melhor”, perguntou. “Deixa estar mãe. Não é preciso. Isto já passa. Deve ter sido do vinho”, respondeu. “Quando o Miguel chegar não lhe digas nada. Sei como ele é e obriga-me logo a ir ao hospital”, acrescentou.

Menos de uma hora depois, Miguel e Alexandra estavam de partida para a casa dela. Sem que a indisposição de Alexandra fosse notada pelo namorado. Que estava excitado com o facto do jantar ter corrido muito melhor do que tinha pensado. “O jantar correu bem, não achas?”, perguntou Miguel enquanto conduzia. “Sim. Mas depois da conversa que tive com os meus pais não esperava outra coisa. Tu é que estavas demasiadamente e desnecessariamente nervoso”, referiu. “E conta lá o que conversaste com o meu pai na varanda”, acrescentou Alexandra. “Conversa de homens”, gracejou Miguel. “Não brinques”, pediu Alexandra. “A sério. Foi mesmo uma conversa séria. O teu pai pediu-me uma coisa que não te irei contar e que irei cumprir se esse dia chegar”, disse.

“Sabes que não gosto que me digas algo que não pretendes desenvolver. Se não me queres chateada contigo é melhor contares tudo”, explicou. “Ok. Se queres mesmo saber, o teu pai pediu-me para afastar de ti se algum dia tiver dúvidas em relação a nós”, revelou Miguel. “Não tinha nada que te dizer isso. Vou chatear-me com ele”. “Não vais nada. Não vais dar a entender que sabes o teor da nossa conversa. E além disso, ele tem razão no que diz e que me pediu. É teu pai e não te quer ver a sofrer, mais do que já sofreste”, referiu.

Minutos depois chegavam a casa. “Vi na programação que vai estrear um filme porreiro hoje. Vamos ver?”, perguntou Miguel. “Estou cansada. Fica tu no sofá que vou deitar-me”, respondeu Alexandra, ocultando do namorado a indisposição que a levava a querer deitar-se. “Está bem. Vou ficar por aqui um pouco. Até já. Amo-te muito”, disse Miguel antes de beijar a namorada. Enquanto via o filme acabou por se deixar dormir no sofá. Quando acordou já o filme tinha terminado. Ensonado e apenas com um olho aberto, foi para a cama. Chegado ao quarto ficou alguns minutos a observar a namorada. Antes de apagar a luz, beijou-a na testa. Depois, aninhou-se ao lado dela até se deixar dormir.

Pela manhã, Miguel acordou mais cedo. Era dia de ir jogar à bola com os amigos. Quando Alexandra acordou tinha um bilhete na almofada. “Esqueci-me de te dizer que era dia de futebol. Não te quis acordar. Tive de ir a casa buscar a roupa do futebol. Depois venho buscar-te para almoçar. Até já. Amo-te muito e já tenho saudades tuas”, era o que estava escrito. “Já não me sinto mal-disposta”, disse para si mesma Alexandra. Porém, sentia os seios doridos. Algo a que não deu muita importância.

Perto da uma da tarde, Miguel ligou a Alexandra. “Desce que estou a chegar. Vamos almoçar”, disse. Quando Alexandra entrou no carro, Miguel começou a falar do jogo. “Joguei muito bem. Marquei vários golos. Podia ter sido jogador de futebol”, brincou sem obter qualquer reacção da parte da namorada. “Que tens?”, perguntou. “Nada. Essa conversa não me interessa para nada”, respondeu bruscamente. “Desculpa. Estou de mau humor”, disse apercebendo-se de que tinha sido injusta.

O mau humor prolongou-se durante o almoço, alternando com poucos momentos de boa-disposição. E fez que quando chegassem a casa cada um fosse para o seu lado. Miguel agarrou-se à Playstation que tinha acabado de trazer da sua casa enquanto Alexandra levou o portátil para o quarto. Enquanto ouvia música na televisão ligou o portátil. Agora, começava a dar mais importância aos sintomas que sentia e que a preocupavam. E como costumava fazer escreveu tudo aquilo que sentia no Google. “Sintomas indisposição variações de humor peito dorido”, foi o que escreveu. Tudo aquilo que tinha escrito apontava para gravidez. Algo que a assustou. “Vou ter de sair. Tenho de ir a casa buscar mais umas coisas. Queres vir?”, gritou Miguel da sala. “Se não precisares de mim fico por aqui”, disse. “Estão fica a descansar. Até já.” Assim que Miguel saiu, Alexandra vestiu-se à pressa. Da janela observou o namorado afastar-se. Saiu de casa. Entrou no carro. E rumou à farmácia do centro comercial. Quando chegou a sua vez pediu, meio envergonhada, um teste de gravidez. Que logo escondeu na mala. Rumando a casa ainda mais depressa para que o namorado não notasse que tinha saído.

Minutos depois Miguel chegava a casa. O resto do dia foi passado com nervosismo. Que Alexandra se esforçava para esconder do namorado. “Será que estou grávida?”, era a única coisa em que pensava. Chegada a noite foram ambos deitar-se. Miguel começou a insinuar-se à namorada. Com as suas mãos a percorrerem o seu corpo por baixo do pijama. Excitada, Alexandra deixou-se levar. Acabando por finalmente esquecer a questão que a apoquentava. Durante largos minutos entregaram-se um ao outro. Acabando por se deixar dormir agarrados.

Na manhã seguinte foi Alexandra que acordou cedo. Prontamente agarrou o teste de gravidez que tinha escondido na sua mesa de cabeceira. Na gaveta da roupa interior. Alexandra cumpriu todos os passos. Seguiram-se os minutos mais longos da sua vida. Pouco tempo depois dois traços era aquilo que via. “Positivo. Estou grávida!”, exclamou. Alexandra encaminhou-se para o quarto. Sentou-se na cama ao lado de Miguel. E começou a chorar. Todavia, eram lágrimas de alegria que escorriam pelo seu rosto. O choro acabou por acordar Miguel. “Porque choras?”, perguntou.

Alexandra não conseguia dizer nada. Chorava e soluçava. Miguel estava cada vez mais nervoso. “Que se passa? Fala comigo. Que tens?”, insistiu. “Estou... grávida”, disse Alexandra. “Estás grávida? Estás a brincar comigo não estás? Estás mesmo grávida?”, perguntou Miguel sem que Alexandra tivesse tempo para responder. Sem dizer qualquer palavra, Alexandra passou o teste de gravidez para a mão do namorado. “Estás mesmo grávida”, disse Miguel. “Não me leves a mal a pergunta mas... é meu?”, perguntou.

a ostentação no meu tempo

Ainda sou do tempo em que a ostentação passava por ter uma borracha branca B20 ou B30 da Rotring, uma lapiseira Rotring Tikky II 0,5, uma caixa de lápis de cor da Faber-Castell e ainda uma mochila Monte Campo e o respectivo mosquetão.

Agora, a ostentação passa pela roupa mais cara do mercado, pelo telemóvel topo de gama comprado com um plano xpto que aparentemente é uma pechincha, pelo tablet que se exibe em cima da mesa do restaurante durante a hora de almoço, pelo carro com a prestação elevada e que consome mais de metade do rendimento mensal em combustível e por tantas outras coisas que alimentam os olhos dos outros.

A diferença é que no meu tempo, quem não tinha a borracha, a lapiseira, a caixa de lápis e a mochila não era colocado de parte. Não era “marginalizado” por quem tinha acesso a todos esses produtos. Nem vivia com a “pressão” de ter de comprar esses artigos para não ser considerado uma pessoa inferior às restantes.

Agora, nota-se uma enorme pressão referente à ostentação. Quem não tem a roupa cara não se sabe vestir nem tem bom gosto. Quem não tem o telemóvel topo de gama vive na idade da pedra. Quem não tem um tablet é info-excluído. Quem não tem um bom carro é porque não tem uma boa vida. Isto leva muitas pessoas a optarem por ter tudo isto apenas por uma questão de imagem que lhes permite estar in. Mesmo que não passe de uma ilusão materializada em objectos sem importância.

dar não dói

Em conversa com a Belle du Jour fiquei a par da edição deste ano da Árvore de Natal da Blogosfera, uma acção de amizade e solidariedade sobre a qual podem saber tudo neste link. Demostrei logo o meu interesse em participar. A minha agenda profissional acabou por motivar um atraso na minha contribuição. Como não contribuí imediatamente, tive a oportunidade de saber os artigos menos doados.

Por um lado descobri que existem muitas pessoas de bom coração e com vontade de ajudar. Fiquei feliz por saber que estão a ser angariados muitos alimentos. Por outro lado, aconteceu algo que já suspeitava. Os animais acabam por ser naturalmente esquecidos por algumas pessoas que se recordam no imediato das pessoas. Como tal, a minha doação vai para os animais.


E é nesse sentido que apelo a quem aqui passa. Como podem ver pela imagem, as doações para os animais não são muitas. Quem puder e quiser contribuir com algo, por mais simples e banal que esse algo possa parecer, entre em contacto comigo ou directamente com a organização desta acção. Quem estiver a pensar contribuir com algo para os animais, não se esqueça dos mais pequenos, que tendem igualmente a ser esquecidos. Obrigado a todos e nunca é demais recordar que dar não dói nada e que aquilo que pode parecer muito pouco - como uma simples lata de ração húmida que nem chega aos cinquenta cêntimos - é na realidade muito para quem recebe.

27.11.13

verdade ou mito #40

Existem casais que têm uma agenda dedicada ao sexo. Ou seja, recorrem ao calendário para planear o dia em que têm relações sexuais. Existem pessoas a favor deste método. Existem outras que são contra. Será verdade que planear o sexo é uma má ideia? Porque sexo planeado nunca poderá ser tão bom como o espontâneo. Ou será mito? Porque planear relações sexuais e a antecipação da mesma podem levar a que se deseje ainda mais o(a) parceiro(a)? Verdade ou mito?

conhecia o lobo mau. descobri o lobo bom

Ontem, na minha viagem até ao Porto, cruzei-me com uma publicidade que dizia apenas isto: “Ferramentas com o espírito do lobo. Bom.” Esta frase era acompanhada de uma imagem onde uma mulher misturava a sensualidade das roupas à Capuchinho Vermelho com ferramentas da Central Lobão. Como tudo isto aconteceu numa fracção de segundos, sem tempo para grandes análises, restou-me memorizar o slogan para procurar mais informações.

Além da publicidade que tinha visto, encontrei mais duas e ainda o making of do catálogo da marca lusitana. Já conhecia o lobo mau e a sua história. Agora, conheço o lobo bom. E quando precisar de comprar ferramentas irei sempre lembrar-me da Vito, da Central Lobão e do Capuchinho Vermelho.




sinto-me muito melhor assim

Há muito que andava para jantar com o meu melhor amigo. Nuns dias dava para mim. Noutros para ele. Mas era complicado combinar agendas, horas de trabalho e filha (no caso dele) de modo a que se pudessem aproveitar algumas horas sem pensar em muita coisa. Algo que há mais de dez anos fazíamos com alguma frequência. No mínimo havia um jantar por semana, quase sempre chinês e quase sempre regado com uma garrafa de Grandjó.

Nos últimos dias conseguimos recuperar dois momentos desses. Num deles aproveitei para dizer algo que queria dizer há muito tempo. “Sabes que te considero o meu melhor amigo. Já conheci muitas pessoas mas és o único grande amigo que tenho. É contigo que falo de tudo. É contigo que desabafo. E nada disto muda mesmo estando mais afastado de ti”, comecei por dizer. Naquela que foi a minha introdução para assumir que não tenho sido o amigo que ele merece que seja.

Depois disto falei sobre tudo. Disse que entendia ser natural o nosso afastamento. Até porque ambos demos início a relações na mesma altura e que ainda se mantêm nos dias que correm. Entendi o nosso afastamento como algo natural. Com a presença de outras pessoas nas nossas vidas é natural que existam menos momentos para nós dois. E que seja mais complicado conciliar a agenda de quatro pessoas. Por mais que se tente. Por mais que se queira. E foi isso que expliquei. Pedi desculpa por não ter sido um amigo muito presente. Como ele merece que seja. Sobretudo desde o nascimento da sua filha.

Aproveitei o diálogo para deixar bem claro que nada mudava o facto de ser o meu melhor amigo. De ser a pessoa em quem vou pensar para padrinho no dia em que me casar. E de provavelmente ser a pessoa em quem vou pensar para padrinho no dia em que for pai.

O meu amigo, pessoa que opta por não mostrar as suas emoções, limitou-se a olhar para mim com uma cara que vale mais do que mil palavras. A cara que diz “nunca te cobrei nada.” A cara que diz “sinto o mesmo que tu.” E a cara que mostra que não são necessárias justificações entre duas pessoas que são próximas. Além disto limitou-se a falar em empatia. Que existe ou não. E que não se força.

Aquele momento, que me fez sentir muito melhor, reforçou ainda mais a ideia de que aquela pessoa será sempre especial para mim. Será sempre o meu melhor amigo. Aconteça o que acontecer. E, para mim, ser amigo passa também pela ausência. Porque considero que a proximidade não é sinónimo de que se gosta mais. Nem de maior interesse. Ser amigo é saber assumir os erros. Saber pedir desculpa. É não julgar ou criticar o outro. É aceitar as pessoas como elas são. Tudo de forma natural. Sem maquilhagem.

coisas várias sobre o porto

Ainda está para nascer o dia em que faça uma viagem Lisboa-Porto-Lisboa e que não encontre a auto-estrada do Norte em obras. Não consigo perceber os motivos de tantas obras nesta (e em tantas outras) estrada mas consigo encontrar um destino melhor para os milhões que se gastam nas obras.

As pessoas do Norte são muito simpáticas. Ou isso ou tenho sorte com todas as pessoas com quem me cruzo. Sorriso fácil, paciência e tempo para uma palavra amiga.

As mulheres vestem-se quase todas bem. E são bonitas.

Ontem pedi dicas para almoçar. As que recebi sobre o Cais de Gaia chegaram depois de já ter ido almoçar. Como tal, optei pelo Penela´s Douro. Infelizmente eu e o meu colega éramos os únicos clientes. Acredito que ao jantar seja melhor. A decoração do espaço é muito bonita. A vista para o Douro alimenta a alma. A broa é de comer e chorar por mais. A chouriça assada idem. Recomendo uma visita a esta casa que tem tapas e outros pratos a preços em conta.

Recebi várias dicas para ir ao Tappas Caffé. Não conseguir ir lá à hora de almoço mas ler “as melhores francesinhas em forno a lenha” aguçou o meu apetite. Fui lá ao jantar. Felizmente para os patrões (e infelizmente para mim) estava cheio. Babei a olhar para as francesinhas no balcão. E fui embora. Mas hei-de lá ir. Obrigado a quem me deu as diversas dicas.

Sem Tappas fui ao Capa Negra II. Não me podia vir embora sem comer uma francesinha. Optei pela especial. Gostei. Estava boa. Mas num duelo com o Café Santiago (em frente ao Coliseu do Porto) dou a vitória ao Café Santiago. Antes da francesinha aspirei um rissol de carne. E fiquei com vontade de comer mais cinco que são mesmo bons.

Surpreende-me o mau momento do Futebol Clube de Porto. Gosto do treinador. O plantel é ligeiramente inferior ao do ano passado (a equipa não sabe lidar com a falta de Moutinho. Que o diga Lucho que tem de correr muito mais, desgastando-se depressa e perdendo influência na equipa). Porém, não fiquei surpreendido com a postura dos jogadores do Áustria de Viena. Passei praticamente o dia todo com eles. Observei vários e eram o espelho da confiança. É certo que são (teoricamente) a equipa mais inferior do grupo. Mas quem já jogou futebol ou lida de perto com jogadores consegue facilmente perceber como está a confiança de uma equipa. E ontem, aqueles rapazes respiravam confiança. E isso notou-se no relvado.

26.11.13

frame by frame (actualizado)

Antes das seis da manhã

Gaia

Frio

Mais Gaia

Rio Douro

Vista do almoço no Penela´s Douro

A bela da chouriça assada

Podia ser eu

Ambiente de trabalho

Sunset

By night

Última paragem: Capa Negra II

Mais de 700 quilómetros e 19 horas depois... home sweet home

@homemsemblogue (intagram). Até à próxima Gaia. É sempre um prazer estar contigo.

dicas sobre gaia

Preciso da ajuda das pessoas do Norte e/ou amantes e conhecedores dos encantos de Gaia. Onde é que se come bem por aqui? Obrigado.

Enviado do meu iPhone

uma aventura

Fazer uma viagem de mais de trezentos quilómetros num carro com um depósito de combustível relativamente pequeno. Com a particularidade de que o único aviso da falta de combustível é um pequeno e discreto símbolo que pisca. Não há aviso sonoro nem colorido. E com a obrigatoriedade de abastecer apenas numa marca.

Por já saber disto não tirei os olhos do mostrador do combustível. O Porto não estava longe. Tinha meio depósito e sabia que até à cidade invicta não passaria por nenhuma bomba das que queria. Até que desaparece mais um traço do mostrador de combustível. Sobram três. Tranquilo, pensei. Até que fui ver a autonomia e reparei que só tinha mais 50 quilómetros.

Opção. Sair da A1 na primeira oportunidade. Aquilo que fiz. Indo dar a um local onde não encontrei uma única bomba. Até que a autonomia marca zero quilómetros. Opção. Abastecer o mínimo na primeira bomba que aparecer. Um valor mínimo de combustível enche "ilusoriamente" meio depósito. Arranco da bomba rumo ao destino final e poucos quilómetros depois dou com a bomba que matou de vez a sede ao pequeno bólide.

Percalço resolvido. Viagem terminada. E atrevo-me a dizer que estou no local mais bonito de Gaia.

Enviado do meu iPhone

next stop: gaia

Acordar quando o Sol ainda não nasceu. Quando a temperatura ainda está perto dos zero graus. Tomar um duche. Escolher um casaco quente que me proteja do frio. Entrar no carro munido de álbuns que me entretenham durante algumas horas e mais de trezentos quilómetros. Tudo isto podia ser algo enfadonho. Mas, quando o destino que me espera é este, não existe aborrecimento nenhum. Até já Gaia.

25.11.13

mereces velas mas vais ter gritos

Estiveste quase uma semana longe de mim. Os minutos passados a conversar e na paródia no skype souberam a pouco. Partiste quando a noite caminhava para o seu fim. E  chegaste quando a noite caminhava para o seu fim. Pouco passava das seis da manhã quando tocaste à campainha. Ainda houve tempo para um sonho curto agarrado a ti. Mas não mais do que isso.

Vim trabalhar a pensar apenas e só na hora de voltar para casa que, felizmente, já não está fria e vazia. Merecias passar o dia a dormir. Merecias acordar e ter a mesa posta. Com duas velas a iluminarem a sala. Com a comida feita. Com uma garrafa de vinho aberta. E com tudo isto a resultar num jantar onde apenas os teus olhos e as histórias que trazes para contar interessam. Mas não vais ter isso. Porque não houve tempo.

Em vez da nossa sala vamos ao restaurante onde sabes que gosto de ir contigo pelo menos uma vez por semana. Não vamos jantar na nossa sala. Não vai haver silêncio. Vão existir gritos, como é normal no restaurante onde as pessoas gostam de falar alto. Também vai haver vinho. Vai haver bacalhau cozido, que já está encomendado, e que é o prato que gostas de comer quando voltas de viagem.

É verdade que merecias velas. Mas vais ter gritos. Porém, da minha parte nada vai mudar. Para mim não vai estar mais ninguém no restaurante de Tó. Vou estar eu. E vais estar apenas tu. De resto, mais ninguém. E só me vão interessar os teus olhos e tudo aquilo que tiveres para me contar. Vai parecer o pequeno-almoço do dia em que começamos a namorar. Nessa manhã falei eu. Nesta noite tu.

relato feminino de uma ida à depilação

Já ouvi diversos relatos femininos sobre idas à depilação. Desde as dores até à exposição da intimidade a uma pessoa que pode ser estranha. O quanto custa, os “nunca mais faço isto”, entre muitas outras coisas. Mas nunca tinha ouvido um relato tão maravilhoso como este que conheci hoje e que aqui partilho, escrito pela Jujuba, há mais de um ano. Acredito que a maior parte das mulheres vão encontrar pormenores com os quais se identificam. Ou não?

“ “Tenta sim. Vai ficar lindo.”

Foi assim que decidi… Por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha.
Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.

- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- Cavada mesmo.
- Amanhã, às… Deixa eu ver…13h?
- Ok. Marcado.

Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui.
Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.

- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.

- Quer bem cavada?
- É… é, isso.

Penélope então deixou a calcinha tapando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.

- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).

- Pode abrir as pernas.
- Assim?
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
- Arreganhada, né?

Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar. Foi rápido e fatal.

Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural. Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.

- Tudo ótimo. E você?

Ela riu de novo como quem pensa “que garota estranha”. Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes. O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.

- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia.
Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.

- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.

- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.
Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. “Me leva daqui, Deus, me teletransporta”. Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.

- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.

- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.

- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista.
Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:

- Tudo bem, Pê?
- Sim… sonhei de novo com o cu de uma cliente.

Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.

- Vira agora do outro lado.
Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
- Penélope, empresta um chumaço de algodão?

Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.

- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa merda…
- Baixa a calcinha, por favor.

Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho?

Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu.
O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.

- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.

Namorar…namorar… eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.”

homem de verdade não bate. e mulher também não

Homem de verdade não bate em mulher. Mulher de verdade não bate em homem. Resumindo, pessoas de verdade não escolhem a violência como solução para problemas ou frustrações pessoais. Hoje assinala-se o Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres e os números são assustadores. Desde o início do ano foram consumados 33 homicídios. A estes juntam-se outros 32 tentados. É assustador perceber que num país tão pequeno como o nosso morrem mais de três mulheres por mês, sendo assassinadas por homens com quem mantinham (ou já tinham mantido) uma relação de afecto.

É certo que o dia de hoje pretende alertar para a violência contra elas. Mas, não se pode ignorar o facto de que os homens também são vítimas de violência doméstica por parte delas. No ano passado mais de 26 mil pessoas, vítimas de violência doméstica, pediram auxílio. Destas, cerca de 15,5% são homens. Se bem que quando se fala de homens existe a vergonha de assumirem que são vítimas de violência. Como tal, muitos falam num comportamento abusivo por parte das companheiras mas poucos assumem que se trata de violência doméstica.

Está na altura das pessoas perderem o medo. De gritarem basta. De mudarem de vida. De deixarem de acreditar em promessas vãs. De deixarem de acreditar que foi uma vez sem exemplo. Porque voltará a acontecer. E será cada vez pior. O medo irá aumentar. A prisão será cada vez mais pequena. E as constantes desculpas e reconciliações vão dar lugar a marcas, nódoas negras, hematomas, cicatrizes exteriores e interiores que nunca serão esquecidas e quem sabe se não acabam mesmo num caixão.

Pedir ajuda não é sinal de vergonha ou de inferioridade. É sinal de inteligência e de maturidade. É sinal de que se pretende mudar de vida. Por isso é urgente combater qualquer tipo de violência doméstica. Em vez da esperança de que tudo irá mudar é melhor pegar num telefone e marcar o 707 20 00 77.

vítor baía estreia-se em hollywood

Já passaram seis anos desde a altura em que Vítor Baía decidiu colocar um ponto final na sua brilhante carreira enquanto jogador de futebol. Desde essa altura que o ex-jogador tem ocupado o seu tempo em diferentes projectos. Já esteve ligado à restauração, já teve um cargo no clube do seu coração e actualmente pode ser visto enquanto comentador desportivo na TVI.

Além disso, Vítor Baía fez um curso de graduação de diamantes na Bélgica. O antigo guarda-redes já fez saber que é uma área onde pretende apostar. Mas, não é a única. Fui ao cinema com a minha sobrinha ver O Super Coala e descobri que Vítor Baía empresta a sua imagem ao Homem do Mato. A única diferença está nos cabelos de ambos. Para o filme, Vítor Baía preferiu ser louro de cabelos compridos. De resto são iguais. E assim está dado o primeiro passo do ex-jogador em direcção a Hollywood, a meca do cinema.


24.11.13

o melhor amigo de quem pratica desporto

Chama-se Reflex e é um spray. Um analgésico externo indicado para dores musculares, dores nas articulações, contusões, entorses, traumatismos sem ferida aberta, tendinites, cãibras, torcicolos, dores lombares e lombalgia. É de fácil aplicação pois basta colocar no corpo sem que seja necessário massajar. Quem pratica desporto frequentemente pode aplicar este spray antes da prática desportiva. A sensação no corpo inicialmente é fresca mas dura breves segundos. Tal como o cheiro característico destes produtos. 

Conheci este spray através de profissionais de um dos maiores clubes do mundo. Quer dizer… é mesmo o maior clube do mundo. E é português. Fiquei a saber que é um dos melhores amigos dos atletas do clube. Sendo que agora é também um dos meus melhores amigos. E foi através dessas pessoas que soube que este spray pode ser aplicado antes da prática desportiva. Segundo me foi dito, o único contra é que não se vende em Portugal. Apenas em Espanha.

Quem tiver oportunidade de encomendar o spray não se irá arrepender. O custo é inferior a vinte euros (lata de 130 ml). Comigo foi amor à primeira vista e tornou as minhas corridas ainda mais leves e já não o dispenso quando jogo futebol. Por ter gostado do produto decidi partilhar esta informação deixando ainda um vídeo que encontrei com uma das formas de aplicação do spray. No meu caso, aplico em mais zonas das pernas.


Notas: Este spray não deve ser utilizado em menores de 12 anos. Outro dado importante e que algumas pessoas esquecem é o facto de que este tipo de produtos não são a solução para tudo. Dores persistentes em períodos superiores a sete dias devem levar a pessoa a consultar um médico. 

Deixo aqui um link onde o reflex está em promoção.

23.11.13

you stupid woman

Cenário: restaurante. Protagonistas: eu e uma senhora que nunca vi na vida. Situação: estou a comer e a senhora está à espera de mesa. Em traços gerais está tudo explicado. Estava sentado a comer. Até que uma senhora decidiu ficar colada a mim enquanto esperava por mesa. (n.d.r. antes da senhora já tinha acontecido o mesmo com o marido e com um dos filhos). Sem ser algo propositado, pelo menos é nisso que acredito, a senhora aproximou-se cada vez mais de mim.

Quando dei por mim, levei um safanão no braço. Dado pelo rabo da senhora. Não liguei. Momentos depois, novo safanão. Aguentei a presença incómoda do marido. Aguentei a presença incómoda do filho. Aguentei a presença incómoda da senhora. Aguentei o primeiro safanão incómodo da senhora. Já não aguentei o segundo.

“Peço desculpa, podia dar-me espaço enquanto como. É que já me tocou duas vezes”, disse. Enquanto disse isto a senhora olhou para mim com uma cara situada algures entre o espanto e a estupidez. “Não percebo porque está a olhar assim para mim”, acrescentei. “Estou a olhar com a única cara que tenho”, respondeu-me com um tom de voz típico em pessoas que gostam de espectáculos em locais públicos. “Não se trata de ser a única cara que tem. Mas olha para mim como se lhe estivesse a pedir algo fora do comum. A senhora já me bateu no braço duas vezes”, expliquei. “E eu não me afastei? Está a ser mal-educado”, disse-me. “Minha senhora, estamos conversados. Obrigado”, respondi antes de voltar ao meu bacalhau assado enquanto a senhora se afastava de mim.

Nunca percebi a necessidade que algumas pessoas têm em esperar por uma mesa em cima da mesa de outras pessoas. Não percebo como é que esta mulher não percebeu que me estava a bater e que estava a incomodar. Para que se possa ter uma noção visual do lugar ocupado pela mulher, esta estava dentro dos limites da mesa. Ou seja, o seu rabo estava colado a mim. Mas, para ela, fui mal-educado pelo simples facto de que pedi espaço para comer.

Pedi-lhe espaço. Fui mal-educado. Para a próxima vez aponto-lhe a faca e espero que o seu rabo toque na mesma. Ou então assumo o papel do mítico René Artois, de ´Allo ´Allo, e exclamo: “you stupid woman”, e assim tiro proveito da fama de mal-educado.

PS – Ao longo dos anos sempre ouvi dizer que Gordon Kaye, o actor que dava vida a René Artois tinha morrido num acidente trágico. Afinal, não passava de um rumor. Gordon Kaye está vivo, tem 72 anos e acho que ainda trabalha enquanto actor. É verdade que o senhor teve um acidente grave em 1990 quando uma árvore caiu sobre o seu carro. Mas recuperou apesar de não se lembrar de nada do que aconteceu.  

sugar crush

Candy Crush é capaz de ser um dos jogos mais famosos da actualidade. Quase toda a gente tem o jogo instalado no telemóvel e quase toda a gente aproveita uma pausa para gastar mais uma (ou cinco) vidas. E incluo-me neste grupo. Aliás, sou conhecido pelo jogador 37. O número do nível onde estou preso.

Acabo de tomar o pequeno ao lado de um casal. Ele, jogador experimentado. Ela, novata. Se isto fosse futebol, ela seria um jogador que dá os primeiros chutos na bola. Um diamante por lapidar. Já ele, parecia um treinador. Faz assim, junta esta com aquela, agora faz assim, disse, entre outras instruções.

Como disse, gosto de jogar. Quase sempre na hora de almoço, quando estou sozinho. Mas, ao Sábado de manhã, a minha sugar crush (duas das palavras mais desejadas de ouvir durante o jogo) passa por um palmier coberto que acompanha ao últimas do desporto.

22.11.13

pensamento da semana #12


O constante (e em alguns casos desesperante) desejo de viver uma linda história de amor faz com que algumas pessoas confundam e misturem sentimentos. A procura é tão intensa que essas pessoas conseguem ver amor em todo o lado e em todas as pessoas. Na maior parte das vezes esses sentimentos nem sequer são de amizade. O que leva a uma (nova ou maior) desilusão que faz com que a pessoa se feche ainda mais. Se há coisa que não se controla nem se escolhe é o amor. Ele aparece quando quer e não quando nós queremos. Querer apressá-lo é possivelmente um dos caminhos mais rápidos para a dor e desilusão. 

yay or nay?

Sou adepto de mudanças. Sobretudo no blogue. De x em x tempo gosto de alterar algo. Hoje, deu-me para mudar o header. Gosto da simplicidade de um cabeçalho composto apenas por letras. Mas quis introduzir um pouco de cor. E gostava de saber a opinião de quem está desse lado em relação ao novo header. Yay or nay?

Já agora, e aproveitando a onda de perguntas e também o milhão de visualizações, o que mudavam no blogue? Quais são os pontos fracos, aquilo que consideram que faz falta e que pode ser melhorado e ainda os temas em que não tenho tocado mas que gostavam de ver abordados por aqui. Obrigado. 

sozinho em casa

Quando era puto adorava estar sozinho em casa. Algo que raramente acontecia. Vivia com os meus pais, com a minha única irmã (e mais velha) e ainda tínhamos a companhia do nosso cão. Sendo o mais novo da casa, raramente tinha o apartamento só para mim. Como tal, apreciava muito esses momentos a sós. O silêncio não me incomodava. A ausência de pessoas também não. Nem nada que se pareça.

Agora, tudo é diferente. Continuo a apreciar alguns momentos de solidão. Mas contento-me com pouco. Algumas horas ou mesmo um dia são mais do que suficientes para me fartar de estar sozinho. A partir daí, o silêncio incomoda-me. Aborrece-me a falta de companhia. Sinto falta do colo onde me deito quando estou a ver televisão no sofá. E detesto comer sozinho e sobretudo o espaço vazio e a menor temperatura na cama.

Ao longo dos últimos dias tenho estado sozinho. E assim irei continuar durante mais alguns. E a verdade é que aquele momento à Macaulay Culkin, quando o actor corre sozinho pela casa de braços no ar em sinal da alegria por ter a casa só para si, dura apenas breves segundos. A partir daí sinto falta de tudo aquilo que me faz falta e que acabo por não valorizar diariamente.

21.11.13

quem me explica a utilidade disto #7

Cuecas para duas pessoas. Mas não se trata de um par de roupa interior. É uma peça única. Onde cabem duas pessoas. Chamam-se Fundies e são cuecas com quatro buracos para pernas. A marca lança o desafio de comprar um exemplar para posteriormente convidar alguém a coabitar na sua roupa interior. Com a vantagem dos dois habitantes terem direito a “quartos” separados dentro da mesma “casa”.

Ainda de acordo com a marca, a diversão está garantida. Em dobro. Uma embalagem custa pouco mais de sete euros e traz um exemplar. Amigos para partilharem a aventura é que não estão incluídos no preço.


Ao descobrir este produto escolhi-o automaticamente para esta categoria. Porém, ao ler a sua descrição obtive resposta à pergunta: qual a utilidade disto? Neste caso, não se vende banha da cobra. É a prenda ideal para uma festa, dizem. Desafiam a que duas pessoas as vistam sem usarem as mãos. Explicam também que o álcool pode dar outro aspecto ao produto. E referem ainda que depois de terem as cuecas vestidas tudo pode acontecer. Como se aproximam os jantares de Natal de amigos, fica aqui uma sugestão de prenda para o amigo secreto.

é um pássaro? é um homem? é…

Acabo de viver o meu momento Clark Kent. “É um pássaro? É um homem? É o Superman”, é a versão original. Nesta adaptação, continua a existir um jornalista, que sou eu. Só as perguntas é que mudam. Durante o almoço fui abordado por um amigo que me começa a conhecer melhor mas que ainda não sabe muito sobre mim.

“Não me leves a mal mas gostava de te fazer uma pergunta”, disse-me. “Força. Chuta”, respondi. “O que é que tu fazes da vida? Qual é a tua profissão?”, perguntou-me. Comecei a rir. “Pergunto isto porque já ouvi muitas coisas. Já me disseram que trabalhas no Benfica. Que trabalhas na Benfica TV. E que és fotógrafo. Por isso, decidi perguntar-te”, acrescentou.

“Fizeste bem. Trabalhar no Benfica ou na Benfica TV era algo muito bom mas não é verdade. Fotógrafo também não sou mas já vim almoçar aqui com alguns. Sou jornalista na publicação x”, respondi. “É que já ouvi tantas coisas. A partir de agora chamo-te pelo nome da publicação”, reforçou. Voltei a sorrir. Sobretudo porque as profissões que escolheram para mim são bem simpáticas. E tendo em conta que o restaurante é frequentado por muitos funcionários e jogadores do Benfica, tratou-se de um belo elogio.

adeus elena. olá magali

Uma boa parte dos jogadores de futebol parece ser feita com o mesmo molde, obedecendo a algumas regras de imagem. São as pochetes Louis Vuitton debaixo do braço. As peças de roupa da Gucci, Dolce & Gabanna, DSquared e Prada. Ultimamente, os headphones Beats. Um relógio ao estilo de Jacob & Co. E um carro desportivo topo de gama dos mais badalados do momento.

Por sua vez, e tal como eles, as famosas Wags (mulheres e namoradas de jogadores de topo) parecem ser feitas com um molde semelhante. Tal como eles, vestem da mesma forma. Têm um estilo bastante equiparado. Que faz com que sejam facilmente distinguidas das restantes mulheres. E estilo do qual não sou propriamente fã.

Isto faz com que poucas mulheres de jogadores de futebol chamem a minha atenção. A única excepção desta regra chama-se Elena Gomez, namorada de Javi Garcia. Ao longo de quatro anos fiquei fascinado com a beleza e simplicidade desta simpática espanhola. Que considero bastante diferente de uma “tradicional” mulher de jogador de futebol. Com a partida de Javi Garcia para Manchester, este lugar ficou livre, sem que ninguém cumprisse os requisitos mínimos para o ocupar. Até ontem!

Já tinha visto fotos de Magali Aravena, a mulher de Salvio. Uma delas publiquei no blogue, na altura em que o argentino estava de regresso ao Benfica. Mas essas imagens não prendiam a minha atenção por um período superior a uns breves segundos. Até que almocei “com” a argentina. Com pouca (ou nenhuma) maquilhagem no rosto e com simplicidade na indumentária revelou uma beleza impossível de observar nas fotos disponíveis na internet. A isto acrescentou uma postura igualmente simples e um sorriso fácil. O que a leva a ocupar o lugar de Elena. É caso para dizer: adeus Elena. Olá Magali.       

20.11.13

é a minha casa. entrem

Se por acaso andarem pela Margem Sul e passarem por algum local onde esta música se faça ouvir alto e em bom som, provavelmente estão à porta da minha casa. Se assim for, não se assustem. Toquem à campainha e entrem que há bebidas para todos. A animação fica a cargo deles.

elas vs eles. amigos em casa

É dia de receber amigos em casa. Elas olham para a casa. Esta está perfeitamente arrumada. "Isto está um caos. É preciso arrumar tudo antes que as visitas cheguem", dizem. Já eles, olham para a casa. Esta está de pantanas. "Está óptima. Não é preciso arrumar nada", dizem.

Enviado do meu iPhone

desculpa lá ronaldo mas não vai ser desta

Muito se tem falado sobre a eleição do melhor jogador do mundo 2013. Não há conferência de imprensa onde não se pergunte quem merece ganhar o prémio: Messi ou Cristiano Ronaldo. Dando até a entender que são os únicos atletas concorrentes ao galardão máximo do futebol, individualmente falando.

Vamos por partes. Neste início de época, Messi está uns furos abaixo daquilo que costuma fazer, sobretudo pelas frequentes lesões. Por sua vez, Cristiano Ronaldo está a fazer uma das suas melhores épocas de sempre. Ou a melhor. O jogo de ontem – o melhor com a camisola de Portugal – é mais uma prova disso mesmo. Estes, são factos que ninguém pode negar.

Mas, algumas pessoas esquecem-se que este início de época não conta para a eleição de melhor jogador do mundo de 2013. Aquilo que interessa é a época desportiva transacta. Ou seja, o final de 2012 e o início de 2013. Tanto que as votações costumam fechar relativamente cedo. Excepto neste ano que Blatter, talvez por ter gozado com a estrela portuguesa, decidiu alargar o prazo das votações. Algo que não irá mudar nada.

Sou português. Sinto orgulho por dizer que sou do pequeno país que Cristiano Ronaldo dá a conhecer ao mundo. Mas, seria injusto se dissesse que o português merece ganhar o prémio. Porque não merece. Tal como não merece Messi. O justo vencedor deste prémio tem de ser Ribéry, que fez uma época estrondosa ao serviço do Bayern de Munique.

O clube alemão ganhou todos os trofeus que poderia ter vencido na época passada. Não escapou um. E, para isso muito contribuiu aquele que tem a alcunha de Scarface. Quem acompanha de perto o futebol sabe que Ribéry era um jogador indisciplinado. Sobretudo em termos tácticos. Defendia mal, quando o fazia. Perdia-se em campo. Jupp Heynckes mudou isso e fez dele um jogador preponderante em todas as manobras da equipa.

As pessoas falam apenas de Messi e Ronaldo e esquecem-se que já foi eleito o melhor jogador da época passada para a UEFA. E o vencedor foi Ribéry. Que merece ser eleito o melhor jogador do mundo. Não é fácil estar uns furos acima dos dois suspeitos do costume mas o francês conseguiu. E merece ser destacado por um feito ao alcance de poucos.

Na época passada foi o Ribéry. Este ano poderia ser o Neymar e Bale, por exemplo. Fazem falta jogadores que possam ombrear individualmente com Messi e Ronaldo. É que já cansa que se passe a vida a falar dos dois. Portugal é apurado para o Mundial de futebol e o tema é a comparação com o Messi. Quem é o melhor e outras questões que tal que nada de útil têm para o dia de festa. Fala-se de uma pessoa quando se deveria falar de um feito colectivo. Por exemplo, quase ninguém falou de Moutinho, que fez um jogo brilhante e que serviu de bandeja dois golos a Ronaldo.

Não são estas constantes perguntas que vão alterar o facto de Messi ser amado pela FIFA e Cristiano Ronaldo ser quase um patinho feio para o organismo que tutela o futebol mundial. As pressões vão continuar a existir. Feitas por Blatter e seus pares. Isto não irá mudar tão cedo. Resta a Ronaldo provar dentro do campo aquilo que sabe fazer e não alimentar aquilo que os outros dizem para proveito próprio. Para mais uma manchete e afins. E a continuar assim irá ganhar o prémio em 2014.

19.11.13

verdade ou mito #39

Orgasmos e masturbação. Dois dos maiores tabus em torno do sexo, sobretudo no que diz respeito à satisfação sexual individual. São temas pouco falados que causam embaraço em algumas pessoas. Pois bem, quando acontecem os orgasmos mais intensos: durante a relação sexual ou durante a masturbação? Será verdade que são precisas duas pessoas para que o orgasmo tenha uma intensidade mais forte? Ou será mito porque os orgasmos mais intensos acontecem com a masturbação? Verdade ou mito? 

eu e os outros

Cada vez mais me convenço que a maior parte das pessoas não sabe olhar para o “eu” em função do “outro.” Muita gente olha apenas para o seu umbigo. Analisa somente o eu, como se esse eu vivesse sozinho no mundo. Como se fosse uma pessoa isolada dos restantes milhões de quem são praticamente iguais. Levando essa análise ao ridículo e à falta de coerência. Ou, dito por outras palavras, é apenas mais uma das evidentes facetas da grave crise de valores que atravessamos.

Para muitas pessoas, o eu é uma entidade divinal acima de tudo o resto. Eu posso tudo. Eu digo o que quero. Eu sei tudo. Eu não tenho dúvidas sobre nada. Eu posso falar da vida de todas as pessoas. Eu é que mando. Eu é que sou o maior. Eu sou uma estrela. Se não fosse eu, ninguém sabia nada de nada. Eu sou intocável. Eu sou inquestionável. Não há nada de nada que me passe ao lado. Eu sou a razão de tudo.

Para essas mesmas pessoas, ou outros são seres inferiores. Os outros não podem nada. Os outros não podem dizer nada. Os outros nada sabem. Os outros não têm dúvidas porque são burros. Ou outos obedecem-me. Os outros são inferiores. Os outros não brilham. Os outros sabem o pouco que sabem porque eu ensino. Os outros não são intocáveis. Os outros são questionáveis. Os outros são duvidosos. Os outros são falsos. Tudo passa ao lado dos outros. Os outros nunca têm razão.

E quando os outros fazem o mesmo do que eu, são burros. São parvos. São ridículos. São uma cambada de atrasados mentais que nada sabem desta coisa chamada vida. Não têm piada. São patéticos. Não sabem nada de nada e só atiram palpites para o ar. Os outros pensam que sabem tudo mas nada sabem. Porque eu não deixo que saibam o que quer que seja. Mas eu, que faço o mesmo do que os outros, não sou burro. Sou uma divindade intelectual seguida por outros quase tão espertos como eu. Os outros, que se aglomeram, são burros. Os que seguem o “eu” são aspirantes a intelectuais.

Em traços gerais, esta é a linha de pensamento de muitos “eus”. Que se julgam diferentes dos demais quando a ocorrência o justifica. Até porque é muito mais fácil eu ser um “eu” diferente dos outros. É muito mais fácil esconder aquilo que sou atrás de um conjunto de características duvidosas que acredito serem especiais. Mas que na realidade não passam de ilusões. De ilusões meramente ridículas.

Esta triste realidade é algo que sempre me fará confusão. Não entendo como é que alguém consegue odiar aquilo que é. Como é que alguém consegue criticar aquilo que faz. Como é que alguém acha que sabe tudo sobre todos mas que não aceita que ninguém possa saber nada sobre si. Já falei aqui por diversas vezes da crise de valores que vivemos. E esta é, a meu ver, uma das facetas mais visíveis e preocupantes desta crise. A falta de discernimento que muitas pessoas têm em analisar-se num contexto global.